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Entrevistas
Entrevista com Paulo Ribeiro Claro, autor de «A Química das Coisas»
Experimentou, «havia química» com o público e nunca mais parou
Paulo Ribeiro Claro
Considera que foi acidental o seu despertar para as atividades de divulgação científica: correu bem, gostou e continuou. Paulo Ribeiro Claro, professor do Departamento de Química da Universidade de Aveiro, é conhecido do público em geral, sobretudo, pelo seu trabalho de divulgação da Química, em espetáculos ao vivo, na rádio, na organização das Olimpíadas de Química e como coordenador do programa televisivo “A Química das Coisas”. Como investigador, o seu principal interesse científico atual é o estudo das propriedades das moléculas e da forma como se associam entre si para formar estruturas mais complexas que são a base de diversos materiais.

Como surgiu esta sua inclinação, ou como fez despertar a sua vocação, para a divulgação/comunicação da Química?

Foi bastante acidental!... De forma resumida, quando fui envolvido nas atividades de divulgação do Departamento de Química, descobri que, não só me agradava fazê-las, como tinha algum sucesso junto dos públicos. Se, em vez disso, me tivessem mandado tocar piano, rapidamente a sala teria ficado vazia, apesar de eu gostar de música. Mas, nas atividades de divulgação, não só as pessoas não saíam, como até algumas entravam de propósito!

Ao longo das atividades de divulgação/comunicação de Ciência que tem desenvolvido, tem notado evoluções positivas no conhecimento/sensibilização das pessoas quanto à Ciência e à Química, em particular?

É difícil avaliar, porque normalmente eu estou a "pregar aos convertidos", isto é, estou a falar para pessoas que estão presentes, porque se interessam pelo tema.

No entanto, nota-se que as atividades de divulgação de Ciência já não são tão estranhas à sociedade em geral. Por exemplo, já há público suficiente para manter publicações de divulgação científica on-line e já há um número significativo de pessoas para quem a participação numa atividade de divulgação científica é algo normal.

Que conselhos práticos pode dar aos investigadores que se iniciam nestas atividades de divulgação/comunicação da Ciência?

Posso sugerir – um pouco a brincar - que comecem por tentar tocar piano... Na verdade, os conselhos são muito básicos: definir bem a mensagem que se quer transmitir, adequar a linguagem ao público-alvo, e assumir a postura de cientista, isto é, alguém que não tem a pretensão de saber tudo, ter resposta para tudo, ou saber mais que todos os outros. E, depois, como em todas as atividades, a capacidade natural ajuda muito, mas o trabalho e o planeamento são indispensáveis.

Na carreira académia e de investigador, o trabalho de divulgação de Ciência é muito pouco (ou nada) valorizado. Mesmo assim, considera que vale a pena continuá-lo?

Eu considero isso uma obrigação minha, seja ou não valorizada pelos pares.

Tal como já referi em ocasiões anteriores (ver revista "Linhas" e TEDx Aveiro 2011, por exemplo), para um cidadão com falta de cultura científica o mundo deve ser um lugar muito estranho, cheio que coisas misteriosas e incompreensíveis. Portanto, partilhar o conhecimento é uma forma de ajudar as pessoas a compreender o mundo onde vivem e, assim, contribuir para uma sociedade melhor.

Que balanço pode fazer do “Química das Coisas” (duas séries), a meio da segunda série? Esta série, para já, não poderá ter a mesma recetividade da primeira, dado que não está a passar na televisão… É frustrante?

Só mais tarde poderei fazer uma avaliação global, mas, neste momento, a minha sensação pessoal é que toda a equipa (a começar por mim) foi aprendendo ao longo do processo e, portanto, os episódios da segunda série estão melhores que os da primeira. Mas, o que eu recomendo aos leitores é que não confiem em mim: devem ver os episódios e avaliar por si próprios!Quanto a passar ou não na televisão, é algo que ainda não está definido.

O que sucede é que, neste momento, não conseguimos ter resposta da RTP2, mas confio que eles honrarão o compromisso assumido e não desperdiçarão a oportunidade de ter um bom programa gratuitamente.

 

Os episódios de “A Química das Coisas” estão disponíveis para visualização. A série está disponível ainda na plataforma Sapo Campus da UA, no facebook, Youtube (http://www.youtube.com/user/quimicadascoisas), no Twitter, Vimeo e para o iPad. O vídeo de apresentação da entrevista pode ser visto aqui.

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