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Distinções
Trabalhos de Sílvia Oliveira e Cláudia Rocha do Departamento de Química
Investigadoras da UA vencem Prémio António Xavier 2015
As investigadoras premiadas Cláudia Rocha e Sílvia Oliveira
O Prémio António Xavier de 2015 foi atribuído ex-aequo aos trabalhos de Sílvia Oliveira e Cláudia Rocha, investigadoras da Universidade de Aveiro (UA). O diagnóstico e previsão de patologias da grávida, feto e recém-nascido, através da análise da urina materna e do bebé, e o estudo metabolómico de tecidos e biofluídos humanos para caraterizar a assinatura metabólica do cancro do pulmão foram os trabalhos contemplados pelo galardão instituído pelo Grupo Bruker. Este tem por objetivo premiar teses de doutoramento que se evidenciem nos domínios da Ressonância Magnética Nuclear, Imagem por Ressonância Magnética ou Ressonância Paramagnética Electrónica.

“O trabalho explorou a aplicabilidade da metabolómica de urina materna e do bebé para o diagnóstico e previsão de patologias da grávida, feto e recém-nascido”, explica Sílvia Oliveira, autora da tese premiada intitulada “Doenças da gravidez e do bebé estudadas por metabolómica de urina”.

Durante o trabalho orientado por Ana Gil, docente no Departamento de Química e do CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro da UA, e por António Barros, Investigador da Unidade de Investigação QOPNA, foram analisadas amostras de urina de grávidas, recolhidas durante a gestação, e dos bebés, recolhidas nos primeiros dias de vida, através de espectroscopia de ressonância magnética nuclear (RMN). Os espectros de RMN foram posteriormente sujeitos a análise multivariada e os modelos validados através do método de Monte Carlo.

No âmbito do trabalho de Sílvia Oliveira foi ainda desenvolvido um novo método de seleção de variáveis que permitiu reduzir a variabilidade e aleatoriedade inerente ao carácter complexo do espectro de urina, desenvolver modelos estatísticos robustos e preditivos e extrair potenciais assinaturas metabólicas associadas a cada processo patológico.

Este trabalho, explica a investigadora, “permitiu demonstrar o potencial da metabolómica de urina como método não-invasivo para o acompanhamento pré-natal e do bebé, justificando-se assim a elevada relevância e pertinência desta investigação como um passo importante para o melhoramento dos sistemas clínicos de acompanhamento da gravidez e do recém-nascido”.

Avançar no conhecimento do cancro do pulmão

Cláudia Rocha, autora do também premiado “Assinatura metabólica do cancro do pulmão: estudo metabolómico de tecidos e biofluidos humanos” partiu do pressuposto, hoje amplamente aceite, de que a reprogramação metabólica das células tumorais é um dos fatores chave no desenvolvimento e progressão dos tumores malignos. A partir daí, explica,  “este trabalho investigou o metabolismo alterado do cancro do pulmão, tendo em vista a melhor compreensão bioquímica da doença e a identificação de novos marcadores metabólicos com potencial valor diagnóstico”.

Orientada por Iola Duarte, investigadora do Departamento de Química e do CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro da UA, foca-se na aplicação da metabolómica ao estudo de tecidos e biofluidos humanos (plasma sanguíneo e urina) com vista à caracterização da assinatura metabólica do cancro do pulmão.

Através da colaboração com uma equipa multidisciplinar da Faculdade de Medicina e dos Hospitais da Universidade de Coimbra, aponta Cláudia Rocha, “foi possível ter acesso a centenas de amostras de doentes num estado inicial da doença e caracterizar os seus perfis metabólicos, comparando-os com os de pessoas saudáveis”.

Para este efeito, utilizou-se essencialmente a espectroscopia de RMN, aliada a métodos de análise estatística multivariada - uma abordagem designada por metabolómica. “Um dos resultados importantes foi a identificação de várias alterações no tecido tumoral, em relação ao tecido pulmonar normal, e a dependência destas alterações do tipo histológico dos tumores”, aponta. Outro resultado muito promissor, sublinha a investigadora, “foi a deteção de um conjunto de metabolitos alterados no sangue e na urina dos doentes, revelando uma assinatura metabólica potencialmente detetável numa fase precoce da doença e de forma minimamente invasiva”.

Globalmente, este trabalho permitiu obter uma visão integrada das alterações metabólicas que caracterizam o cancro do pulmão tanto a nível local, como a nível sistémico. Para além de se confirmarem desvios metabólicos típicos desta patologia, como a intensificação da glicólise e da glutaminólise, identificaram-se também alterações em vias menos conhecidas, fornecendo novas pistas com potencial impacto no rastreio, diagnóstico e terapia da doença.

O Prémio António Xavier foi criado em 2006 pela empresa alemã Bruker, a maior produtora de instrumentos de NMR, em homenagem ao cientista português e fundador do Instituto de Tecnologia Química e Biológica e ao seu papel na implementação da Ressonância Magnética em Portugal.

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