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Ensino e Formação
Alunos do Mestrado em Criação Artística Contemporânea participam em residência de estudo
Ambiente de aldeia à beira Vouga estimula criações de alunos da UA
Residência artística em Oliveira de Frades estimula criatividade de alunos da UA
O Vouga, sempre presente, embala o desenho, a pintura, a instalação, a imagem, o som, ou a expressão corporal. As criações que foram surgindo, durante quatro dias em Casal de Sejães, Oliveira de Frades, na linguagem escolhida por cada participante, tiveram os sons e a imagem paisagística da ruralidade serrana à beira rio como base de inspiração. A residência exploratória para alunos do Mestrado em Criação Artística Contemporânea da Universidade de Aveiro (UA) decorreu em parceria com a Binaural, associação cultural dedicada às artes sonoras e medias rurais.

O chilrear das aves, a enxada a sulcar a terra, o trator que se impõem pelas encostas acima, algures um tilintar de gado, mas também a água sempre presente. Aquela que escorre em regatos e levadas, ou a outra mais larga que engrossa o leito no sítio onde o Vouga começa a tomar peito para a barragem de Ribeiradio. Atentos aos sons da vida na aldeia de Casal de Sejães, Oliveira de Frades, mais de dez alunos do Mestrado em Criação Artística Contemporânea da UA, de nacionalidades diversas, responderam ao desafio, de 21 a 24 de abril, através das mais diversas formas e linguagens artísticas, nas mesmas em que evoluem enquanto criadores.

O desafio teve como centro o rio, os sons que a sua força alimenta e que o circundam, “assumindo a própria barragem como um contexto interessante para reflexão social e paisagística e para prática artística contemporânea sonora com reflexos nos vários media”, explica Paulo Bernardino Bastos, docente um dos dinamizadores da iniciativa. Foi esta a base de inspiração para a “Vougascapes#3 – Micro Residência de Arte Sonora para Estudantes”, iniciativa que resulta da parceria entre o Mestrado e a Binaural, com apoio do município de Oliveira de Frades, no âmbito do projeto Europa Criativa SOCCOS, promovido pela Binaural em conjunto com a Q-O2 (Bélgica), Hai Art (Finlândia), CTM Festival (Alemanha) e A-I-R Laboratory (Polónia).

No mesmo período e no âmbito do mesmo projeto, a Binaural promoveu uma residência em Santa Cruz da Trapa e São Cristóvão de Lafões para cinco artistas consagrados de vários pontos do mundo, incluindo Portugal.

Na atual configuração do Mestrado, dirigido pela docente Graça Magalhães, também presente na orientação dos trabalhos, a residência de estudo constitui “uma oportunidade para vários alunos trabalharem, pela primeira vez, com o som, enquanto elemento de trabalho plástico/artístico", considera Paulo Bernardino Bastos. "Mas é também uma oportunidade para transpor o esforço de criação para fora das paredes da academia; as paredes brancas de uma galeria, de algum modo, formatam e condicionam o ato criativo e o consequente resultado final na arte”, comenta ainda o docente. Estes quatro dias conduzem, por outro lado, à reflexão sobre as identidades, "tema fundamental na arte contemporânea", acrescenta. A permanente partilha de experiências entre os participantes e, num dos quatro dias, a troca de ideias entre os alunos e os artistas consagrados que participam na residência paralela são outras caraterísticas destacadas pela organização da iniciativa.

Parceria que liga ao terreno através do som

A parceria entre o Mestrado da UA e a Binaural, em vigor há seis anos, avança agora para uma nova etapa ao possibilitar que dois dos atuais alunos sejam selecionados para participar numa residência em Bruxelas, de pouco mais de uma semana, entre o final de maio e o início do junho, onde se encontrarão com outros estudantes ou recém-formados de outros países europeus.

A parceria com a UA permite à Binaural o acompanhamento, de perto, das práticas de ensino, de discussão sobre a criação artística e sobre a sua evolução permanente, explica Luís Costa, coordenador da Binaural. Na perspetiva do Mestrado, Paulo Bernardino Bastos salienta que a parceria agrega à formação uma componente de ligação ao território e a possibilidade de outras abordagens temáticas que sem ela seriam mais difíceis ou mesmo impossíveis.

E como pode o som ser matéria de produção artística? Luís Costa, divide, desde logo, essa matéria em três níveis: o som como pura informação, o som como música e som como matéria de trabalho para a imaterialidade, para narrativas multissensoriais associadas à forma como o homem se relaciona com o mundo. “O som estimula a concentração, a serenidade e a permanência, contrariando a tendência da sociedade contemporânea onde predomina o efémero e a superficialidade; é em situações de maior concentração e profundidade que se consegue extrair sons com maior plasticidade e expressividade, muitos não audíveis no dia-a-dia habitual”, sublinha.

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