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Investigação
Projeto LIFE Enviphage envolve a UA e outros dois centros espanhóis de investigação
CESAM procura soluções para eliminar bactérias patogénicas através de fagos
A equipa do DBio que desenvolveu uma terapia amiga do ambiente para descontaminar águas das pisciculturas
O Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro (UA) é uma das três unidades de investigação e desenvolvimento europeias colaboradoras do Projeto LIFE Enviphage. Financiado pelo programa ambiental LIFE+ da Comissão Europeia o Projeto tem como objetivo principal o estudo do impacto da adição de fagos no ambiente natural de forma a colmatar a lacuna existente entre os resultados obtidos à escala experimental e à escala industrial. Com início em 2014 e fim em 2017, o trabalho, para além do CESAM, envolve a colaboração das empresas espanholas AZTI e da Biopolis bem como a piscicultura Aguacircia (Portugal).

A importância da aquacultura está a crescer e tem tido um impacto social e económico evidente. A cultura de peixe apresenta, contudo, problemas inerentes como a acumulação de matéria orgânica, o que permite a transmissão rápida de organismos patogénicos nas pisciculturas, nomeadamente bactérias resistentes a antibióticos. Para contrariar o cenário, têm sido desenvolvidas algumas estratégias antibacterianas, mas são poucas as que são aplicáveis no início da produção, nomeadamente às larvas de peixe, as quais são mais suscetíveis à infeção microbiana que as restantes fases de crescimento. Mais ainda, são poucos os antibióticos licenciados para uso em aquacultura e, por outro lado, os consumidores exigem cada vez mais produtos livres de antibióticos.

O problema, que o LIFE Enviphage tem em mãos, poderá ser resolvido pela utilização de bacteriófagos (ou fagos), vírus que infetam e destroem de forma específica bactérias alvo. Nos últimos anos, os bacteriófagos têm sido propostos como uma alternativa aos antibióticos em aquacultura. Têm sido obtidos resultados promissores à escala laboratorial, mas a utilização à escala industrial requer mais conhecimento do impacto ambiental da adição de fagos, em particular sobre a ecologia da comunidade bacteriana natural das águas de cultura e do microbioma natural dos peixes. O objetivo deste projeto consiste, por isso, na avaliação do impacto da adição de fagos no ambiente natural de forma a colmatar a lacuna existente entre os resultados obtidos à escala experimental e à escala industrial.

Se o uso de fagos corresponder às expectativas, os aquicultores terão à sua disponibilidade uma tecnologia segura capaz de inativar bactérias patogénicas de peixes sem impacto no ambiental e no desenvolvimento dos peixes, o que reduzirá grandemente a mortalidade nas fases iniciais de produção aumentando assim a rentabilidade das explorações aquícolas.

Biólogos da UA já têm algumas respostas

“Face à importância da aquacultura para compensar a redução das populações piscícolas naturais e com vista a diminuir as perdas económicas devidas às infeções bacterianas comuns nessa atividade, desenvolvemos um novo procedimento para descontaminar as águas piscícolas”, explica Adelaide Almeida, investigadora do CESAM e coordenadora do Projeto na UA. Embora a vacinação seja o método ideal para impedir infeções, aponta a bióloga, “as vacinas disponíveis são ainda limitadas e podem ainda ser pouco ativas nas primeiras fases de vida dos peixes, quando o sistema imunitário ainda não está totalmente desenvolvido”.

Por outro lado, adianta a responsável, a administração de antibióticos (quimioterapia) “apesar de ser geralmente eficaz, constituindo atualmente a primeira opção no tratamento destas infeções bacterianas, pode levar, através do seu uso frequente ao desenvolvimento de resistências, que fatalmente acabam por se transmitir aos microrganismos que infetam os seres humanos”. O relatório da OMS de 2013 estima inclusivamente que nenhum dos antibióticos atualmente em uso será eficaz dentro de 5 anos.

Desenvolvida por biólogos da UA, a terapia fágica para as águas utilizadas nas pisciculturas quer constituir-se como uma alternativa ‘verde’ aos processos de descontaminação utilizados atualmente que podem acarretar grandes impactos para o meio ambiente e, consequentemente, para a saúde pública.

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