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Distinções
Investigação do CESAM e parceria na Mata do Bussaco entre os finalistas do Green Project Awards Portugal
Projetos portugueses que melhor promovem o desenvolvimento sustentável? A UA tem dois na lista
A equipa do DBio que desenvolveu uma terapia amiga do ambiente para descontaminar águas das pisciculturas
A Universidade de Aveiro (UA) tem dois trabalhos entre os finalistas do Green Project Awards Portugal. “Terapia fágica como alternativa de baixo impacto ambiental para inativar bactérias patogénicas em pisciculturas”, uma terapia amiga do ambiente para descontaminar águas utilizadas em pisciculturas e o “Projeto Bussaco Digital: sementes para o futuro” são os dois trabalhos com a marca UA entre os finalistas do concurso.

Reconhecer as boas práticas em projetos que promovam o desenvolvimento sustentável é o grande objetivo do evento que este ano assinala a sua 7ª edição e que tem o Alto Patrocínio da Presidência da República e o apoio institucional do Governo português, da Comissão Europeia e da CPLP. Os vencedores serão revelados a 21 de janeiro, a partir das 14h30, no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa.

Desenvolvida por uma equipa de investigadores do Departamento de Biologia da UA, a aplicação da terapia utilizando vírus para a inativação de bactérias patogénicas em pisciculturas, constitui uma alternativa inovadora e revolucionária aos métodos habitualmente utilizados, reduzindo substancialmente o impacto ambiental e os riscos para a saúde pública. O projeto é uma das oito finalistas da categoria Agricultura, Mar e Turismo do Green Project Awards.

“Face à importância da aquacultura para compensar a redução das populações piscícolas naturais e com vista a diminuir as perdas económicas devidas às infeções bacterianas comuns nessa atividade, desenvolvemos um novo procedimento para descontaminar as águas piscícolas”, explica Adelaide Almeida, investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da academia de Aveiro e coordenadora deste trabalho. “Embora a vacinação seja o método ideal para impedir infeções, as vacinas disponíveis são ainda limitadas e podem ainda ser pouco ativas nas primeiras fases de vida dos peixes, quando o sistema imunitário ainda não está totalmente desenvolvido”.

Por outro lado, a administração de antibióticos (quimioterapia) apesar de ser geralmente eficaz, constituindo atualmente a primeira opção no tratamento destas infeções bacterianas, pode levar, através do seu uso frequente ao desenvolvimento de resistências, que fatalmente acabam por se transmitir aos microrganismos que infetam os seres humanos. O relatório da OMS de 2013 estima inclusivamente que nenhum dos antibióticos atualmente em uso será eficaz dentro de 5 anos.

Além do facto de a resistência aos antibióticos ser extremamente dispendiosa para o setor da aquacultura também é, por isso, um problema incontornável de saúde pública, devido à fácil propagação dos microrganismos. ”Há uma necessidade urgente de desenvolvimento de medidas inovadoras, eficazes e de baixo custo para combater estas infeções antimicrobianas refratárias ao tratamento convencional e limitar o desenvolvimento e disseminação de microrganismos resistentes aos antimicrobianos, sendo vital procurar métodos menos lesivos em termos ambientais, como éo caso da terapia fágica”, refere ainda a bióloga.

Por outro lado, de um modo geral, ainda se vê o peixe proveniente de aquacultura como um produto de qualidade inferior ao peixe selvagem, o que é associado muitas vezes à presença de antibióticos. A utilização alternativa da terapia fágica pode levar à alteração do comportamento dos cidadãos relativamente ao consumo de peixe produzido em aquacultura, com vantagens evidentes para essas empresas.

Durante a investigação, a equipa de Adelaide Almeida isolou bactérias patogénicas de peixes que foram usadas para selecionar fagos – vírus que infetam apenas bactérias – cujas propriedades fossem capazes de destruir cada uma delas em específico. Nos ensaios realizados em água de cultura infetada com bactérias patogénicas de peixes e tratada com vírus específicos, observou-se uma redução de 3 log  no teor de bactérias.

