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Na exposição e livro "Mulheres na Ciência"
Seis investigadoras da UA entre as 103 cientistas portuguesas homenageadas pela Ciência Viva
Investigadoras da UA homenageadas no livro
No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a Ciência Viva lança o livro "Mulheres na Ciência", inspirado na exposição de retratos com o mesmo nome que está patente no Pavilhão do Conhecimento desde março de 2015 e que pretende prestar uma homenagem às mulheres cientistas que, em Portugal, têm oferecido um contributo fundamental para o progresso e para a reputação internacional da ciência e tecnologia nacionais. Entre as 103 cientistas portuguesas homenageadas seis são da UA.

Da autoria dos fotógrafos António Pedro Ferreira, Clara Azevedo, Daniel Rocha, José Carlos Nascimento e Luísa Ferreira, esta coleção retrata mais de uma centena de mulheres que são uma referência nas suas áreas de investigação, servindo de inspiração às mulheres mais jovens a seguir a sua vocação. Em Portugal, as mulheres representam 46% do total de investigadores, existindo ainda algum caminho a percorrer para que o talento de todas as jovens portuguesas que aspiram a dedicar-se profissionalmente a estas áreas possa ser aproveitado e premiado.

No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a exposição encerra e é lançado, às 19h10, no Pavilhão do Conhecimento o livro alusivo a esta exposição e inaugurado um módulo digital que incorpora todos os retratos, acompanhados de um breve testemunho de cada investigadora. Este módulo expositivo será atualizado em permanência nos próximos meses.

Cientistas da UA

Célia Dias Ferreira (Fotografia: Daniel Rocha)

Célia Maria Dias Ferreira concluiu a sua licenciatura em Engenharia do Ambiente na Universidade de Aveiro, em 1996, e o seu Doutoramento em Tratamento de Resíduos na Universidade Técnica da Dinamarca, em 2005. Investigadora no Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica da UA e no Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO), sediado na mesma Universidade. Com interesse nas áreas da gestão e reciclagem de resíduos e dos processos eletroquímicos em aplicações ambientais, desenvolve atualmente investigação na recuperação de fósforo, de acordo com os conceitos da economia circular e do uso eficiente de recursos.

Colabora com o Center for Environmental and Sustainability Research (CENSE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e coordena o Grupo de Investigação “Ambiente e Sociedade” do CERNAS – Centro de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade, uma unidade de investigação reconhecida pela Fundação para a Ciência e Tecnologia que tem por objetivo produzir investigação nos domínios das Ciências Agrárias, Ciência e Engenharia Alimentar e Ambiente e Sociedade, liderando uma equipa de investigação constituída atualmente por 20 investigadores. Foi agraciada com o National ENERGY GLOBE Overall Winner Portugal, em 2006, e com o Best LIFE Environment Projects 2007-2008 da European Commission, em 2008, com o Projecto EMAS@SCHOOL.

Helena Nazaré (Fotografia: António Pedro Ferreira)

Licenciada em Física pela Universidade de Lisboa e doutorada pelo King's College, de Londres, Helena Nazaré iniciou o seu percurso académico em 1973, em Moçambique, tendo ingressado pouco tempo depois na Universidade de Aveiro onde, para além de docente, passou pela liderança do grupo de investigação em Espectroscopia de Semicondutores, do Departamento de Física e da Escola Superior de Saúde da UA e pela vice-presidência do conselho cientifico desta universidade. Foi, ainda, Reitora desta universidade entre 2002 e 2010.

Foi presidente do Comité para a Investigação e Transferência de Conhecimento do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, sendo membro do grupo de investigação da European University Association (EUA), desde 2004, tendo participado na avaliação de Universidades em Espanha, Turquia, Palestina, Eslovénia e Cazaquistão. Também na Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OECD) conduziu avaliações na Catalunha e na Lombardia e na Associação Europeia para a Qualidade do Ensino Superior (ENQA) fez avaliações em universidades da Galiza e Finlândia. Em 2009 assume a vice-presidência da EUA em 2009 e em 2011 a presidência da mesma associação. Foi também Presidente da Sociedade Portuguesa de Física, Membro do Conselho de Administração da Portugal Telecom e Presidente do Conselho Consultivo da Fundação Galp Energia.

É coordenadora da 3ª Comissão Especializada Permanente do Conselho Nacional de Educação e recentemente foi nomeada presidente do Conselho Coordenador do Ensino Superior. Em 2015, numa cerimónia dedicada ao Ensino Superior, o Presidente da República agraciou Helena Nazaré com a mais elevada distinção na Ordem da Instrução Pública, a Grã-Cruz pelos serviços prestados à causa da Educação e do Ensino.

Isabel P. Martins (Fotografia: Daniel Rocha)

Professora catedrática aposentada do Departamento de Educação e Psicologia da UA, Isabel P. Martins é licenciada em Química na Universidade de Coimbra, com estágio pedagógico na Escola José Falcão (Coimbra), doutora em Ciências da Educação/ Didática das Ciências pela UA, onde ingressou em 1981 e onde desenvolveu e coordenou projetos de investigação na área da didática das ciências e da formação de professores e compreensão pública da ciência. Durante a sua carreira assumiu responsabilidades ao nível da direção de curso, da coordenação de alguns graus de ensino, da comissão científica e da direção pedagógica de curso, da assessoria pedagógica da direção do Departamento, entre outros. É autora de várias publicações e revistas científicas, manuais escolares e comunicações apresentadas em congressos nacionais e internacionais, tendo sido coordenadora de reuniões científicas internacionais.

