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Entrevistas
Professor UA – Rui Marques Vieira, Departamento de Educação e Psicologia
Missão: formar com qualidade professores, porque é neles que o futuro se alicerça
O professor Rui Marques Vieira
Professor há 25 anos, 11 dos quais na Universidade de Aveiro (UA), é no futuro que Rui Marques Vieira aposta diariamente nas salas de aula. Entre os seus alunos dos mestrados e doutoramentos na área da Educação, muitos serão um dia colegas de profissão. Por isso, a dedicação que coloca em cada aula é já a pensar nos alunos dos futuros educadores. Porque “é possível melhorar o nível de capacidades de pensamento crítico e criativo destes futuros professores para que estes depois possam potenciar também as dos seus alunos”.

Doutorado em Didática pela academia de Aveiro, entre as muitas unidades curriculares lecionadas por Rui Marques Vieira destacam-se a Didática das Ciências, Prática Pedagógica Supervisionada, Seminário de Investigação Educacional, Metodologias de Investigação em Educação e Educação para a Sustentabilidade.

Membro da direção do Departamento de Educação e Psicologia (DEP) desde 2011, departamento onde tem sido diretor de  vários cursos de mestrado, a atividade de Rui Marques Vieira não se esgota na docência. Longe disso. Autor de várias comunicações, artigos e livros, o docente é membro do Centro de Investigação Didáctica e Tecnologia na Formação de Formadores da UA onde tem desenvolvido estudos de investigação na área da Formação de Professores, do desenvolvimento curricular em Ciências, com destaque para a dimensão das Capacidades de Pensamento Crítico, na Educação em Ciências para os primeiros anos de escolaridade, nas TIC e na Educação para o Desenvolvimento Sustentável.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes da UA nas áreas às quais está ligado?

Como estou envolvido na mesma assumo que tenho uma visão comprometida; mas qualifico a formação de Educadores e Professores na UA como genericamente de qualidade. Considero que é sempre possível melhorar aspetos que vamos identificando como fraquezas e tal tem acontecido, mas as forças e potencialidades são em número substancial sendo e destacar, como evidenciam os relatórios do Conselho Pedagógico resultantes do processo do “Sistema de Garantia da Qualidade” (SGQ) da UA, as que se relacionam com a formação e qualidade do corpo docente do Departamento de Educação e Psicologia, as metodologias de ensino e de avaliação inovadoras que usam e a satisfação geral do/as estudantes sobre a formação geral que recebem, incluindo dos de Erasmus que temos tido em número cada vez mais crescente.

Outra evidência da qualidade do trabalho desenvolvido está na procura dos Doutoramentos do Departamento (neste momento são quatro: Educação; Psicologia; Multimédia em Educação; e Gerontologia e Geriatria) por parte de diferentes profissionais, incluindo de outros países como os da CPLP, sendo neste momento a Unidade Orgânica que têm, em valor absoluto, o maior número doutorandos matriculados na UA.

Qual é o segredo para se ser um bom professor?

Começo por referir que a resposta a esta questão tem sido um dos focos da investigação em educação e segundo diferentes enfoques e perspetivas que vão desde uma visão mais técnica a uma mais emancipadora ou crítica. O volume de investigação produzida tem sido crescente, inclusive pelo Centro de Investigação a que pertenço – Didática e Tecnologia na formação de Formadores (CIDTFF) e a minha resposta aqui será, também por isso, incompleta. Além disso, como está descrito no último relatório sobre a “Formação Inicial de Professores” do Conselho Nacional de Educação (2015), o conceito de bom professor varia de país para país, o que faz igualmente variar consideravelmente os programas de formação inicial de professores entre os diferentes países.

Também, que se saiba, não existe um perfil ou qualidades específicas de docente aplicáveis para todos os contextos ou educandos. A diversidade de situações e variáveis que afetam o ato educativo são complexas e impossibilitam apontar uma caraterística ou mesmo “segredo para se ser um bom professor”.

