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Entrevistas
Antigo aluno ISCA-UA – Ricardo Beltran, licenciado em Contabilidade
Um passaporte para o mundo chamado ISCA-UA
Ricardo Beltran
Formou-se em Contabilidade no Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCA-UA). Corria o ano de 2005. Com o valioso passaporte nas mãos, Ricardo Beltran rumou em trabalho para Espanha, depois para a Guatemala e, de seguida para a Inglaterra. Hoje está no Banco Europeu de Investimento, no Luxemburgo, onde, entre várias missões, está a criar produtos financeiros alternativos no combate à crise financeira que tem assolado a Europa. “O curso tirado no ISCA-UA deu-me tudo o que hoje tenho”, reconhece o antigo aluno.

No mesmo ano em que concluiu a Licenciatura em Contabilidade no ISCA-UA embarcou no projeto Leonardo da Vinci através do Gabinete de Estágios e Saídas Profissionais (GESP)  da UA. Acabou por ser contratado pela empresa Ayuda al Desarollo Empresarial que, sediada em Madrid, prestava serviços de consultadoria na banca e empresas públicas em geral. “O meu primeiro emprego após ter terminado o curso surgiu assim, abrindo-me as portas do mundo e da internacionalização sem nunca esquecer a quem na realidade o devo”, lembra Ricardo Beltran. Seguiram-se depois passagens por Guatemala e Londres até regressar novamente a Portugal, em 2007, onde trabalhou para uma filial da Sonae.

Incansável, decidiu arrancar de novo, desta vez para o Luxemburgo. Entrou em 2008 no mundo das instituições da União Europeia (EU), mais concretamente no Banco Europeu de Investimento, começando na área da contabilidade e, posteriormente, na área de relatórios financeiros de programas da EU. “Atualmente sou gestor de mandatos e criação de produtos financeiros alternativos no combate a crise, como por exemplo fundos de dívida, bancos cooperativos, plataformas de inclusão social entre outros”, descreve. E ainda só tem 37 anos.

Quais os motivos que o levaram a estudar no ISCA-UA?

Por saber que de todas para as quais tinha chances de entrar era a que claramente oferecia melhores condições a todos os níveis.

O curso correspondeu às suas expectativas?

O curso tirado no ISCA deu-me tudo o que hoje tenho. No entanto, as expectativas quando se entra numa universidade aos 18 anos estão ou podem estar muito longe de corresponder a realidade que nos espera depois de acabarmos o curso. Creio que ao terminar o curso, obtemos muito mais do que um simples diploma. Atingimos um nível de desenvolvimento humano que devemos utilizar em nosso favor. O curso são 50 por cento e os restantes 50 por cento são a nossa atitude desde o dia em que o terminamos. 

Ainda que o ISCA na altura fosse ainda uma entidade independente, tive o privilégio de beneficiar tanto dos ensinamentos do ISCA como da UA através do GESP no programa Leonardo da Vinci, pelo que da academia de Aveiro apenas tenho memórias boas. Não me farto de encorajar os membros da minha família a colocarem os respetivos filhos na UA - e isso está prestes a acontecer - como também estou certo que os meus próprios filhos por aí irão passar, esteja eu onde estiver!! 

O que mais o marcou no ISCA-UA?

Duas coisas:

Primeiro: A minha última cadeira, gerida pelo saudoso professor Domingos Cravo, tido como “o maestro, o duro e o difícil” do ISCA. Tinha-me inscrito para o programa Leonardo da Vinci e havia sido aceite. Se não passasse aquela cadeira, não terminaria o curso e perderia o barco. Tive um 8 creio, e tive de ir a prova suplementar. Antes dessa prova, como sabia que tinha tudo a ganhar e tudo a perder, decidi tomar coragem e pedir uma reunião com ele no gabinete. Sim, era preciso coragem! Expliquei-lhe a minha situação e apenas me disse que tinha era que me preparar como os outros e que tudo dependia de mim. Sai de lá com a sensação de que tinha perdido o meu tempo. Entretanto fiz a dita prova suplementar e não me correu assim tão bem. Dias depois, antes que se anunciassem as notas, o saudoso professor Domingos Cravo enviou-me um email pessoal dizendo: “Parabéns, acabou o curso. Já pode embarcar na sua aventura”. Um gesto de louvar para quem era tido como o duro do ISCA! Embora acredite que tenha tido nota para passar, aquele gesto foi marcante.

Segundo: O grupo de amigos que formei. Todos os anos vou pelo menos duas vezes a Aveiro, viva onde viver, para passar momentos com o mesmo grupo de amigos que se mantêm desde então. Estão obviamente espalhados por toda a parte, Europa incluída, e nada nos impede de voltar, sempre, a Aveiro.

Sempre soube a profissão que queria seguir?

Sinceramente não queria ser contabilista! É um paradoxo, mas é a verdade. Conheci o meu primeiro empregador, de Espanha, num parque de campismo de férias em São Pedro de Moel! E assim tudo começou.

Como descreve a sua atividade profissional?

Trabalhar para a UE é algo muito difícil de descrever porque se trata de uma realidade completamente distinta. Não é privado. Não é publico. É, no fundo, a máquina politico-financeira da UE. Saber que um determinado projeto vai permitir dar de comer a muita gente que enfrenta sérias dificuldades é o ponto máximo.

O que mais o fascina na sua atividade profissional?

Precisamente o facto de estar numa plataforma que me permite ver a Europa como um todo. Poder tomar decisões que vão impactar e ajudar gente em necessidade. Desenhar produtos financeiros que não existem e que são alternativos no combate às dificuldades dos mercados financeiros europeus. Enfim, podia escrever uma eternidade…

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício da sua atual atividade?

A principal, sem dúvida alguma, o espírito social que se vive na UA. Uma universidade extremamente aberta socialmente, recebe gente de todo o lado e porque tem variadíssimos cursos, tem também variadíssimos tipos de personalidades. Sim, porque sou daqueles que acreditam que a vertente pessoal e social são o grande pilar do sucesso de qualquer ser humano e nisso a UA é riquíssima! Desde os alunos, ao staff, com quem ainda mantenho ótimas relações.

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