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Arboreto da Mata Nacional do Buçaco está mais rico
Projeto BIO Somos Todos reforça Mata do Buçaco com árvores de coleção
Espécies oferecidas à MAta foram selecionadas pelos técnicos florestais da Fundação e pelos biólogos do Departamento de Biologia da UA
Meia centena de árvores exóticas de coleção foram esta semana entregues na Mata Nacional do Buçaco, para reforço do arboreto histórico, que tem vindo a ser depauperado por sucessivas intempéries. A iniciativa é do projeto BIO Somos Todos, coordenado pela bióloga da Universidade de Aveiro (UA) Milene Matos.

Fotínias originárias da China, árvores-de-fogo da Nova Zelândia, cedros do Líbano e Calycanthus dos Estados Unidos da América são apenas alguns exemplos das árvores com porte apreciável ontem entregues na Mata do Buçaco. Uma coleção de árvores de todo o Mundo foi encomendada e oferecida pelo projeto BIO Somos Todos, coordenado pela bióloga Milene Matos, investigadora do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro e vencedora do prémio Terre de Femmes nacional e internacional.

“A Mata do Buçaco integra habitats naturais com características únicas, que devem ser protegidos de sobremaneira, mas não podemos esquecer que cerca de 80 por cento da área da Mata é um arboreto histórico, pensado como uma coleção botânica de referência a nível europeu”, adianta a bióloga. “Enquanto que para florestar com árvores nativas a Fundação Mata do Buçaco tem já em curso diversos projetos, para repor o arboreto é muito mais difícil obter financiamento”, diz a responsável. Foi esta a causa que motivou a oferta, no sentido de contribuir para enriquecer o arboreto e repor a verdade botânica histórica do mesmo, que perdeu muitos exemplares únicos nas últimas décadas.

“Na senda da abertura da Mata à sociedade civil, trabalho no qual temos tido um forte reconhecimento, esta é uma parceria e uma oferta que muito nos apraz e que naturalmente procura dignificar e qualificar este espaço sem paralelo”, adianta António Gravato, presidente da Fundação Mata do Buçaco. “As espécies oferecidas foram criteriosamente selecionadas pelos técnicos florestais da Fundação e pelos biólogos do Departamento de Biologia da UA que estudam a biodiversidade da Mata há mais de 12 anos, garantindo-se o cuidado e rigor na introdução destes espécimes” e “serão plantadas numa ação de voluntariado em parceria com o BIO Somos Todos, e em que convidamos desde já todos os interessados a participar” conclui o António Gravato.

Cedro-do-líbano pela primeira vez na Mata

A espécie que inspirou os frades Carmelitas Descalços a plantar intensamente o cedro-do-buçaco na Mata entre 1628 e 1834, passará a existir também na Mata, pela primeira vez. Trata-se do cedro-do-líbano (Cedrus libani), uma espécie que foi muito abundante na Terra Santa e que apresenta algumas semelhanças com o cedro-do-Buçaco (Cupressus lusitanica). Sopunha-se a sua existência na Mata, mas estudos botânicos conduzidos pelo Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro têm determinado tratar-se de cedro-do-atlas (Cedrus atlantica) originário do norte de África, que partilha muitas afinidades com o cedro-do-líbano, sendo contudo uma espécie diferente.

Apesar da dificuldade em encontrar fornecedores para este tipo de árvores, já está encomendada uma segunda remessa. Trata-se de um “investimento muito significativo”, afirma a coordenadora do projeto BIO Somos Todos, mas “daqui a algumas décadas teremos novas árvores centenárias na Mata, que de outra forma talvez não fosse possível adquirir, perpetuando-se a identidade do arboreto”.

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