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Ensino e Formação
Workshop de Verão da Fundação Mata do Bussaco em parceria com o DECivil e a Câmara da Mealhada
Técnicas tradicionais para intervenção em edifícios históricos
Trabalhos decorreram na Ermida de S. Jos¿¿
A Fundação Mata do Bussaco (FMB) em parceria com o Departamento de Engenharia Civil (DECivil) da Universidade de Aveiro (UA) e a Câmara Municipal da Mealhada organizaram o primeiro Workshop de Verão, intitulado “Técnicas tradicionais para intervenção em edifícios históricos”, na Mata do Buçaco, enquadrado no ciclo de eventos: Seminário de Património Edificado do Buçaco / Workshop Técnicas tradicionais para intervenção em edifícios históricos.

O Workshop iniciou no dia 20 de julho, com a sessão de abertura marcada pela presença de António Gravato, presidente da FMB, Carlos Fonseca, representante da UA, e em representação da comissão organizativa o arquiteto Filipe Teixeira, da FMB, e Ana Velosa, do DECivil, um departamento que, já a partir do próximo ano letivo terá como nova oferta formativa a Licenciatura em Reabilitação do Património que visa colmatar uma lacuna de formação na área da reabilitação do património edificado, preparando profissionais para um setor do mercado de trabalho em crescimento.

Depois da receção de boas-vindas aos 15 formandos, foi a vez das apresentações individuais da cada um onde foi possível perceber a diversidade de regiões nacionais representadas, contando também com dois participantes brasileiros, e a variedade das diversas áreas do conhecimento ali presentes, desde arquitetos a conservadores/restauradores e mesmo advogados e empreiteiros, e ainda alunos universitários.

O Curso de Verão, com uma forte componente prática, reuniu formadores de diversas áreas nomeadamente o arquiteto Filipe Teixeira da FMB, na área da história de arte e arquitetura paisagista, Alexandre Costa e Tiago Ílharco conservadores/restauradores da empresa NCREP, Ana Velosa e Luís Mariz do DECivil, Luís Domingos, mestre de obra da empresa Aldeias de Pedra e Pedro Lourenço da empresa Umbelino Monteiro.

A história da presença Carmelita na Mata do Buçaco, foi o primeiro tema a ser abordado, incluindo uma visita à Mata. Durante uma semana os formandos tiveram a oportunidade de saber mais sobre as características formais e materiais das construções da Mata do Buçaco, compreender a ação dos agentes de degradação nas construções antigas e saber os principais princípios éticos que devem ser aplicados em intervenções em edifícios históricos.

As aulas práticas, que incidiram na Ermida de São José, iniciaram com a remoção dos rebocos não funcionais, a limpeza total do interior da Ermida e a eliminação das barras de ferro (colocadas de forma errada anteriormente) que serviam para encerramento das janelas. De seguida foi aplicada as várias argamassas de recuperação de alvenarias antigas e foram colocados os novos elementos estruturais no interior da Ermida. A consolidação / restauro da estrutura exterior da abobadilha, a reconstrução dos tetos (que colapsaram com a queda das arvores em 2013), com madeira proveniente da Mata, e a aplicação da cortiça (removida anteriormente e mais tarde reutilizada) foram os passos seguintes.

Já próximo do fim do curso, os técnicos da empresa Umbelino Monteiro produziram uma maquete à escala da cobertura da ermida para melhor perceber a solução apresentada por eles. Esta cobertura foi uma oferta da empresa tendo sido utilizada a telha Bussaco criada em específico para o património edificado da Mata.

O último trabalho prático consistiu no caiamento com pigmento ocre no exterior nos alçados nascente e poente e áreas interiores, e o pigmento óxido de ferro para os rodapés no exterior nos alçados nascente e poente.

No final da semana, apesar do empenho e do programa rigoroso não foi possível concluir a parte que cabia aos formandos. Estando previsto a continuação dos trabalhos pela equipa de manutenção e gestão do património da FMB, até meados do mês de agosto para finalização dos trabalhos.

O balanço final do curso é muito positivo pelos testemunhos dos formandos que já iniciaram um grupo de trabalho em rede permitindo que os conhecimentos adquiridos no curso e os contactos prossigam. Será ainda colocado um painel interpretativo junto à Ermida contextualizando os trabalhos ali efetuados e uma referência a cada um dos envolvidos, desde organização, formadores, patrocinadores e formandos.

Durante a semana foram vários os visitantes e turistas que abordaram o grupo mostrando-se agradados com a iniciativa e outros até com vontade de ajudar. Registaram-se também os testemunhos de visitantes que analisavam com preocupação os efeitos do Gong mas que viam com satisfação o trabalho de recuperação a acontecer.

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