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Entrevistas
Antigo aluno UA - Samuel Freitas, licenciado, mestre e doutor em Engenharia Química
Regresso a Timor para liderar Faculdade de Ciências Exatas
Samuel Freitas
Foi o primeiro estudante timorense a completar em Portugal licenciatura, mestrado e doutoramento. Chama-se Samuel Freitas e chegou a Aveiro em 2001 e à Universidade de Aveiro (UA) em 2002 ao abrigo do protocolo de formação de estudantes timorenses assinado entre os governos de Timor-Leste e de Portugal. Licenciado, mestre e doutor em Engenharia Química, Samuel Freitas é desde fevereiro de 2015 decano (ou diretor) da Faculdade de Ciências Exatas da Universidade Nacional de Timor Lorosa’e (UNTL), uma instituição que a UA ajudou a criar e que abriu as portas ao futuro daquele país.

Sendo uma faculdade nova, criada em 2014 pela UNTL com o apoio técnico da UA e colocada em funcionamento neste ano letivo, descreve Samuel Freitas, “as limitações ao nível de infraestruturas e recursos humanos são desafios notáveis”. Assim, como decano, ou seja, diretor da nova Faculdade de Ciências Exatas, “presto sempre os meus serviços diários em prol da concretização bem sucedida da visão e missão da Faculdade, corrigindo gradualmente as limitações existentes e incentivando o empenhamento coletivo das pessoas da Universidade em torno da concretização das estratégias já formuladas para o desenvolvimento desta instituição”.

Sobre a casa onde Samuel Freitas trabalha, o antigo estudante conta apenas a bonita e auspiciosa história nascida da UNTL e justifica a criação da Faculdade de Ciências Exatas desta instituição. “A UNTL é a única universidade pública timorense criada no dia 17 de novembro de 2000 a partir da fusão da Universitas Timor Timur (1986 a 1999) e da Politeknik Díli (1990 a 1999) e tem a sua sede em Díli.

Enquanto instituição do Ensino Superior, a UNTL tem a visão de ser o Centro de Excelência para o Ensino Superior em Timor Leste reconhecida sobretudo pela qualidade de ensino e aprendizagem e pela excelência de investigação científica”. É com esta visão, “que todas as suas unidades orgânicas se organizam e trabalham.

A Faculdade de Ciências Exatas partilha esta visão estratégica da UNTL e foi criada propositadamente para responder à lacuna de produção e apropriação dos conhecimentos, ideias e atitudes das áreas de Ciências Exatas muito importantes para o desenvolvimento de ciência e tecnologia timorense”.

Sonho de estudar numa universidade internacional

Após concluir o Ensino Secundário, Samuel Freitas sempre pensou em estudar no estrangeiro. Acreditava que tinha a capacidade para frequentar uma universidade internacional mais competitiva e exigente. Do avô, com quem partilhava o sonho, ouviu um dia: “se queres a ciência vai para Portugal, se queres o dinheiro vai para Austrália”. As palavras que ouviu fizeram-no cimentar o desejo de ir para Portugal.

“Apesar de não saber na altura falar a língua portuguesa, queria muito estudar em Portugal. Felizmente esta minha pretensão foi realizada com a ajuda da bolsa de estudo que Portugal ofereceu aos 300 estudantes timorenses para frequentarem cursos superiores nas universidades portuguesas”.

Escolheu Química. A área científica já rondava há muito as suas aspirações. “Quando eu andava na escola secundária queria ser padre”, recorda. Mas, não conseguindo seguir essa vocação e ao gostar tanto da química, Samuel Freitas já planeava ser especialista desta área científica nas universidades ou nas indústrias químicas. “Quando cheguei à UA vi que havia ramos diferentes de Química. Após ouvir as opiniões de dois estudantes séniores do Departamento de Química da UA sobre as saídas profissionais dos cursos de Química e Engenharia Química, interessei-me por este último”, lembra.

Percurso exemplar repleto de boas recordações

Fez a Licenciatura, o Mestrado Integrado e o Doutoramento num percurso que terminou em 2013. “Este curso correspondeu bem às minhas expectativas, pois é muito importante para o desenvolvimento de Timor Leste sobretudo a partir do momento em que o plano nacional de desenvolvimento comece a dar mais atenção ao setor industrial”, afirma Samuel Freitas.

Quanto à UA, garante, “foi um privilégio estudar nesta instituição”. Hoje não tem dúvidas: “Estou feliz por ter feito todo o meu percurso académico aqui. Sempre fui bem tratado académica e socialmente. Nunca passei por dificuldades. A forma como a UA organiza e proporciona os seus serviços de apoio aos alunos também determina o sucesso de qualquer aluno aplicado”.

Das competências adquiridas na UA, Samuel Freitas destaca as técnicas, as organizacionais, as sociais, as informáticas e as linguísticas como as mais importantes. “Tudo o que apreendi na UA, desde a licenciatura até ao doutoramento, é fundamental para o exercício da minha atividade atual.

Por isso, mesmo sendo novato na UNTL, não me rendo aos desafios. Encaro-os sempre com o maior entusiasmo, pois eles nos ensinam que não podemos conquistar nada sem lutar”. Dos 12 anos de UA guarda imensas histórias que o marcaram. “Todos os momentos que passei, todos os colegas que eu conheci e amigos que tive, dentro e fora do complexo universitário de Aveiro, do mesmo curso ou não, independentemente do país de origem, foram importantes para mim”, reconhece.

“Através de apoios diversos, todos contribuíram para o sucesso da minha integração académica. Conheci muita gente durante os 12 anos que vivi em Aveiro e passei por diversos momentos felizes com pessoas diversas. Não me lembro de ter estado em situações prolongadas de desgosto, pois sempre havia soluções para os problemas que tive, vindas de amigos, professores ou colegas”, descreve o antigo aluno. Portanto, “viver na UA foi maravilhoso e, se pudesse, repetia”.

Samuel Freitas, entre as várias pessoas que lhe passaram pela vida enquanto estudante em Aveiro, destaca duas pessoas que o marcaram: “a Rosária Almeida (de Oliveira de Azeméis), que me ajudou muito nos anos da minha licenciatura, e o Professor João Coutinho (do Departamento de Química), que teve um papel importante nas minhas formações de mestrado e doutoramento”.

Nota: este artigo foi publicado na edição número 23 da revista Linhas.

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