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Opinião
Carlos Pedro Ferreira, presidente da Associação de Antigos Alunos da UA (AAAUA)
Os desafios do futuro (in)certo
Carlos Pedro Ferreira
Perante os últimos acontecimentos de medo e terror na França, Carlos Pedro Ferreira, presidente da Associação de Antigos Alunos da UA, acende uma luz ao fundo do túnel. Em artigo de opinião o dirigente lembra que "as associações geram laços, permitem a discussão aberta e têm a capacidade de gerar ondas de solidariedade e criar lobbies positivos, integrar diferentes formas de olhar o mundo, encontrando uma forma harmonizada de ações a tomar".

2016 será o ano das surpresas, depois de 3 anos de sacrifícios, instabilidades e incertezas, mostra-nos hoje, novembro, que o mundo global é capaz de nos trazer sempre novos desafios.

E um dos desafios que nos traz, é que é sempre possível as coisas serem ainda mais diferentes que aquilo que poderíamos julgar, o país ser ainda mais incerto, o futuro mais brilhante ou nublado que o passado recente, e o mundo Globalizado, que se queria justo ser cada vez mais desigual. Mas nós podemos fazer a diferença e ser parte ativa da solução, para inverter esta tendência.

Diariamente somos confrontados com massacres massivos de inocentes, dizemos, mas também não será verdade, nunca há verdadeiros inocentes nem totalmente culpados, tirando obviamente as crianças. A inação pode e de ser punida e eventualmente ser crime.

Quantos verdadeiros inocentes estiveram envolvidos num massacre como o de Paris, ou quantos culpados efetivamente lá estavam e são “inocentes ou inimputáveis”.

Não sei, mas estou certo que existiram “inocentes” com culpa e “culpados” com desculpa e vítimas de atrocidades. E este é o problema do mundo globalizado onde vivemos, onde os interesses económicos se sobrepõem a tudo, a curto prazo, o desejo de controlo dos recursos naturais e energéticos, o desejo de alimentar a indústria de armamento leva necessariamente e inevitavelmente a conflitos de difícil resolução.

Mas tudo tem solução, mas não passa por marchas e por bandeiras de França, que também pus no facebook, nem por discursos de que estamos em guerra e os culpados serão punidos de forma exemplar.

Quais culpados, e de que forma se pune de forma exemplar, se falarmos nos supostos culpados que estão na ordem do dia?

Se falarmos dos verdadeiros culpados, porque tudo tem uma origem, o ocidente, é impossível, porque não nos vamos auto infligir castigos e punições, mas podemos fazer um exame de consciência, com reflexão profunda das nossas ações e suas consequências.

Se minha análise estiver incorreta é difícil de punir quem não tem medo do castigo, está legitimado pela proteção divina verdadeiramente, e se sente diariamente discriminado e atacado e com razão. Discuto e desaprovo obviamente os métodos, mas gostaria de saber quais os métodos alternativos de reivindicação contra todos os massacres que são alvo estas pessoas, para se fazerem ouvir e respeitar, quando já se perdeu tudo?

Eu sei que o politicamente correto é a diplomacia e a caneta, mas desde que me lembro, miúdo que a minha infância foi povoada com os telejornais do canal 1 da RTP com a guerra do Líbano, depois Irão, Iraque, a Líbia, Ira Contras, etc, etc.

E hoje sabemos como foram fabricadas estas guerras e os seus motivos menos nobres.

No ocidente estes ataques são de vez em quando e são felizmente uma “exceção”, por isso são notícia e nos choca, do outro lado é o dia a dia, e já não choca nem os de cá nem os de lá, faz parte da vida.

E este é o grande problema, não pode fazer parte da vida a injustiça, nem vidas com preços diferentes, onde um animal pode ter mais direitos que um ser humano, onde um discurso sem consequências nem a curto ou médio prazo pode acalmar um povo.

Um Mundo que de Globalizado só tem o nome, onde as intenções são meras palavras não irá a lado nenhum, mas também se pode perguntar se efetivamente se quer ir no caminho da igualdade ou este sistema é o perfeito para os interesses instalados.

Todos teremos que mudar, ser solidários, menos preconceituosos e aceitar regras justas. Espero que o bom senso impere, que o passado nos sirva de lição que este não é o caminho e que o associativismo tenha cada vez mais adeptos.

As associações geram laços, permitem a discussão aberta e têm a capacidade de gerar ondas de solidariedade e criar lobbies positivos, integrar diferentes formas de olhar o mundo, encontrando uma forma harmonizada de ações a tomar.

A AAAUA pode ajudar, mas não resolve sozinha nada. Tem os seus problemas, que está a tentar resolver, mas para isso necessita da vossa colaboração. Sem associados ativos a associação transforma-se lentamente num monumento. Andamos todos demasiado preocupados connosco mesmo, com o nosso pequeno quintal e não percebemos o potencial da nossa união para ajudar a  resolver problemas globais.  

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