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Marina Cunha, bióloga da UA, entre os autores do documento
Relatório europeu pede mais investigação do mar profundo
Investigação na área do Mar é uma das grandes apostas da UA
Elaborado por um grupo de cientistas, incluindo Marina Cunha, bióloga da Universidade de Aveiro (UA), o relatório intitulado “Ir mais Fundo: Desafios Cruciais da Investigação do Mar Profundo no Século XXI” identifica as prioridades para a investigação do mar a profundidades superiores a 200 metros com o objetivo de se reforçar a gestão e a exploração futura dos seus recursos vivos e não-vivos. Pedido pelo European Marine Board (EMB), o relatório foi lançado dia 1 de setembro, no 14º Simpósio da Biologia do Mar Profundo, que está a decorrer em Aveiro.

O documento de 225 páginas foi realizado por um grupo multidisciplinar de investigadores europeus de diferentes áreas incluindo as ciências naturais, a economia e o direito, que se uniram para avaliar o panorama atual da investigação e investimento sobre o mar profundo na Europa. Entregue ao EMB, fundado em 1999 e representando atualmente 36 organizações de 19 países e trabalhando também em associação com a European Science Foundation, a apresentação do documento decorreu num evento paralelo ao Simpósio que, organizado pela UA, reúne em Aveiro até 4 de setembro mais de 400 cientistas de todo o mundo em redor do maior ecossistema da Terra, o fundo do mar.

Apesar do mar profundo ser considerado remoto e inacessível, o interesse comercial da sua exploração está a aumentar devido a fatores económicos e ao desenvolvimento tecnológico. No entanto, as atividades de exploração no mar profundo continuam a ser altamente controversas, particularmente em relação aos potenciais riscos e impactos ambientais associados a tais atividades.

A consulta a stakeholders relacionados com o mar profundo entre os quais universidades, indústrias e ONGs, permitiu identificar lacunas no conhecimento básico dos sistemas do mar profundo mas, caso estas não sejam ultrapassadas, a gestão baseada nos ecossistemas do mar profundo poderá ser prejudicada e, por sua vez, limitar a sustentabilidade da economia azul emergente.

Os resultados desta análise estão agora publicados no novo documento do EMB que explora a incompatibilidade entre a crescente procura e capacidade de explorar os recursos do mar profundo, a falta de conhecimento científico e de um quadro regulamentar, capaz de gerir eficazmente essa vasta área, na qual grande parte se encontra em áreas fora da jurisdição nacional.

“A falta de dados de referência para os ecossistemas do mar profundo identificado pelo relatório tem uma relação direta com o processo de Avaliação de Impacto Ambiental”, refere Alex Rogers, autor e presidente do grupo de trabalho “Investigação do Mar Profundo” do EMB. O cientista alerta: “Sem a realização de esforços contínuos para produzir a ciência básica subjacente, a regulação e governação do mar profundo, este documento permanecerá um exercício em papel, em vez de levar a uma tomada de decisão baseada no conhecimento. Os nossos resultados demostram que todos reconhecem a necessidade disto desde da ciência à indústria".  

Poderá ser efetuado o download do relatório aqui

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