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Dia Mundial da Luta Contra o Cancro
Cancro: exemplos de superação na UA
Ana Maria Rocha e Vera Fernandes, duas vencedores, dois exemplos de superação
A ligação entre Ana Maria Rocha, 62 anos, e Vera Fernandes, 34 anos, vai muito além do vínculo contratual que as une à Universidade de Aveiro (UA). Dois exemplos de superação, cujas histórias de vida se tocam também fora da academia. Conhecida como a doença silenciosa, o cancro entrou na vida destas duas mulheres sem pedir permissão. Ambas o ultrapassaram e hoje, quando se assinala o Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, partilham com a comunidade a sua história de resiliência.

Desde o diagnóstico até ao regresso à vida quotidiana, Ana Maria e Vera Fernandes percorreram um longo e doloroso caminho. Mulheres de armas, foi na família, nos amigos e no pensamento sempre positivo que encontraram a força que as fez vencer estas batalhas. 

Para Ana Maria Rocha, telefonista há 39 anos na UA, os antecedentes familiares faziam prever o que se confirmou pela primeira vez num exame de despiste em 2005. Nesta altura, um cancro da mama mudou a vida da Dona Ana, nome pelo qual é carinhosamente tratada pelos colegas mais novos. Dessa altura recorda principalmente o processo precoce de diagnóstico. “Tinha muitos casos na família e fazia o exame de 6 em 6 meses” o que provavelmente inibiu males maiores.

Alguns anos mais tarde, a depressão em que mergulhou, aparentemente sem motivo, fazia antever algo mais. Estava em 2013 quando descobriu que a doença tinha regressado ao seu corpo, desta vez ao útero e aos ovários. Camuflado pelo silêncio que o caracteriza, Ana Maria alerta agora quem a procura: “o cancro não dá sinal, e se der, é porque já está muita coisa mal”.

Confrontada com o infortúnio pela segunda vez, Ana Maria Rocha reconhece que a forma de encarar a doença é particularizada, pois “cada caso é um caso, porque as consequências do tratamento variam de pessoa para pessoa”, explica. Direta, considera que o importante nestas situações é “reagir, e positivamente”, sem perder a energia e o bom humor, até porque, como confidenciou, “não houve um segundo em que deixasse de me sentir bonita”, apenas sabia que “iria mudar de visual temporariamente”.

Após quase quatro décadas na UA, nem a doença lhe roubou o sorriso com que continua a exercer a sua profissão, o mesmo com que encara a vida e diz: “um raio de sol, para quem vive com esta doença, ilumina o mundo”.

Desencontros que dão força à vida

No caso de Vera Fernandes, nada indiciava que aos 33 anos lhe seria diagnosticado um cancro de mama inflamatório. Agora com 34 anos e a exercer funções no Gabinete de Apoio à Investigação da UA, Vera nem pertencia a um grupo de risco nem tinha antecedentes familiares com a doença. “Nada na minha vida me fazia sequer pensar em ter um cancro tão agressivo e tão nova”, recorda. Acreditar na medicina, aprender e implementar mudanças tangíveis que se reflectissem no seu bem-estar foi o caminho imediato.  

Ultrapassado o choque do diagnóstico, era altura de combater a doença, e o quanto antes. Neste período, foi à certeza de querer ver a filha crescer que Vera Fernandes se agarrou. A luta, que considera desigual “porque o cancro está sozinho e eu tive imensa gente comigo”, mudou a forma como encara a vida. É hoje uma pessoa mais calma, com mais ponderação. “Sei que a cada decisão que tome, a nível pessoal ou profissional, a experiência do cancro me vai fazer pensar primeiro na vida que quero para mim e para a minha família, nas prioridades e na necessidade de viver todos os dias com alegria”, afirma.  

Obstinada por natureza, Vera Fernandes assegura que “se falarmos do cancro, ele torna-se menos tabu, deixa de nos assustar tanto”. É com esta determinação que inspira quem a lê o seu blog Desencontros da vida aos 33, que nasceu da necessidade de ter algo que a ajudasse a “ tolerar a minha vida com cancro”.

No Dia Mundial da Luta Contra o Cancro a UA dá voz a Ana Maria Rocha e Vera Fernandes, rostos da casa que se recusaram a ceder perante a doença. 

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