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Dia 12 de novembro, a partir das 9h00
Forte aposta da UA na língua chinesa motiva visita do embaixador da China
Estudantes da República Popular da China na Universidade de Aveiro
Mais de 700 estudantes portugueses da Universidade de Aveiro (UA) aprenderam nos últimos anos a escrever e a falar chinês desde que o mandarim passou a integrar a Licenciatura de Línguas e Relações Empresariais e os mestrados em Estudos Chineses e em Línguas e Relações Empresariais. Desafiada em 2012 pela Câmara de João da Madeira a apresentar um projeto de ensino de chinês ao 1º ciclo, a UA também ministra hoje o mandarim a cerca de 600 crianças do 3º e 4º anos daquele município. Por outro lado, mais de uma centena de estudantes universitários chineses já passaram nos últimos quatro anos pela UA para aprenderem a língua lusa. Os projetos são o mote da visita que Huang Songfu, Embaixador da República Popular da China em Lisboa, realizou dia 12 de novembro à academia de Aveiro.

Só neste ano letivo estão a estudar no Departamento de Línguas e Culturas (DLC) da UA 40 alunos chineses, oriundos de várias Universidades chinesas com as quais a UA tem protocolos. Na bagagem, estes estudantes trazem o objetivo de aprofundarem os seus conhecimentos de língua e cultura portuguesas para no futuro exercerem funções de docência em instituições de ensino chinesas ou de assessoria em empresas que tenham relações comerciais com países de língua portuguesa.

"Acho que os professores portugueses são muito simpáticos”, diz Wang Wenqian. A estudante chinesa, que chegou à UA em setembro para aprender português, garante que “as aulas são úteis e significativas, porque podemos aprender muitas coisas sobre Portugal”.

"Atualmente temos no 1.º ano do Mestrado de Línguas, Literaturas e Culturas seis alunos chineses”, contabiliza Carlos Morais, diretor do DLC da academia de Aveiro. A frequentarem, com planos específicos, o 3.º ano da licenciatura de Línguas, Literaturas e Culturas (LLC) estão 11 alunos da Universidade de Dalian, 9 alunos da Universidade de Xi'an (XISU), 11 alunos do Instituto de Línguas Estrangeiras de Jilin (Huawai) e ainda três alunos da Universidade de Macau.

Desde o ano letivo de 2009-2010, o DLC tem recebido, no 2.º semestre, cerca de 15 alunos desta última Universidade para estudarem, em regime de mobilidade, na licenciatura de LLC, “pelo que os números atrás referidos vão aumentar, em fevereiro próximo, para cerca de 55 alunos chineses no DLC”, antevê o diretor.

O DLC da UA, responsável pelo planeamento e ensino do chinês nas várias frentes, está ainda envolvido num projeto de construção de conteúdos para o ensino à distância da língua portuguesa a chineses, num trabalho financiado pela Gulbenkian onde participam outras sete instituições de ensino superior português.

Chineses querem língua portuguesa como ferramenta profissional

“São alunos de um sistema de ensino muito diferente do modelo ocidental, já que privilegia tipos de aprendizagem baseados na memorização sistemátia de formas, no respeito das normas gramaticais e na exigência de explicações de pormenor sobre as áreas críticas de gramática”, diz Fernando Martinho. O professor do DLC, que leciona a disciplina Língua Portuguesa 1 a uma turma de estudantes chineses, garante que tem em mãos um grande e saboroso desafio.

“O desempenho dos estudantes é muito elevado, tendo em conta a sua pouca experiência de Português [dois anos de prática em média], o que se explica pela elevada dedicação com que aprendem a nossa língua”, diz. Apesar de tecnicamente ser uma aula de Português Língua Estrangeira, na verdade, “a exigência com que procuram obter informação gramatical leva a que as aulas sejam frequentemente aprofundadas e estendidas”.

No horizonte profissional dos estudantes, boa parte aponta para a docência do português na China, língua hoje muito procurada naquele país. “Tendo em conta a escassez de formadores de português para um mercado tão grande, estes alunos estão a apostar uma área de formação universitário em plena expansão na China”, refere Fernando Martinho.

“O português é de facto uma língua em expansão na China, como notícias recentes têm, aliás, relembrado”, aponta. Assim, “é nessa perspetiva que podemos compreender a existência, por um lado, destas visitas de alunos chineses a Portugal, e, por outro, de vários projetos de formação de professores chineses, entre os quais um projeto da Fundação Gulbenkian, da UA e de várias universidades portuguesas, destinado ao mercado chinês, e em que o DLC  está a contribuir com a elaboração de um módulo de nível A2”.

Entre os estudantes chineses, há também vários candidatos a um futuro como atores económicos em áreas comerciais associadas à língua e cultura portuguesas, como são exemplos as relações comerciais com a União Europeia ou com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. No caso dos estudantes oriundos de Macau, descreve Fernando Martinho, “o domínio da língua portuguesa pode-lhas dar acesso a funções na administração pública”.

Portugueses cada vez mais interessados na língua chinesa

Quanto aos estudantes portugueses ávidos por aprenderem a falar e a escrever mandarim, estes estão distribuídos pelos diferentes anos da Licenciatura e do Mestrado de Línguas e Relações Empresariais e pelo Mestrado de Estudos Chineses, da responsabilidade do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território, e ainda pelos Cursos Livres de Língua e Cultura Chinesa. “Atualmente temos cerca de 180 alunos portugueses, sem contar com as centenas de crianças do 1º ciclo das escolas de São João da Madeira, em contacto com o Mandarim”, aponta Carlos Morais.

“Além de serem já muitos os alunos que, com os conhecimentos que adquiriram da língua chinesa, trabalham no ensino, fazem traduções e interpretações e desempenham cargos de assessoria em empresas, são muitos também os que fora da UA começam a recorrer ao nosso capital de conhecimento em matéria de ensino de chinês a portugueses”, afirma o responsável.

O objetivo dos alunos lusos é adquir competências para trabalhar no ensino ou em órgãos de administração pública, fazer traduções e interpretações e desempenhar cargos de assessoria em empresas que tenham negócios com a República Popular da China.

Uma presença que homenageia o trabalho da UA

A visita do Embaixador da República Popular da China à academia de Aveiro tem início às 9h00 no edifício da Reitoria da UA, local onde Huang Songfu se vai reunir com Manuel António Assunção, Reitor da academia de Aveiro, e com Carlos Morais, diretor do Departamento de Línguas e Culturas (DLC).

Depois de um encontro com estudantes e investigadores chineses da UA (às 10h30 na Sala de Atos Académicos), Huang Songfu assistirá a um momento cultural oferecido por estudantes chineses e portugueses do DLC. Durante a tarde, a partir das 14h00, o embaixador chinês vai ainda assistir na Escola Conde Dias Garcia, em São João da Madeira, a uma aula de chinês. O representante da República Popular da China vai ainda ser recebido às 15h00 na Câmara Municipal de São João da Madeira pelo presidente Ricardo Figueiredo.

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