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Investigação
Carro desenvolvido por estudantes da UA prepara ‘assalto’ à mítica pista de Silverstone
Aquila, o Fórmula 1 da Universidade de Aveiro
O projeto Aquila, um carro em desenvolvimento para fazer história na pista de Silverstone
Chama-se Aquila, é um monolugar ao grande estilo da Fórmula 1 e está a ser desenvolvido na Universidade de Aveiro (UA) para competir no próximo ano na mítica pista de Silverstone, em Inglaterra, durante a Formula Student da Europa. O carro da UA, em desenvolvimento pelas mãos de uma vasta equipa de estudantes da academia de Aveiro, quer voltar a brilhar numa prova em que já participou por quatro vezes, com destaque para o primeiro lugar alcançado em 2008 e para o terceiro lugar em 2010, ambas na classe II (fase de projeto).

Depois do Xante e do Lynx, os carros da UA que alcançaram o pódio, o Aquila quer repetir a proeza e reconquistar o primeiro lugar entre as equipas europeias cujos carros estão ainda em fase de projeto.

No entanto, aposta João Oliveira, docente do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da UA e faculty advisor do projeto, “o verdadeiro objetivo subjacente ao trabalho desta equipa é previsto a médio prazo”. Nesse sentido, “a grande motivação será criar uma base de projeto e uma estrutura de apoio sólida, que permitam a construção efetiva do Aquila, para dar início a uma nova fase na história do Formula Student na UA com a participação em Classe I em 2016”.

Um enorme trabalho pluridisciplinar

Projetado inteiramente por alunos da UA, de modo a cumprir todos os rigorosos regulamentos técnicos da competição, o Aquila, que tem cerca de 2,5 metros, possui um chassis tubular, com um inovador sub-chassis adaptável a diferentes grupos motrizes, prevendo a utilização de vários motores oriundos de motociclos desportivos. O carro, entre outras mil e uma características, tem ainda tração traseira, suspensão com o sistema push-rod e travões de disco às quatro rodas.

“O monolugar foi projetado e otimizado de modo a ser o mais eficiente possível, com o máximo desempenho, mas também de forma a ser, tanto quanto possível, construído na UA pelos seus alunos”, aponta João Oliveira que, a par de Pedro Pestana, estudante do DEM e team leader da equipa, dão a cara pelo Aquila e pelo vasto grupo de estudantes que lhe dão forma.

A Engenius, assim se chama a equipa por de trás do Aquila, é constituída maioritariamente por alunos de Engenharia Mecânica, mas não só. Estudantes de Engenharia Eletrónica e Telecomunicações, de Design e de Engenharia e Gestão Industrial também fazem parte da equipa atual, sendo que outros alunos da UA estão também convidados a participar. “As competências adquiridas ao longo do percurso académico de alunos de diferentes áreas é fundamental para a organização de uma equipa de sucesso”, garante João Oliveira.

Aquisição de competências técnicas e não só

Evidente é o benefício para a formação os estudantes em colaborarem num projeto como este. Por um lado, e independentemente das áreas que cursam, aponta o professor do DEM, “promovem-se competências transversais de trabalho em equipa, mais ainda se considerarmos que todo o trabalho é realizado e gerido por alunos”.

Em níveis mais específicos, aponta, verificam-se complementos de formação em variadíssimas áreas. “Desde o projeto mecânico a tecnologias de controlo, passando pelas máquinas térmicas ou pela simulação numérica, são diversas as áreas tecnológicas aqui envolvidas. Junte-se a isto o design industrial e de comunicação, o marketing, a gestão, e a necessidade de divulgação e de angariação de apoios, que colocam os alunos em contacto com o nosso tecido empresarial”, lembra o docente que tem como função orientar a Engenius, “sendo a equipa efetivamente formada e gerida pelos alunos”.

João Oliveira lembra ainda o facto de “um dos principais focos de avaliação na competição ser a validade comercial do monolugar apresentado, levando os alunos a desenvolver modelos de empresa e planos de negócios para a produção e venda do Formula Student apresentado”.

A próxima edição da Formula Student decorrerá em junho de 2015, mas, neste momento, os estudantes da UA têm já o projeto num estado bastante avançado. Terão, assim, tempo suficiente para preparar atempadamente toda a participação para poderem abrir a garrafa de champagne no mais alto lugar do pódio.

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