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Entrevistas
João Teixeira, licenciado e pós-graduado em Meteorologia na UA
Investigador e uma espécie de diplomata no Met Office de Inglaterra
João Teixeira estudou Meteorologia na UA e trabalha Met Office em Inglaterra
João Teixeira, licenciado e pós-graduado em Meteorologia e Oceanografia Física pela Universidade de Aveiro (UA), trabalha no United Kingdom Meteorological Office (Met Office), um dos centros mais prestigiados, a nível internacional, na área de meteorologia e clima. Agrada-lhe, particularmente, estar a par dos desenvolvimentos dentro da instituição e "servir um pouco de diplomata entre o Met Office e os parceiros". Da UA, destaca a formação, o campus diverso que promove a troca de experiências e a proximidade entre docentes e alunos.

João Teixeira fez toda a formação superior na UA. Primeiro a licenciatura em Meteorologia, Oceanografia e Geofísica e, depois, o mestardo em Meteorologia e Oceanografia Física. Agora, a trabalhar no sudoeste de Inglaterra, surpreende-o a hospitalidade da população e a relativa simpatia de S. Pedro que manda menos chuva e mais sol do que o esperado.

Há algum professor, colega, ou episódio na UA que o tenha marcado mais?

Creio que a UA, por se localizar, grande parte, num campus só (ao contrário de muitas outras universidades em Portugal), promove o convívio entre alunos de áreas diferentes e essa diversidade é definitivamente um ponto positivo. Para além disso, sempre houve grande abertura e disponibilidade da parte dos professores para interagir com os alunos, eliminando uma barreira sentida por muitos amigos meus que foram alunos de outras instituições de ensino superior.

Foi fácil entrar no mercado de trabalho? Porquê? Refira o principal fator que contribuiu para essa facilidade ou dificuldade.

Considero que foi relativamente fácil entrar no mercado de trabalho. Creio que essa facilidade se deveu, maioritariamente, a saber onde procurar e a estar disposto a fazer grandes mudanças.

Que funções desempenha e como descreve os seus dia-a-dia e atividade profissional?

O Met Office é um dos centros mais prestigiados na área de meteorologia e clima, com muitos parceiros internacionais. A maior parte do meu trabalho passa por dar suporte cientifico na área de clima aos parceiros que usam o nosso modelo numérico. Isso envolve saber um pouco de tudo acerca dos desenvolvimentos do modelo, dar formação para sua utilização e servir de pivot entre a instituição, a equipa de desenvolvimento e os parceiros externos. Além disso, dedico parte do meu tempo à investigação e implementação de um modelo de química da atmosfera no futuro UK Earth System Model, um dos que irá participar no CMIP6 (projeto internacional de comparação de modelos globais).

­O que mais o fascina na sua atividade profissional?

Apesar de gostar de fazer investigação, o que mais me atrai na posição que agora tenho é o facto de ter que estar a par dos desenvolvimentos dentro da instituição e servir um pouco de diplomata entre o Met Office e os parceiros.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido mais importantes para o exercício da sua atual atividade? O doutoramento que ainda frequenta na UA terá influência na sua atividade no United Kingdom Meteorological Office?

Tanto o mestrado como a licenciatura são muito abrangentes, dando uma visão ampla em várias matérias, mantendo a profundidade necessária na abordagem a temas complexos como a dinâmica da atmosfera. Esse equilíbrio foi de facto fundamental. No entanto, foi durante o tempo em que fiz investigação, mais concretamente durante o doutoramento, que fui adquirindo a capacidade de trabalho individual que se insere num objetivo comum de grupo. Essa capacidade foi sendo adquirida com ajuda dos meus orientadores, antigos professores e colegas.

O que o levou a optar por ir trabalhar para o Met Office?

O Met Office é um centro de investigação de renome e, por isso, achei que era uma oportunidade a não perder.

Como é viver e trabalhar em Inglaterra? Quer fazer o paralelismo com a vivência em Portugal?

A bem dizer, o meu dia-a-dia é muito semelhante ao que tinha em Portugal. Aqui no sudoeste de Inglaterra, talvez por ser uma zona rural e de cidades mais pequenas, as pessoas são amigáveis, simpáticas e descomplexadas, rivalizando até com a hospitalidade do sul da Europa. Estava à espera de mais chuva e menos sol e até nem tem sido mau! Claro que o que para mim requer um impermeável, para os ingleses é um dia de piquenique em t-shirt!

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