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Investigação
Pesquisa de Mercedes Vila, investigadora do Departamento de Engenharia Mecânica
Universidade de Aveiro propõe combate mais eficaz ao cancro através do óxido de grafeno
A investigadora Mercedes Vila
O óxido de grafeno pode ser utilizado como agente de hipertermia em terapias anticancro. Quando reduzido ao tamanho de nanopartículas, que facilmente se acumulam no tecido tumoral após serem injetadas no corpo, o óxido de grafeno, graças à capacidade de absorver luz direcionados externamente, aquece o suficiente para destruir de forma segura e controlada as células cancerígenas deixando intactas as saudáveis. A conclusão é de um estudo desenvolvido na Universidade de Aveiro (UA) que abre portas à criação de novas terapias no combate a tumores situados em regiões vitais e onde a opção cirúrgica não é viável.

O potencial da nova terapia, para além de aumentar a taxa de sucesso das atuais terapias anticancerígenas, pretende controlar a reação do sistema imunitário ao tratamento e reduzir os efeitos secundários nocivos dos métodos tradicionais. Estes métodos, no futuro, podem mesmo vir a ser substituídas pelo uso do óxido de grafeno.

“É possível utilizar o nano-óxido de grafeno como nanopartícula [cem mil vezes mais pequena que um milímetro] para provocar a hipertermia [aumento da temperatura] especificamente desenhada para cada tumor e, portanto, a sua destruição”, aponta Mercedes Vila, investigadora do Grupo de Investigação em Nanotecnologia do Departamento de Engenharia Mecânica da UA. A responsável pelo estudo aponta que este “demonstra como a aplicação [de nano-óxido de grafeno] em células tumorais de osso é eficiente e que o tipo de morte celular pode se controlada em função dos parâmetros de irradiação de luz sobre as nano-partículas para produzir destruição dos tumores de forma mais ou menos agressiva”.

Descoberto em 1962, o grafeno é o material mais fino conhecido no Universo, tem a maior resistência mecânica já medida e conduz eletricidade e calor melhor do que qualquer outra substância. Mas só na última década a comunidade científica internacional se debruçou para as múltiplas propriedades e infinidade de aplicações potenciais daquele material. No óxido de grafeno, um dos seus derivados, pode residir o futuro da medicina oncológica.

A hipertermia do grafeno

“A terapia oncológica através de hipertermia mediada por nanopartículas de óxido de grafeno tem a vantagem de ser muito barata, pois este material pode ser produzido facilmente em larga escala”, explica Mercedes Vila. Devido à estrutura aromática bidimensional, o óxido de grafeno, quando comparado com outras nanopartículas, tem igualmente duas outras grandes características que jogam em seu favor, a de se acumular mais facilmente nos tecidos tumorais e a de interagirem com fármacos ou com moléculas bioativas muito mais eficientemente.

Além disso, acrescenta Mercedes Vila, “a hipertermia do grafeno é produzida mediante uma radiação laser muito específica que não tem efeito nenhum nos tecidos ou células que não tiveram as nanopartículas de óxido de grafeno internalizadas”.

“O aumento da temperatura celular através de nanopartículas é um dos tratamentos que está a ser testado pelo mundo com vista a substituir as terapias atuais, que são agressivas, acarretam muitos efeitos secundários e nem sempre são eficientes”, explica a investigadora. Mas, apesar dos “muitos esforços que os cientistas estão a fazer”, ainda hoje não existe uma partícula perfeita que “assegure um fornecimento uniforme dessa nanomaterial para todas as regiões do tumor com riscos mínimos de acumulação no resto dos tecidos do corpo humano”, descreve.

O óxido de grafeno pode ser a solução. “Os estudos de acumulação nos animais, assim como a sua farmacocinética [as etapas que as partículas fazem desde a administração até a excreção] já foram propostos e estudados nos últimos três anos com muito sucesso por cientistas da Universidade de Soochow [China]”, lembra a investigadora que foi mais longe.

Mercedes Vila desvendou os efeitos do óxido de grafeno a nível celular, descobriu como reduzir os riscos de toxicidade e acumulação (associados a qualquer nanopartícula) e, mais importante, como controlar a terapia e o dano celular para estimular a resposta do sistema imunitário ao tratamento quando for necessário. “Todos estes estudos específicos demostraram que os nanografenos são candidatos potenciais para os estudos clínicos”, garante a cientista da UA.

O estudo de Mercedes Vila foi publicado em finais de novembro na revista Nanotechweb.

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