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Distinções
Mariana Pandeirada, investigadora do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro
Bióloga da UA conquista Prémio Fluviário - Jovem Cientista do Ano 2013
A investigadora Mariana Pandeirada
A investigadora Mariana Pandeirada, do Departamento de Biologia (DBIO) da Universidade de Aveiro (UA), venceu a 4ª edição do Prémio Fluviário – Jovem Cientista do Ano 2013. "Freshwater dinoflagellates in Portugal (W Iberia): a critical checklist and new observations" é o título do trabalho da jovem investigadora que, realizado no decurso do mestrado em Biologia Aplicada, conquistou o júri do concurso. Mário Ferreira, cientista da Universidade de Évora, também foi contemplado com o prémio.

A iniciativa do Fluviário de Mora visa distinguir um estudante que tenha publicado, como primeiro autor, um artigo sobre a temática da conservação e biodiversidade de recursos aquáticos continentais ligados a estuários e a rios.

No trabalho que cativou o júri, Mariana Pandeirada reúne, pela primeira vez, o conhecimento taxonómico sobre a diversidade e distribuição geográfica de dinoflagelados de água doce em Portugal Continental. Trata-se de um grupo de microalgas estudado sobretudo em meio marinho e que é normalmente associado a fenómenos como as ‘marés vermelhas’ e à interdição da apanha de marisco devido à sua capacidade de produzir toxinas.

“Registos publicados destes organismos, retirados de 37 referências, formam a base do inventário, aos quais foi por nós adicionada documentação para onze espécies ainda não referenciadas para Portugal”, explica Mariana Pandeirada, a autora do artigo que contou com a participação de António Calado e de Sandra Craveiro, investigadores do DBIO.

“A lista é constituída por 50 espécies, representando 24 géneros de dinoflagelados”, resume a bióloga. De referir ainda que alguns dos registos antigos tiveram que ser atualizados, o que culminou na transferência de 15 dessas espécies para onze géneros estabelecidos nos últimos 15 anos.

Louros repartidos com a equipa

Mariana Pandeirada, licenciatura em Biologia pela UA, universidade onde concluiu também, no ano letivo passado, o mestrado em Biologia Aplicada, ramo de Ecologia, biodiversidade e gestão de ecossistemas, tem-se dedicado, agora enquanto investigadora do DBIO, ao estudo taxonómico, filogenético e ecológico de grupos de fitoplâncton marinho e de água doce, em particular de dinoflagelados. Desse trabalho destaca-se a recente publicação de uma nova espécie de microalga para a ciência, designada de "Theleodinium calcisporum", encontrada numa lagoa em Ílhavo que constitui o primeiro dinoflagelado de água doce para o qual foi reportado um quisto de resistência de natureza calcária.

“É sempre uma enorme satisfação ver o nosso trabalho ser reconhecido e perceber que há instituições, como o Fluviário de Mora, a organizarem iniciativas que ajudam a mostrar o melhor que se faz em Portugal em termos científicos”, congratula-se a jovem cientista. Contudo, deixa um desafio: “tenho alguma pena que o número de entidades a promoverem iniciativas semelhantes no país não seja mais alargado, já que, com certeza, nas mais diversas áreas científicas existem jovens investigadores com muito potencial e que já publicam em revistas internacionalmente reconhecidas”.

“Seria injusto deixar que os louros recaíssem todos sobre mim, visto que o artigo premiado resulta de um trabalho de equipa”, sublinha. Assim, Mariana Pandeirada enaltece o empenho dos dois coautores do artigo na recolha de trabalhos onde foram publicados dinoflagelados para o país ao longo da sua carreira profissional, “o que facilitou muito a elaboração do artigo”, e agradece toda a ajuda fornecida durante essa elaboração.

“Embora tenha sido premiada a juventude, este trabalho jamais teria sido finalizado sem a vasta experiência de quem mais tem contribuído para o conhecimento destes microrganismos para Portugal, e muito a nível internacional, nas últimas duas décadas”, conclui.

Mário Ferreira, da Universidade de Évora, foi o outro jovem cientista contemplado por um júri constituído por 26 personalidades de Universidades de todo o país que considerou os dois artigos científicos "de excelência e ao nível do melhor que se faz no plano internacional”. "Mediterranean amphibians and the loss of temporary ponds: Are there alternative breeding habitats?" é o nome do artigo científico que dividiu com Mariana Pandeirada o galardão do Fluviário.

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