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Investigação
Ricardo Correia, do Mestrado em Engenharia Geológica, vai ajudar a desvendar segredos dos mantos do gelo
Estudante da UA embarca em expedição internacional à Antártida
A investigadora Caroline Lavoie do GEO, especialista em ciências polares, e Ricardo Correia
As malas já estão feitas. Para além das roupas quentes (muito quentes!), na bagagem do Ricardo Correia já está acomodada uma grande dose de ansiedade. Não é para menos. O estudante de Engenharia Geológica da Universidade de Aveiro (UA) prepara-se para embarcar naquela que será, certamente, uma das viagens que lhe ficará na memória para sempre. De 24 de março a 3 de maio, o Ricardo estará a bordo do navio científico Nathaniel B. Palmer que irá navegar ao sabor das principais de correntes de gelo na plataforma continental do leste da Antártida.

A expedição científica internacional, com a ajuda do Ricardo, quer recolher dados para perceber se, de fato, a reação dos grandes mantos de gelo locais face às alterações climáticas estão a ter impacto no nível do mar, nas correntes oceânicas e nos ecossistemas do planeta.

Composta na sua maioria por investigadores americanos e australianos, coordenados por Frank Nitsche, da unidade de investigação Lamont-Doherty Earth Observatory da Universidade de Columbia (EUA), os cientistas vão recolher informações acerca da plataforma continental adjacente com o Manto de Gelo da Antártida Este, nomeadamente sobre o passado e o presente da dinâmica do gelo, extensão máxima de gelo, e direção de fluxo de paleo-correntes de gelo, através da recolha e análise de dados batimétricos de elevada resolução.

Métodos acústicos que revelam a morfologia do fundo marinho serão um dos principais instrumentos dos cientistas para revelar os segredos dos manos de gelo.

“Adquirir medições de coluna de água, nomeadamente temperatura e condutividades em função da profundidade nas zonas proximais da Talude Continental ao longo da região em estudo, para identificar a presença de águas com temperaturas que possam contribuir para condições de degelo”, descreve Ricardo Correia, é outro dos grandes objetivos da expedição que, no dia 24 de março levanta a âncora do Porto de Hobart, na Tasmânia, em direção ao extremo sul do planeta.

Posteriormente, com base nas informações recolhidas, os cientistas vão testar a hipótese de que as instabilidades do Manto de Gelo da Antártida Este verificadas atualmente podem estar relacionadas com condições morfológicas da plataforma continental. Um cenário que, a acontecer, pode estar a facilitar a intrusão de águas com temperaturas que possam acelerar o processo de degelo, como foi verificado em estudos prévios na região do Manto de Gelo da Antártida Oeste.

A bordo do navio do programa polar americano NSF-USAP Nathaniel B. Palmer, Ricardo Correia, estudante do 1º ano de Mestrado no Departamento de Geociências e membro do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), terá como missão “auxiliar no processamento dos dados batimétricos, para posteriormente facilitar a sua interpretação, e na recolha de sondagens do fundo marinho”.

Oportunidade única para investigar no terreno

“A participação nesta expedição e todo o seu trabalho associado abrange áreas de investigação de Geologia Marinha, Geofísica e também Oceanografia, onde tenho estado envolvido desde a fase de conclusão da Licenciatura”, aponta o estudante. A participação nesta missão suportará, por isso, as bases para a dissertação de mestrado do Ricardo.

A oportunidade do Ricardo Correia participar na expedição surgiu no seguimento da existência de vagas para embarcar no navio Nathaniel B. Palmer e na possibilidade de ser integrado no projeto de investigação EAIS-MARGINS (Vulnerability of East Antarctic Ice Sheet Margins), uma oportunidade única criada pela investigadora Caroline Lavoie, do Departamento de Geociências e do CESAM da UA, especialista em ciências polares.

“A possibilidade de participar nesta expedição foi também concretizada graças ao apoio logístico fornecido pelo Programa Polar Português – PROPOLAR. Trata-se de uma iniciativa coordenada pelo CEG/IGOT-UL, CCMAR-UALG, IMAR-UC, CQE/IST-UTL e CIIMAR-UP que facilita o acesso de investigadores de instituições nacionais a regiões polares e funciona em coordenação próxima com o Gabinete Polar da Fundação para a Ciência e Tecnologia”, aponta Ricardo Correia. 

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