conteúdos
links
tags
Investigação
Investigação de Ana Luísa Ferreira, estudante do Mestrado em Biologia Aplicada – Ramo em Ecologia, Biodiversidade e Gestão de Ecossistemas
DBio analisa a forma como os habitantes de Aveiro vêem os pombos da cidade
Ana Luísa Ferreira analisou a forma como convivem os aveirenses com os pombos
A construção e expansão das cidades diminuem a diversidade de animais enquanto promovem o aumento da densidade das espécies mais bem adaptadas ao ambiente urbano. É o caso dos pombos da cidade de Aveiro. E de que forma olha a população para estas aves? Como ‘ratos do céu’ e focos infecciosos ou como oportunidades para contactar com a natureza? Ana Luísa Ferreira, estudante de biologia da Universidade de Aveiro (UA), saiu para as ruas da cidade para dar resposta a estas e a outras questões sobre a relação entre os aveirenses e os pombos com os quais, cada vez mais, partilham os espaços urbanos.

Entre as mais de quatro centenas de pessoas entrevistadas durante o trabalho de Ana Luísa Ferreira, no âmbito da dissertação do Mestrado em Biologia Aplicada – Ramo em Ecologia, Biodiversidade e Gestão de Ecossistemas,  65 por cento considerou que a quantidade de pombos não lhes é indiferente e acham na sua grande maioria que contribuem para o bom ambiente da cidade.

“Apesar da maior parte da população entrevistada não considerar os pombos 'ratos do céu', 85,3 por cento concorda na necessidade de controlar a sua população”, aponta a estudante. “Dos problemas detetados em Aveiro relacionados com pombos, questões ligadas à saúde são as mais valorizadas. As soluções que impliquem a eliminação dos pombos são descartadas, uma vez que existe uma ligação emocional com os mesmos, trazendo benefícios sociais e psicológicos”, concluiu Ana Luísa Ferreira.

De uma forma geral, diz, “os aveirenses, tanto os residentes em Aveiro, como os que aí trabalham, apreciam bastante a presença de aves na cidade”. As aves são mesmo vistas “como parte do património natural da cidade e constituem uma inegável fonte de prazer, tanto visual como auditivo”.

A maior conclusão que este trabalho permitiu retirar, aponta Ana Luísa Ferreira, “é que a preocupação com a dimensão da população dos pombos não é exclusiva das pessoas que tiveram problemas com estas aves, que ela é consensual em todos os grupos entrevistados e em todas as faixas etárias e que o controlo dos pombos é fundamental”. Contudo, “as soluções mais radicais de eliminação das aves são descartadas, porque existe uma relação afetiva com os pombos na cidade, são vistos como parte integrante dela, dos seus espaços públicos e espaços verdes”.

O trabalho da estudante torna evidente que intervenções de reabilitação urbana, informação de interdição de alimentação e criação de espaços próprios para estas aves em zonas adequadas (espaços verdes, parques, etc.) surtiram efeitos positivos, significativos e duradouros na resolução do problema que é o aumento no número de pombos na cidade. “Estas são as soluções de maior consenso entre a população aveirense devendo, na nossa opinião, continuar a ser aplicadas”, conclui Ana Luísa Ferreira.

imprimir
tags
outras notícias