De qualquer modo e com este enquadramento ouso avançar que um bom professor deve ser globalmente um profissional que reflete, decide e age com competência e eticamente no desenvolvimento (que inclui conceber, produzir, implementar e avaliar) de propostas educativas mais adequadas e fundamentadas para todos os seus educandos na sua globalidade e que colabora com a comunidade educativa (professores, encarregados de educação e restante agentes envolvidos) no êxito educativo.

O que mais o fascina no ensino?

O desafio permanente de lidar com a diversidade de perfis cognitivos e afetivos de estudantes de diferentes origens sócio culturais, com diversificados contextos de formação incluindo não-formais ligados à Ciência, como museus e Centros de ciência, novas unidades curriculares e com diferentes dinâmicas estratégias de ensino / aprendizagem e recursos didáticos. A este nível é já inevitável não equacionar o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e particularmente de todo o potencial das comunidades online de aprendizagem e de prática e os desafios que as mesmas nos podem proporcionar na formação de educadores e professores.

Outra motivação para continuar empenhadamente no meu desempenho docente está na evidência que é possível melhorar o nível de capacidades de pensamento crítico e criativo destes futuros professores para que estes depois possam potenciar também as dos seus alunos.

Mas este fascínio é cada vez mais complexo e, em tempos como os que vivemos atualmente, de grande exigência e que requer crescentemente um trabalho colaborativo e coerente para que a formação possa resultar no perfil profissional estipulado.

Que grande conselho daria aos alunos?

Além das competências profissionais que desenvolveram ao longo da sua formação inicial devem potenciar outras, como as pessoais, entre as quais se relevam a confiança, o empreendedorismo e a resiliências às muitas dificuldades que vão encontrar, bem como competências sociais, especialmente relacionadas com formas de trabalhar e colaborar em grupo, quer presencialmente quer virtualmente.

Além disso a tomada de consciência da necessidade de formação ao longo da vida e os diferentes desafios que vão encontrar implicam que o trabalho deve ser encarado coletivamente envolvendo os profissionais do Ensino Especial, Psicólogos, Assistentes Sociais e, sempre que possível, toda a comunidade educativa.

Houve alguma turma que mais o tivesse marcado?

Não vou destacar nenhuma em específico até porque seria algo injusto para as já muitas turmas e grupos de estudantes com quem trabalhei e todas com pessoas excecionais. De qualquer modo as várias reações de surpresa de mestrandos sobre o conhecimento científico existente na área da Didática, no caso das Ciências, e modos de ensinar e aprender diferentes daqueles que tiveram enquanto alunos do ensino básico e secundário, são um indicador de que são identificadas as necessidades de mudanças. Isto apesar de na comunicação social se falar muito em constantes mudanças e inovações educativas, sabemos hoje da investigação que elas provavelmente, na maioria das salas de aulas, ainda não ocorreram! Ou seja, é sempre interessante verificar que os futuros professores reconhecem que, pese embora algumas mudanças curriculares, é necessário continuar a investir na mudança das práticas, com rigor e exigência, mas de forma fundamentada em investigação educativa que se tem relevado profícua, particularmente nas aprendizagens de qualidade dos alunos a Ciências desde os primeiros anos de escolaridade.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula?

Tento diversificar nas estratégias de ensino / aprendizagem que uso e nos recursos didáticos diversificados que os nossos laboratórios de ensino e de investigação, como o Laboratório Aberto de Educação em Ciências (LEduc), possuem. Por isso quase todos os anos procuro um isomorfismo na minha ação – que os estudantes da formação de professores vivenciem, sempre que possível e adequado, situações e propostas que se espera que também possam vir a desenvolver com os seus alunos – e que não se foquem só em conhecimentos científicos a memorizar. Ou seja, importa que promovam de forma articulada e integrada conhecimentos, capacidades de pensamento e atitudes/valores.

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