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DDL Argamassas aponta a mira à Europa e à África
Spin-off da UA quer conquistar o mercado das argamassas com o apoio da CIN
Os mentores da DDL Luís Mariz, David Monteiro e Diogo Pires
Desenvolvida na Universidade de Aveiro (UA), a única argamassa pensada especificamente para reabilitação de edifícios antigos em Portugal prepara-se para conquistar o mercado europeu e africano pelas mãos da CIN. Concebida por três jovens estudantes do Departamento de Engenharia Civil da academia de Aveiro, que recriaram tecnologias tradicionais em desuso com a proliferação do cimento, a argamassa não só é compatível com materiais de construção antigos como é durável, flexível e resistente. Dos laboratórios passou a ser agora comercializada pela CIN, que se deixou seduzir pelo inovador produto. As argamassas apontam a mira aos mercados angolanos, moçambicanos e de São Tomé e Príncipe mas também a outros sete países europeus.

“Estas argamassas são isentas de produtos cimentícios e hidráulicos. A nossa tecnologia inovadora consegue evitar problemas correntes que as argamassas hidráulicas apresentam quando aplicadas indevidamente sobre edifícios antigos”, afirma Diogo Pires que, juntamente com os colegas Luís Mariz e David Monteiro, criou e aperfeiçoou uma gama de argamassas a pensar no passado.

A ideia dos estudantes da UA, que há um ano criaram a spin-off DDL Argamassas que se instalou na Incubadora de Empresas da academia, surgiu quando foram confrontados com a certeza de que mais de 720 mil fogos do parque imobiliário português têm mais de 70 anos e que “precisam de ser reabilitados com urgência”. Assim, e face à atual conjuntura económica que imprime estagnação à construção de novos edifícios, “a reabilitação apresenta uma boa perspetiva de crescimento não só em Portugal como um pouco por toda a Europa”, diz Diogo Pires.

Os produtos desenvolvidos pela DDL Argamassas foram desenvolvidas com “a preocupação de preservar a memória do passado e de um saber acumulado por séculos de utilização mas também com função de responder às solicitações do presente e futuro”.

A gama de produtos que agora é lançada com o apoio da CIN, sublinha Diogo Pires, “apresenta-se como a melhor solução em intervenções de reabilitação “visto ser só necessário juntar água”. De utilização fácil, as argamassas da DDL, acrescenta o investigador, “apresentam diversas vantagens quando comparadas com outras, tais como a diminuição da ascensão capilar, a permeabilidade ao vapor de água, uma maior resistência aos sais e a compatibilidade com os suportes tradicionais e contemporâneos”.

De mãos dados com o antigo

Com uma composição à base de cal aérea, areia e aditivos naturais, estas formulações especiais desenvolvidas na UA permitem colmatar algumas lacunas identificadas em argamassas antigas, como facilidade de aplicação, tempo de cura mais rápido e permeabilidade ao vapor de água mais elevada e maior elasticidade, logo com menor probabilidade à fissuração e maior durabilidade. As argamassas apresentam ainda a vantagem de serem adaptadas para interiores ou exteriores, de permitirem reparações pontuais, de poderem ser utilizados em cerâmicos ou em enchimento de roços e orifícios e de serem ambientalmente mais sustentáveis, uma vez que se socorrem de produtos naturais.

Para a DDL, “a parceria com a CIN demonstra a elevada preocupação desta empresa portuguesa em apoiar os empreendedores nacionais bem como na aposta em produtos inovadores”. Pela CIN, sublinha Pina Gomes, o gestor do produto, “a aposta nesta nova gama permite à empresa colocar à disposição do mercado um produto de tecnologia tradicional com um desempenho atual totalmente compatível com as metodologias e tipos de materiais utilizados na construção de monumentos e edifícios antigos”. Além disso, sublinha o responsável, “é uma forma de se apoiar a investigação científica e a transformação da mesma em negócio”.

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