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Opinião
(H)À Educação: Fábio Freitas, investigador do CIDTFF da Universidade de Aveiro
Existirão Escolas a formar “Analfabetos” para o Século XXI?
Fábio Freitas escreve sobre educação para a literacia digital
A educação para a literacia e para a literacia digital, em particular, motiva o texto de opinião do investigador Fábio Freitas, do Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro (UA). “Olhemos definitivamente para as escolas como locais de eleição para o desenvolvimento da literacia digital”, desafia o investigador neste texto no âmbito da rubrica (H)À Educação, do CIDTFF.

No próximo dia 8 de setembro, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), assinala em todo o mundo o Dia Internacional da Literacia. Será uma oportunidade para trazer à memória a importância do processo de alfabetização enquanto direito humano. Contudo, na sociedade de informação em que vivemos, podemos ser tentados a pensar que a falta de literacia é coisa do passado. Apesar de consideráveis avanços neste campo, estima-se que 800 milhões de adultos em todo o mundo ainda não sabem ler nem escrever e mais de 122 milhões de crianças, não têm acesso a uma escola.

Porém quando falamos em literacia não podemos limitá-la simplesmente à aprendizagem da leitura e da escrita, mas podemos ampliá-la a outras dimensões, entre as quais a literacia digital. Na verdade, os tempos atuais quase que nos “obrigam” a adotar as ferramentas digitais na nossa vida quotidiana, seja em contextos pessoais, sociais ou profissionais. Desde logo pela organização da sociedade que nos remete para soluções digitais de processos que no passado eram realizados analogicamente (exemplo: SIMPLEX), passando pela massificação das redes sociais e mais recentemente pelas profissões, onde segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) 14% dos empregos atuais têm um elevado risco de automatização.

Mas quando falamos em literacia digital não podemos restringir-nos apenas ao saber consultar uma página de Internet ou utilizar uma rede social. Uma adequada literacia digital está igualmente associada ao desenvolvimento de competências que tornem um estudante num ser pensante e não apenas o reflexo do pensamento dos outros. Nesse sentido, Esther Wojcicki, uma prestigiada educadora norte-americana e pioneira na integração das tecnologias digitais no contexto educativo, afirma que “estamos definitivamente a ensinar os alunos para o século errado, porque as escolas ainda estão a ensinar para um mundo onde as pessoas seguem instruções”. Por outras palavras Wojcicki alerta-nos para o facto de estarmos a educar alunos através de métodos de um mundo que já não existe, ao não adaptarmos as escolas com metodologias que incluam as ferramentas digitais para promoção de competências que auxiliem o aluno no desenvolvimento da criatividade e do pensamento critico.

Olhemos definitivamente para as escolas como locais de eleição para o desenvolvimento da literacia digital, e comecemos de uma vez por todas a formar alunos para o século XXI com as ferramentas do século XXI.

 

(Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)

Fábio Freitas, Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro

Email: fabiomauro@ua.pt

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