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Investigação
Artigo foi publicado no Journal of Experimental Biology
Lesmas-do-mar conseguem lidar com os riscos de incorporar cloroplastos funcionais
Lesma-do-mar com cleptoplastos (foto de Paulo Cartaxana)
Já se sabia que havia espécies de lesmas-do-mar que se alimentam de algas e que conseguem reter cloroplastos funcionais e de os usar em benefício próprio. Mas esta ousadia, com claros benefícios para a nutrição do animal, tem riscos associados. Investigadores do Departamento de Biologia (DBio) e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), laboratório associado da Universidade de Aveiro (UA), descobriram que a espécie “Elysia tímida” tem formas de mitigar estes riscos.

Os cloroplastos são estruturas sub-celulares que geralmente associamos a plantas e algas, mas também podem estar presentes em certas lesmas-do-mar, como se dava conta em notícia anterior publicada no jornal online da UA. Estas espécies sequestram os cloroplastos das algas que lhes servem de alimento, que uma vez na célula animal passam a designar-se cleptoplastos.

Ora, os cloroplastos são locais de produção de espécies reativas de oxigénio (ROS) com potenciais efeitos negativos para os próprios cloroplastos e para as células hospedeiras. A produção de ROS nos cloroplastos está geralmente associada a situações de luz excessiva. Um estudo recentemente publicado na revista Journal of Experimental Biology (https://jeb.biologists.org/content/222/12/jeb202580), liderado por investigadores do CESAM e do Departamento de Biologia (DBio) da UA, mostra que a lesma-do-mar “Elysia tímida” tem formas de mitigar o stress oxidativo provocado por luz forte. Uma delas é a dissipação de energia sob forma de calor associada à conversão de pigmentos existentes nos cleptoplastos. Outra forma, que envolve um grau de comunicação surpreendente entre os cleptoplastos e as células animais, é a resposta comportamental do animal à luz excessiva. Estas lesmas-do-mar fecham os parápodes (apêndices que se estendem lateralmente a partir do corpo) quando expostas a luz forte, o que provoca uma diminuição significativa da exposição dos cleptoplastos e do stress oxidativo.

Os autores deste estudo concluem que a manutenção de cloroplastos funcionais nestas lesmas-do-mar está, em parte, dependente desta capacidade de fotoproteção.

O trabalho foi desenvolvido no âmbito do projeto "HULK-Cloroplastos Funcionais dentro de Células Animais: Resolvendo o Enigma".

(Foto de Paulo Cartaxana)

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