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Distinções
Investigação de Pedro Cunha do Departamento de Física
Prémio Gulbenkian para projeto da UA sobre Sombras de Buracos Negros
O investigador premiado Pedro Cunha
Se tirar uma fotografia a um buraco negro o que ficará registado na imagem? Uma mancha escura chamada “sombra” e que, contrastando com a luz envolvente emitida por objetos celestes, corresponde a uma impressão digital das propriedades do buraco negro. Na Universidade de Aveiro (UA) Pedro Cunha tem estudado as sombras dos buracos negros com ‘cabelo’, uma espécie distinta dos buracos negros convencionais e que foi descoberta em 2014 por investigadores do Departamento de Física. Garante o investigador que, para além do ‘penteado’, também as sombras destes buracos podem ser muito diferentes das dos tradicionais. O trabalho de Pedro Cunha acaba de ser premiado na edição de 2015 do Programa de Estímulo à Investigação da Fundação Calouste Gulbenkian.

Este prémio, aponta o estudante de doutoramento do Departamento de Física (DFis), e que desenvolve também o seu programa de trabalhos no Instituto Superior Técnico, “é uma excelente oportunidade para continuar a desenvolver este trabalho e divulgar resultados interessantes de física de buracos negros” para o público em geral. “É com muito gosto que constato que este tema continua a ser apreciado e valorizado”, congratula-se Pedro Cunha, investigador integrado na unidade de investigação CIDMA – Centro de Investigação e Desenvolvimento em Matemática e Aplicações da UA. 

Mas, afinal, do que se fala quando o assunto são sombras de buracos negros? O investigador explica: “Como os buracos negros, classicamente, não deixam escapar nada do seu interior, nem mesmo a luz, numa suposta fotografia que se lhes tire obtém-se uma mancha escura na imagem, contrastando com a luz de fundo emitida por estrelas longínquas ou por matéria circundante”. À mancha os cientistas deram o nome de sombra e esta constitui uma assinatura das propriedades do buraco.

“A análise da sombra é importante em astrofísica pois encontra-se em curso um projeto mundial denominado Event Horizon Telescope cujo objetivo é observar diretamente a sombra do buraco negro no centro da nossa galáxia”, explica Pedro Cunha que antevê que na próxima década os respetivos astrofísicos tenham já em mãos dados experimentais. “Será depois fundamental compará-los com diferentes modelos teóricos, para compreender o que estamos a ver”, diz.

Em 2014, Carlos Herdeiro e Eugen Radu, investigadores do Departamento de Física da UA, publicaram um artigo na prestigiada Physical Review Letters que apontava para um novo tipo de buracos negros que desafiam a visão simples, segundo a qual os buracos negros são caracterizados por apenas duas propriedades: massa total e quantidade de rotação.

Os investigadores do grupo Gr@v da academia de Aveiro – um grupo de cientistas que se dedica à física gravitacional no contexto da astrofísica, da cosmologia e da física de altas energias - anunciavam então a descoberta de um mecanismo que permite a alguns tipos de matéria originarem uma nova espécie de buracos negros que, ao contrário dos tradicionais, têm ‘cabelo’. 

Recorde-se que da UA, Diana Costa, do Departamento de Matemática, e Rita Bastos, dos departamentos de Física e de Engenharia Electrónica e Telecomunicações, também conquistaram o mesmo Prémio entregue pelo programa da Gulbenkian que distingue anualmente propostas de investigação de elevado potencial criativo em áreas científicas no âmbito da Matemática, Física, Química e Ciências da Terra e do Espaço, apoiando a sua execução em centros de investigação portugueses.

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