Por outro lado, nos ensaios com larvas de peixe zebra e com juvenis de solha, a sobrevivência dos peixes nas águas tratadas com fagos foi semelhante à observada nos peixes controlo (não contaminados com bactérias e não tratados com fagos) e significativamente menor do que a dos peixes não tratados (contaminados com bactérias patogénicas e não tratados com fagos), indicando que o tratamento com fagos é eficaz.

“A inativação de bactérias patogénicas com fagos, sem riscos para os peixes, para o ambiente e para a saúde pública, torna esta tecnologia mais segura e o seu baixo custo é ainda muito aliciante para as empresas desta área”, resume Adelaide Almeida.

Com um clique plantar uma árvore no Bussaco

Em parceria com a UA, a Fundação Mata do Bussaco é uma das candidatas ao prémio final na categoria Iniciativa de Mobilização com o “Projeto Bussaco Digital: sementes para o futuro”. A iniciativa surgiu como uma estratégia para a aquisição e plantação de árvores com o intuito de ocupar as áreas de floresta da Mata Nacional do Buçaco que foram destruídas após o temporal de janeiro de 2013. Assim, através de uma plataforma digital, qualquer pessoa pode “plantar” uma ou mais árvores enquanto contribui para a respetiva manutenção e preservação do património natural. O trabalho envolveu o Departamento de Comunicação e Arte e o Sapo Labs e teve o apoio da Fundação PT.

“Com este projeto a Mata conseguiu mais algumas árvores para ajudar na recuperação após os episódios de mau tempo que causaram a queda de inúmeras árvores e a consequente abertura de clareiras”, aponta Milene Matos, bióloga do Departamento de Biologia (DBio) da UA que tem colaborado em trabalhos de investigação e divulgação da Mata e dos seus valores naturais. Por outro lado, acrescenta, “conseguiram-se alcançar aspetos mais intangíveis como sejam o fomento da interação e ligação do Buçaco à sociedade, uma ‘democratização’ da Mata, ao torná-la de certo modo acessível a pessoas de qualquer parte do mundo e a promoção generalizada da consciência ambiental”.

O entusiasmo dos participantes, aponta a investigadora do DBio é bastante evidente nos testemunhos que têm feito chegar ao site do projeto. “Para este entusiasmo contribui claramente o envio de um ‘certificado de plantação’ com as coordenadas da árvore plantada que permite à pessoa ir futuramente visitar a ‘sua’ planta. Esse é o ‘corolário’ da boa ação, e ao ver ao vivo ou numa fotografia a árvore, a pessoa sente o seu contributo digital como real”, congratula-se Milene Matos.

O acesso à informação e localização, através de coordenadas GPS, sobre a árvore plantada estará acessível através de um simples registo na plataforma, disponibilizada via internet, que permitirá a interação com pessoas que estão fisicamente distantes, facilitando o processo de contribuição, fomentando a interação social, aproximando a Mata da população e promovendo o sentido de altruísmo e sensibilização ambiental. Este acesso permite igualmente dedicar uma ou mais árvores a alguém.

Com esta plataforma, e as contribuições dos seus utilizadores, é assim possível ajudar diretamente na reflorestação da Mata Nacional do Buçaco, na recuperação de clareiras, no combate e controlo da instalação de flora exótica invasora, na consolidação das unidades de paisagem da Mata através da plantação de espécimes adequados a cada unidade, na divulgação do património natural da Mata e no aumento da consciência ecológica pública e da sensibilização ambiental.

Na 7ª edição do Green Project Awards Portugal são sete as categorias a concurso: Agricultura, Mar e Turismo; Cidades Sustentáveis; Consumo Sustentável; Information Technology; Iniciativa Jovem; Iniciativa de Mobilização e Produto ou Serviço. Todos os projetos premiados em cada uma das categorias serão candidatos aos prémios European Business Awards for the Environment, atribuídos pela Comissão Europeia e à Distinção GPA-CPLP.

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