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Entrevistas
Nuno Borges Carvalho, investigador do Instituto de Telecomunicações e do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática da UA
"Vamos obter energia de tudo o que nos rodeia"
O investigador Nuno Borges Carvalho
É o coordenador do Wireless Power Transmission for Sustainable Electronics (WIPE), um consórcio europeu nascido em outubro para promover a transmissão de energia sem fios. Por outras palavras, Nuno Borges Carvalho, investigador do Instituto de Telecomunicações e do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI) da Universidade de Aveiro (UA), é o responsável por trazer do futuro para o presente um novo paradigma sobre a utilização da energia entre os membros do WIPE (cientistas de 21 países europeus, dos EUA e do Japão). Para que um dia os historiadores olhem para as nossas atuais instalações elétricas como nós olhamos hoje para as figuras rupestres.

Iniciou os estudos no DETI em 1990 e cinco anos depois concluiu o curso em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações. Em 2000 foi a vez de concluir o Doutoramento em Engenharia Eletrotécnica no mesmo Departamento. Nuno Borges Carvalho, professor no DETI desde 1996, foi eleito chair da Sociedade de Radio-frequencia e Micro-ondas em 2012, e presidente da secção portuguesa do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrónicos (IEEE) em 2013. Na URSI – Internacional Union of Radio Science é o coordenador do comité A-Portugal.

Será mesmo possível que os historiadores do futuro olhem para as nossas instalações elétricas como nós olhamos hoje para as tecnologias usadas na Idade da Pedra?

Sim, julgo que sim. Já na altura em que Tesla [investigador croata falecido em 1943] pensou nesta solução de transmissão de energia via rádio, pensava que seria a solução óbvia para levar a energia elétrica à casa das pessoas. Por isso acho que podemos convergir para essa solução dentro de alguns anos.

O sonho da transmissão da energia sem recurso a fios nasceu com Nikola Tesla, no início do século XX. Sem tecnologia à altura, o sonho ficou na gaveta. E hoje?

Hoje estamos a dar os primeiros ou os segundos passos. Ainda não é claro que será de facto a solução do futuro. Existem ainda muitos problemas a ultrapassar, quer tecnológicos, quer de regulamentação e normalização.

Como surgiu o seu interesse pelo projeto de Tesla?

O interesse surge basicamente com o aumento exponencial de gadgets que as pessoas assumem como essenciais, mas que dependem de baterias para operar e que se esgotam rapidamente. Esta limitação na energia levou-me a estudar outras soluções que possam ser uma alternativa à carga ou substituição de baterias nestes sistemas.

A que nível está hoje o IT e o DETI no campo da transmissão de energia sem fios?

O IT e DETI deram os primeiros passos há três anos estudando formas de otimizar os circuitos de conversão RF para DC, ou seja, os dispositivos que permitem converter sinais rádio [wireless] em sinais DC [tipicamente o sinal que sai de uma bateria].

Até onde pode ir a UA no desenvolvimento de novas tecnologias que mudem o paradigma atual da forma como lidamos com a energia elétrica?

A UA e o IT podem fazer bastante por esta área, quer no domínio da eletrónica, quer também no domínio dos materiais alternativos para este tipo de sistema ou até em cenários de normalização para o futuro destas técnicas.

O desenvolvimento de um comando televisivo sem pilhas é apenas um dos passos que tem dado rumo ao futuro. Que outros projetos pode enumerar?

Entre outros projetos, estamos a tentar carregar drones no ar e estamos a avaliar a carga de sensores biométricos e de monitorização espacial.

Que projeto gostaria um dia de ter possibilidade de desenvolver?

Nesta área, o projeto mais interessante seria a construção de um dispositivo que permitisse carregar um telemóvel ou tablet sem o ter de colocar numa base. Este projeto iria revolucionar a forma como vemos estes dispositivos.

Como imagina que possa ser a relação Homem/energia daqui a mil anos?

Muito diferente. Acho que vamos arranjar forma de obter energia de tudo o que nos rodeia e por isso não nos vamos preocupar com esse problema. Um dos passos decisivos para esse fim será aumentar muito a eficiência entre a produção e o consumo.

 

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