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Entrevistas
João Miguel Dias, diretor do Departamento de Física da UA
Física: mais envolvimento da comunidade, prioridade ao Ensino e nova oferta formativa
João Miguel Dias pretende reorganizar o Departamento de Física
Uma nova organização do Departamento, novos mestrados, melhores condições de ensino, mais alunos com resultados superiores são alguns dos objetivos que movem o novo diretor do Departamento de Física (Fis) da UA. João Miguel Dias eleva a fasquia numa altura em que o Departamento já tem "uma posição de destaque tanto a nível nacional, onde é o único que integra uma unidade de investigação excecional e três excelentes, segundo a recente classificação da FCT, como internacionalmente, facto demonstrado pelos recentes prémios e as publicações frequentes em revistas de grande fator de impacto".

Quer destacar e explicar, sucintamente, duas prioridades do seu programa de candidatura?

Uma das prioridades do meu plano de candidatura consiste na implementação de uma nova estrutura organizacional da unidade orgânica que pretendo que promova um maior envolvimento dos seus membros acompanhada da delegação de competências e correspondente responsabilização; uma segunda prioridade consiste em dedicar um maior esforço à componente do Ensino, que em minha opinião é a primeira missão da Universidade, através da melhoria da qualidade dos equipamentos laboratoriais e da lecionação, captação de mais e melhores estudantes e diminuição das taxas de abandono escolar.

Afirma, no plano de ação que, na sua candidatura, a “principal motivação consiste em contribuir para reforçar a posição do DFis a nível nacional e internacional”. Identifique duas ou três medidas fundamentais para atingir estes objetivos.

Do ponto de vista da Investigação os vários indicadores analisados mostram que o Fis tem presentemente uma posição de destaque tanto a nível nacional, onde é o único que integra uma unidade de investigação excecional e três excelentes segundo a recente classificação da FCT, como internacionalmente, facto demonstrado pelos recentes prémios e as publicações frequentes em revistas de grande fator de impacto. Consequentemente, a prioridade passa por reforçar a sua posição nas vertentes do Ensino, Transferência de Tecnologia e Cooperação com a Sociedade. Neste âmbito, pretendo promover a revisão da oferta formativa do Fis, que se pretende possa atrair um maior número de estudantes nacionais e internacionais e, simultaneamente, dar resposta às necessidades da sociedade, considerando que, segundo dados da Direção Geral do Ensino Superior para o ano de 2014, a taxa de empregabilidade na área da Física é a quarta mais elevada do Ensino Superior (96.4 por cento). Pretendo ainda fomentar o aproveitamento das oportunidades de financiamento no âmbito do Portugal2020 no sentido de dinamizar a cooperação com a indústria e a transferência de conhecimento e tecnologia para a sociedade, assim como impulsionar o desenvolvimento de atividades que promovam uma maior aproximação à população da cidade de Aveiro e à sociedade em geral, nomeadamente através do desenvolvimento de formação para públicos diferenciados e organização de atividades de divulgação da Física.

Fala em “promover a evolução da cultura organizativa do Fis para uma realidade organizacional de proximidade”. Que entende como “realidade organizacional de proximidade”? Também pretende “contratualizar um novo Acordo Programático” com o Reitor. Que gostaria de ver neste “novo Acordo Programático”?

Entendo o desenvolvimento de um novo organigrama que implique o envolvimento de um maior número de membros do Fis nas estruturas de decisão, assim como o aumento do fluxo de informação entre a Direção e todos os membros possibilitando que todos estejam informados e possam contribuir para a definição das estratégias a seguir. Deste modo pretendo criar condições para que todos possam participar na tomada de decisão e estejam informados sobre as medidas de gestão.

Relativamente ao novo Acordo Programático não se trata propriamente de uma pretensão, mas sim de uma obrigação decorrente da implementação do Plano de Atividades da Universidade. Nesse sentido gostaria que deste resultasse o estabelecimento de metas realistas nas várias vertentes da missão do Fis que considerem as suas especificidades e da área da Física, considerando uma exigência elevada na área da investigação e captação de receitas próprias, vertentes onde a unidade orgânica tem possibilidade de efetuar um desempenho de excelência. Em contrapartida, gostaria de reforçar o orçamento de funcionamento e massa salarial atribuídos à unidade orgânica, possibilitando um maior investimento nos equipamentos laboratoriais de ensino e a abertura de concursos para promoção na carreira docente, promovendo o mérito de vários docentes que têm currículos de referência a nível nacional e que têm as suas carreiras estagnadas.

Outra das medidas referidas é: “Rever a oferta de 1º e 2º ciclo em Física, apostando na diferenciação, em vertentes tecnológicas exploráveis pelo tecido empresarial e na transferência de conhecimento”. Em que sentido é que deve ser revista esta oferta? Novos cursos? Quais? Em que sentido a oferta formativa deve ir ao encontro das necessidades da economia?

