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Entrevistas
Pessoas UA: Inês Ribeiro Silva, estudante do Mestrado em Ciência Política
“Estive na Croácia num campo de refugiados”
PessoasUA: Inês Ribeiro Silva
Lidou com a realidade do que é ser um refugiado, privou com eles e fez de tudo para minimizar esta triste realidade. A língua foi uma enorme barreira, mas mesmo assim nunca desistiu, deu-lhes o que de melhor tem, o seu carinho e atenção. Inês Ribeiro Silva tem 21 anos, e é estudante do Mestrado em Ciência Política no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT) da Universidade de Aveiro (UA). Faz parte da Aveiro Smart Business (ASB) e da Associação Cultura e Desporto da sua terra – Poceirão (ACDP), em Setúbal. Ambiciona contribuir com algo seu de forma a mudar um pouco a vida do outro.

Para além de estudar na UA, está associada a alguma atividade?

Sou atualmente Vice-Presidente Interna da Aveiro Smart Business (ASB). Faço ainda parte da Associação Cultura e Desporto de Poceirão (ACDP) que pretende levar dinamismo e atividades culturais e desportivas à freguesia de Poceirão.

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Elementos do departamento de Recursos Humanos da ASB que Inês faz parte

Que funções desempenha quer na ASB quer na ACDP?

Na Aveiro Smart Business, no ano que decorreu, fui diretora de Recursos Humanos, departamento em que deleguei funções inerentes ao mesmo e coordenei uma equipa de nove elementos, também alunos da UA e dos seus polos. No próximo ano continuarei na direção desta Júnior Empresa, como Vice-Presidente Interna. Na Associação de Cultura e Desporto de Poceirão integro os corpos gerentes como vogal e o grupo de dança. Apresentamos musicais e demonstrações das nossas modalidades periodicamente e participamos ainda nas atividades que nos são propostas no concelho de Palmela.

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Inês participa no cortejo da Feira Comercial e Agrícola do Poceirão pela Associação Cultura e Desporto de que faz parte

Considera importante ser uma cidadã ativa?

Acredito que, não apenas enquanto estudante, mas também ao longo da nossa vida devemos ser responsáveis por transformar o meio em que estamos inseridos para melhor. E se podemos e gostamos devemos fazê-lo. Gosto de me relacionar com pessoas, assim como gosto de promover a minha freguesia, que se encontra algo envelhecida, pelo que sinto que posso fazer a diferença neste sentido.

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Inês com o grupo de dança “R´Dancers” da ACDP na apresentação do musical Sparkle

Viveu uma experiência de voluntariado, quer-nos contar como foi?

Estive na Croácia, num campo de refugiados. Entrei em contacto com a AIESEC de Aveiro, informei-me para onde poderia ir e quais as oportunidades. Candidatei-me para diversos países. Fiquei na Croácia que tinha parceria da AIESEC Portugal com a Cruz de Vermelha de Zagreb. Estive numas instalações transformadas em exílio para refugiados. Foi a ‘melhor’ experiência da minha vida, pois pude experienciar a vida daquelas pessoas e perceber as suas fragilidades e os problemas que enfrentavam. Sabia que estar ali poderia minimizar a má situação em que estavam inseridos. Foi esse o principal objetivo deste voluntariado.

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Organização de um torneio de ténis de mesa no centro de refugiados com a participação de Inês

Algum momento que a tenha marcado e que queira partilhar?

Estive muitas vezes tomar conta de crianças dos 4 aos 10 anos. Lembro-me de um caso de dois irmãos, o mais novo tinha 4 anos e dificuldades cognitivas e o irmão mais velho 6. Os pais deixaram-nos porque iam tentar resolver a sua situação e nem sempre voltavam no mesmo dia. Tínhamos de os entregar e eles não sabiam falar inglês. Tivemos de reunir uma equipa de forma a conseguirmos perceber a língua deles, a língua persa, para depois traduzir para árabe e seguidamente inglês. A língua foi uma grande barreira. Entretanto conseguimos encontrar os pais e entregar-lhes os filhos. Tivemos de explicar que não os podiam deixar ali. Os pais saíam muitas vezes e não voltavam logo, deixando as crianças ‘sozinhas’.

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Inês com colegas voluntários numa atividade de encontro e partilha de experiências

Que tipo de atividades praticavam de forma a entreter estas pessoas?

Realizávamos atividades e workshops de forma a passar o tempo daquelas crianças e pais. Muitas vezes passava por tomar conta das crianças, brincar com elas e ensinar-lhes algumas práticas correntes do país em que agora viviam. Tivemos também alguns momentos de partilha com os adultos e a dinamização de algumas atividades para com os mesmos.

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No recreio do centro refugiados, Inês brincava com as crianças

Como conseguiu lidar com esta barreira?

Tínhamos refugiados e colaboradores da Cruz Vermelha que falavam inglês, árabe ou persa e que nos ajudavam na tradução. Quando não estavam presentes, usávamos gestos.

Esta experiência mudou a sua forma de estar e pensar?

Transformou a minha forma de ver as coisas, nomeadamente a crise de refugiados. Ajudou-me sobretudo a colocar-me no lugar do outro e a perceber que nós nunca podemos saber totalmente aquilo por que os outros estão a passar, e como tal não podemos assumir ou esperar que o outro tenha determinado comportamento ou atitude. Não é fácil estar naquela situação. Vim embora e não me foi permitido manter contactos, não sei como vai ser a vida deles. Fomos mentalizados que iriamos apenas minimizar a situação precária em que os refugiados se encontram.

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Grupo de voluntários da AIESEC em Zagreb no ano 2018, com Inês atrás da Bandeira Portuguesa

Numa única palavra como se define?

Ponderada. Penso muito bem antes de dar um passo em frente em qualquer atividade na minha vida. Gosto de desafios, mas penso sempre nas consequências boas e más que os mesmos me podem trazer.

Que sonho gostaria de ver realizado?

Gostava de vir a trabalhar com Organizações Não Governamentais (ONG). Principalmente ao nível dos refugiados e das questões humanitárias. Gostava de contribuir com algo meu de forma a mudar um pouco a vida do outro. É isto que eu ambiciono.

 Um dia vou…

Viver em Espanha. Sinto-me em casa lá.

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A série #PessoasUA pretende mostrar as estórias e vivências das pessoas que fazem a comunidade UA. Se conhece alguém que deva estar aqui retratado, envie-nos uma mensagem para noticias@ua.pt com as suas dicas.

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