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Opinião
Artigo de opinião da autoria de Alfredo Rocha, docente no Departamento de Física
Dia Mundial da Meteorologia
Alfredo Rocha, professor no Departamento de Física
“Observar o Tempo para proteger a vida e a propriedade”, é este o tema associado às comemorações do Dia Mundial da Meteorologia, que se assinala este sábado, 23 de março. O assunto serve de ponto de ponto de partida para Alfredo Rocha, professor no Departamento de Física da Universidade de Aveiro, explicar a importância de todos os países partilharem informação meteorológica atempada e de qualidade.

O Dia Mundial da Meteorologia celebra-se todos anos no dia 23 de março para relembrar a criação da Organização Meteorológica Mundial (World Meteorological Organization – WMO - agência especializada da Organização das Nações Unidas para a meteorologia, hidrologia operacional e ciências geofísicas) que ocorreu nesse dia, no ano de 1950. Todos os anos a WMO define um tema associado às comemorações que, este ano, será ‘Observar o Tempo para proteger a vida e a propriedade’.

Este tema assenta num programa da WMO designado por Vigilância Meteorológica Mundial (World Weather Watch - WWW) que celebra agora os seus 50 anos e que tem sido apreciado como sendo um dos exemplos de maior sucesso de cooperação internacional, sobretudo atendendo ao facto de ter sido criado no ano de 1963, em plena Guerra Fria.

O WWW surge, em parte, para regulamentar o lançamento de satélites meteorológicos que aconteceu no início da década de 1960. Contudo, o motivo principal da sua criação foi permitir que todos os países pudessem usufruir de informação meteorológica recolhida por cada estado membro, e partilhada por todos, para ser posteriormente utilizada para proteger vidas e bens. Na realidade, o tempo e o clima não têm fronteiras. Por exemplo, para fazer-se previsão de tempo para uma região não basta conhecer o estado da atmosfera anterior nessa região. É necessário utilizar dados meteorológicos que foram previamente registados em muitos países numa área muito maior do que a região de interesse e que, no limite, pode ser global.

Um dos propósitos da WWW foi garantir que esta partilha de informação meteorológica fosse registada por equipamentos que obedeçam a determinados requisitos e sejam calibrados de acordo com os mesmos procedimentos. As observações devem ser realizadas nos mesmos instantes de tempo utilizando métodos padronizados. Estes dados são posteriormente enviados, em tempo quase real, através de uma rede global de telecomunicações dedicada e mantida pela WMO, para centros mundiais, regionais e nacionais de forma a serem processados e analisados. De seguida, são gerados produtos de previsão de tempo e clima partilhados por todos os estados membros com o objetivo de proteger a vida e a propriedade.

Estes produtos são produzidos, em grande medida, através da utilização de modelos físico-matemáticos que permitem simular e prever a evolução do clima e, particularmente, da atmosfera. Embora estes modelos constituam a única forma de realizar ‘experiências virtuais’ neste laboratório incontrolável que é o sistema climático, a sua validação e consequente qualidade requere grandes quantidades de observações meteorológicas de qualidade. Por este motivo, é e será sempre necessário garantir mais e melhores dados meteorológicos obtidos por medição das propriedades do sistema climático.

Convém realçar que nenhuma nação, por mais rica que seja, pode servir os seus cidadãos com informação meteorológica atempada e de qualidade, sem a colaboração de todas as outras nações sob a égide do WWW e que 90 por cento dos desastres naturais são causados por fenómenos do tempo e do clima.

 

Alfredo Rocha

Docente no Departamento de Física da Universidade de Aveiro e investigador no  Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM)

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