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Investigação
Trabalhos de campo decorrem na Costa Nova de 8 a 12 de julho
UA aplica método inovador para o estudo da eficiência na alimentação artificial das praias
Projeto Sandtrack procura avaliar eficácia das medidas de alimentação artificial das praias
No âmbito do projeto Sandtrack, liderado pela Universidade de Aveiro (UA) e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), realiza-se entre 08 e 12 de julho uma campanha de campo no litoral da região de Aveiro com o objetivo de aferir a eficiência das intervenções de alimentação artificial das praias que vêm sendo realizadas, recorrendo à utilização de um método inovador que utiliza traçadores magnéticos, cujo trajeto será monitorizado por via marítima e terrestre.

Liderado pela UA/Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), está em curso desde agosto de 2018, o projeto “Sandtrack - Alimentação artificial das praias: uma metodologia integrada de suporte à gestão litoral”. Este projeto, com duração de 36 meses, conta com a parceria da Universidade de Lisboa e do Instituto Hidrográfico para o estudo dos processos de alimentação artificial de praias.

A alimentação artificial de praias representa uma intervenção de defesa costeira que replica a dinâmica natural, capaz de reduzir os processos de erosão costeira e que preserva os valores recreativos da praia. Na costa portuguesa, e em particular na região de Aveiro, são várias as zonas em que este processo é implementado, seja a alimentação feita na zona exposta da praia (subaérea) ou na zona submersa. No entanto, os processos de dinâmica sedimentar continuam a merecer um esforço significativo da parte da comunidade científica para que estes processos, quando realizados, sejam o mais eficientes possível. É neste âmbito que o consórcio do Sandtrack, com vasta experiência nas questões ligadas à zona costeira, propôs o projeto.

Este projeto tem por objetivo principal melhorar o desempenho das alimentações artificiais, sendo que para o efeito é necessário compreender os processos que determinam a evolução espácio-temporal dos sedimentos. A quantificação das variações morfo-sedimentares em intervenções de alimentação artificial são normalmente realizadas através de levantamentos topo-batimétricos. No entanto, a baixa resolução temporal desses levantamentos dificulta a descrição das mudanças que ocorrem na praia. A utilização complementar de traçadores sedimentares (traçadores fluorescentes ou de tinta normal) para avaliar o transporte sedimentar é considerada uma ferramenta valiosa mas apresenta algumas desvantagens relacionadas com a logística e métodos de amostragem. Por outro lado, a complexidade dos processos físicos nas zonas costeiras (associados à transformação das ondas), bem como as alterações morfológicas que ocorrem a pequenas escalas de tempo, determinando o perfil da praia, e a longo termo, que determinam a evolução da linha de costa, dificultam a previsão precisa da evolução das alimentações de praia com os modelos numéricos morfodinâmicos existentes atualmente.

Tendo em conta os desafios dos métodos clássicos, como acima referido, neste projeto é proposta uma abordagem multidisciplinar inovadora, combinando o uso de traçadores fluorescentes e magnéticos com a modelação numérica, para quantificar o transporte de sedimentos e melhorar a eficiência das alimentações artificiais. Esta abordagem está, nesta fase, a ser aplicada ao estudo de caso da Costa Nova, onde decorre, entre 08 e 12 de julho, uma campanha de campo por via marítima e terrestre, em que está prevista a recarga de vários milhões de metros cúbicos de areia (2 toneladas de traçadores na praia submersa e 500 quilos na praia subárea). A inexistência de impacto ambiental foi condição para a aprovação deste projeto pela FCT, o que foi confirmado pelo comportamento inerte destes traçadores (tal como as areias), sendo que está prevista a participação da Agência Portuguesa do Ambiente nesta campanha de campo.

Numa fase posterior estão previstas várias campanhas de monitorização dos traçadores sedimentares, quer pela via marítima com a embarcação NEREIDE, do CESAM , e uma outra do Instituto Hidrográfico (equipada com magnetómetro), quer pela via terrestre, com recurso ao sistema INSHORE - Sistema Integrado de Alta Resolução para a Monitorização da Erosão de Praias Arenosas.

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