Foi vice-reitora para a Pós-Graduação e Assuntos Científicos da UA entre 2004 e 2010, tendo acompanhado a implementação da Declaração de Bolonha na UA. Teve uma forte intervenção como investigadora e docente na implementação em Portugal da formação específica para a docência no ensino secundário e na implantação da formação pós-graduada nesta área que incluiu também a Educação em Ciências para professores do 1º ciclo. Nos anos mais recentes coordenou uma equipa multidisciplinar de professores e investigadores da UA e de outras universidades e professores do ensino secundário na elaboração dos programas de 14 disciplinas do 10º, 11º e 12º anos de escolaridade, respetivos manuais para alunos e guias de professor, no âmbito da “Reestruturação Curricular do Ensino Secundário Geral em Timor-Leste”.

Mara Freire (Fotografia: Luísa Ferreira)

Licenciada em Química Analítica e Doutorada em Engenharia Química pela UA, Mara Freire fez um estágio na Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi estagiária de pós-doutoramento na Universidade Nova de Lisboa, sendo neste momento investigadora no Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO). A sua investigação tem-se centrado essencialmente no estudo dos perfluorocarbonetos e dos líquidos iónicos, duas grandes categorias de solventes alternativos aos solventes orgânicos tradicionais voláteis e normalmente tóxicos e que têm propriedades promissoras para as mais variadas aplicações em processos industriais e em técnicas de concentração e separação de poluentes persistentes, fármacos e marcadores tumorais.

Em 2014 foi galardoada com o “ECTP-NETZSCH Young Scientist Award”, uma distinção que homenageia, a cada três anos, uma carreira científica de elevado mérito de investigadores com menos de 40 anos de idade na área da caracterização de propriedades termofísicas. Em 2013 Mara Freire conquistou uma bolsa no valor de 1,4 milhões de euros atribuída pelo Conselho Europeu de Investigação, a maior bolsa europeia com que uma jovem cientista pode sonhar, para desenvolver o projeto IgYPurTech, uma tecnologia sustentável para purificar anticorpos retirados da gema do ovo e produzir com eles biofármacos baratos e mais eficazes do que alguns dos atuais antibióticos.

Susana Sargento (Fotografia: Daniel Rocha)

Susana Sargento, docente do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática da UA (DETI) e investigadora no Instituto de Telecomunicações (IT), foi uma das nove finalistas do Prémio Mulheres Inovadoras da União Europeia 2016 atribuído pela Comissão Europeia com o objetivo reconhecer as empreendedoras que se destacaram por introduzir ideias inovadoras no mercado.

Responsável pelo grupo de investigação Arquiteturas e Protocolos de Redes, fez doutoramento em Engenharia Eletrotécnica na UA, em 2003, esteve sete meses na Universidade de Rice (EUA) em 2000 e 2001, foi docente no Departamento de Ciências de Computadores na Universidade do Porto, entre 2002 e 2004, e foi professora convidada na Universidade de Carnegie Mellon (EUA) em 2008/2009. Em março de 2012, cofundou a empresa de redes veiculares, a Veniam, uma spin-off das universidades de Aveiro, Porto e do Instituto de Telecomunicações, que desenvolveu uma infraestrutura de acesso à Internet de baixo custo com base nos veículos como elementos dessa rede.

Com mais de 15 anos de experiência na liderança técnica em vários projetos nacionais e internacionais, Susana Sargento tem trabalhado de forma muito próxima com operadores de telecomunicações e fabricantes. Do lado da investigação, esteve envolvida em vários projetos FP7, como o Future Cities – no qual foi corresponsável por implementar a rede de veículos nos autocarros e camiões, assim como as estações fixas na cidade, que conta atualmente com mais de 600 veículos na cidade do Porto - projetos nacionais com instituições de investigação e com a indústria, e projetos do programa CMU|Portugal (DRIVE-IN e S2MovingCity). As suas áreas de interesse estão relacionadas com as redes auto-organizadas, como as redes ad-hoc e de veículos, e as redes de distribuição de conteúdos.

Vânia Calisto (Fotografia: Daniel Rocha)

Remover resíduos de medicamentos de uma forma barata e eficaz em efluentes domésticos é o objetivo do estudo de Vânia Calisto, investigadora em pós-doutoramento da Universidade de Aveiro (UA), que já mereceu a Medalha de Honra L’Oréal Portugal para Mulheres na Ciência.

A realizar investigação com bolsa de pós-doutoramento na UA, sob supervisão de Valdemar Esteves, professor do Departamento de Química, e cossupervisão de Marta Otero, da Universidade de Leão, a investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) está a desenvolver um material adsorvente que possa ser aplicado em larga escala, ou seja, eficaz e barato. Para isso, usa resíduos de produção de pasta de papel, resultando num material com aspeto de carvão que já testou em efluentes sintéticos. Até agora, o novo material está a mostrar eficácia na adsorção de antiepiléticos, antidepressivos, ansiolíticos, antibióticos e anti-inflamatórios em efluentes sintéticos. No entanto, falta testar a eficácia em efluentes reais, em ETAR.

Esta investigação dá seguimento à investigação já iniciada com o seu doutoramento e que mostrou na altura que o tratamento a que são submetidos os efluentes nas ETAR não elimina vários tipos de medicamentos psiquiátricos e que alguns destes mostravam enorme potencial de acumulação no ambiente. Foram analisados os casos do antiepilético carbamazepina e de vários ansiolíticos, como alprazolam que demonstrou uma persistência mais longa, mesmo sob sol de verão, em efluentes finais de ETAR.

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