Existem diversas estratégias em exploração e implementação para revisão da oferta formativa de ambos os ciclos, e que têm em consideração a atual oferta e a dificuldade atualmente reconhecida de captação de estudantes, e que pretendem explorar a colaboração com outras unidades orgânica da UA, assim como as várias vertentes de excelência departamental, de forma a promover a transferência dos resultados da investigação científica para a intervenção pedagógica. Neste âmbito, e em resultado da estratégia definida em candidatura, foi já proposta a fusão dos atuais mestrados em Meteorologia e Oceanografia Física e em Ciências do Mar e das Zonas Costeiras num novo mestrado em Ciências do Mar e da Atmosfera (em colaboração com os Departamentos de Ambiente e Ordenamento, Biologia, Química e Geociências). Foi ainda proposto um novo mestrado em Nanoengenharia e Sustentabilidade que integra também os Departamentos de Engª de Materiais e Cerâmica, de Engª Mecânica e de Química, incluindo também a colaboração docente/laboratorial do INL em Braga e a futura associação com as Universidades de Aalborg, Gent e São Paulo no âmbito de uma candidatura Erasmus +. Está também em fase de elaboração de proposta uma nova formação de mestrado integrado na área da Biomedicina, liderada pelo Fis e em colaboração com outras unidades orgânicas da universidade. De realçar ainda que o Fis tem este ano em processo de acreditação as suas formações, pelo que este processo será aproveitado para realizar alguns ajustes de conteúdo, e eventualmente de designação, com especial atenção à licenciatura e mestrado em Física.

Em todos os casos referidos estão a ser consideradas as atuais taxas de empregabilidade da área de formação e as necessidades da sociedade e da economia local e nacional, no sentido de serem propostos planos de estudos que confiram aos diplomados as competências necessárias para acederem ao mercado de emprego em condições vantajosas, contribuindo para suprirem as necessidades de formação qualificada e promovendo o desenvolvimento económico nas áreas identificadas.

Como aumentar o “esforço de captação de estudantes para o 3º ciclo” e “aumentar o nº de projetos/dissertações realizados em empresas e promover a realização de projetos/dissertações com o objetivo de resolução de problemas empresariais”?

Pretende-se aumentar a captação de estudantes de 3º ciclo através de uma maior divulgação da excelência da investigação realizada na unidade orgânica (recordo que segundo a classificação da FCT integra uma unidade de investigação excecional e três excelentes), e principalmente da exploração do potencial de atratividade de três programas doutorais financiados pela FCT, com a consequente disponibilidade de atribuição de bolsas de doutoramento aos melhores candidatos.

Entendo também como essencial aumentar a aproximação ao tecido empresarial, fomentando a transferência de resultados da investigação para a indústria, utilizando como motor a realização de projetos/dissertações em colaboração preferencialmente com empresas da região. Neste âmbito têm vindo a ser estabelecidos diversos contactos no sentido de assegurar a realização de projetos ou dissertações em empresas tirando partido das redes de investigação já estabelecidas com a indústria, que têm sido particularmente bem-sucedidos no caso do mestrado integrado em Engenharia Física e também do mestrado em Meteorologia e Oceanografia Física. No caso de empresas mais distantes geograficamente ou na impossibilidade dos estudantes efetuarem os seus trabalhos em meio empresarial devido a incompatibilidade do seu horário escolar, pretende-se aprofundar esta relação no sentido de propor aos estudantes temas de projeto ou dissertação que constituam desafios definidos em colaboração com a indústria.

Que proposta avança para reforçar a UA como universidade de referência internacional?

Em minha opinião a UA já é, atualmente, uma universidade referência internacional em algumas áreas, nomeadamente das Ciências e Tecnologias. Mas obviamente que existe ainda um longo caminho a percorrer para consolidar esta realidade e alargá-la a um maior números de áreas, mas que apenas poderá ser bem-sucedido com o esforço e empenhamento de toda a comunidade. Neste âmbito, entendo que o maior esforço deverá ser efetuado a nível superior, através da implementação das diversas soluções apresentadas e defendidas pelo Reitor. Claro que as unidades orgânicas têm também responsabilidades nesta matéria, destacando pela sua oportunidade temporal a realização de escolas de verão, que poderão ser integradas nos programas doutorais e potenciar a atratividade da região de Aveiro, contribuindo para atrair jovens investigadores internacionais à UA e para publicitar o nome da instituição internacionalmente.

Quer desvendar uma atividade que habitualmente realiza, para além do trabalho académico, e que o ajuda a recarregar as “baterias”?

Existem diversas atividades que gosto de realizar, mas que infelizmente acabo por não concretizar com a frequência desejada por limitações de tempo e também físicas. Destaco atividades relacionadas com a prática desportiva, nomeadamente a realização de passeios de bicicleta pela região, assim como idas à praia em períodos de bom tempo.

 

João Miguel Dias

Desempenhou as funções de diretor curso das licenciaturas em Meteorologia, Oceanografia e Geofísica e em Ciências do Mar, foi membro do Conselho Pedagógico da Universidade de Aveiro onde integrou a Comissão Permanente para a Avaliação e Qualidade Pedagógica, e é atualmente Membro da Estrutura de Coordenação do Grupo UA – Ria de Aveiro e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Oceanografia (APOCEAN).

É membro do laboratório associado Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e líder e fundador do Núcleo de Modelação Estuarina e Costeira (NMEC). É editor das Revistas Plos One, Frontiers in Marine Science, British Journal of Applied Science & Technology, International Journal of Water Sciences e International Journal of Oceans and Oceanography, e revisor de artigos científicos para mais de 30 jornais internacionais. É autor/coautor de mais de 110 artigos publicados em jornais listados no Web of Science, coordenou/participou em vários projetos de investigação e prestações de serviços nacionais e internacionais, e é consultor da Administração do Porto de Aveiro. Foi membro de painéis de avaliação de projetos I&D nacionais e internacionais, financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), Agence Nationale de la Recherche (ANR - França), Netherlands Organisation for Scientific Research (NWO - Holanda), Université de Toulose (França) e National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA).

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