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Entrevistas
Professores UA: Nuno Lau, professor do DETI e coordenador do grupo de Robótica do IEETA
“O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo”
Nuno Lau coordena o grupo de Robótica do IEETA/DETI/UA
Ao vencer a Liga de Robôs Médios do Festival Nacional de Robótica – “Robótica 2019”, jogando a final com o Tech United (Holanda), atual campeã do mundo, a equipa da Universidade de Aveiro (UA) mostrou que está na crista da onda. Este e outros excelentes resultados são destacados por Nuno Lau, professor da UA e coordenador do grupo de Robótica Inteligente e Sistemas do Instituto de Engenharia Eletrónica e Telemática de Aveiro (IEETA), que fala na vantagem de fazer passar “beleza do conhecimento” aos alunos, porque, como disse Pessoa, "o binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo".

Como define um bom professor? Na sua perspetiva, que caraterísticas deve ter um bom professor?

Eu diria que um bom professor é aquele que consegue passar não só o conhecimento das matérias, mas também a beleza desse conhecimento. Penso que é através do reconhecimento dessa beleza, mesmo que não seja explícito, que o entusiasmo dos alunos pelas matérias pode ser potenciado, resultando numa aprendizagem mais divertida e robusta. Já dizia Pessoa (Álvaro de Campos) que "o binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo".

O que mais a fascina no ensino/na profissão docente?

Será provavelmente um lugar comum, mas para mim um dos pontos mais fascinante é assistir e potenciar o crescimento, em várias vertentes, dos alunos ao longo do tempo. Esse crescimento pode acontecer de forma lenta e gradual, mas também pode ser num clique, em que algo que parecia muito difícil antes passa, depois de uma breve explicação, a ser quase óbvio. Esses momentos são muito gratificantes.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes no(s) curso(s) a que está (esteve) ligado?

A formação da Universidade de Aveiro, em geral, e do DETI, em particular é de excelente qualidade. Os nossos cursos são conhecidos por terem uma muito sólida formação de base, mas também por usarem abordagens de “aprender, fazendo” em que os alunos contactam diretamente com desafios de projetos reais e adquirem as competências para os levar a bom porto. Temos neste momento uma oferta integrada a nível de licenciaturas, mestrados e doutoramentos que cobre bem as áreas da Engenharia Informática e Engenharia Eletrotécnica.

Se lhe fosse pedido um conselho dirigido aos alunos, que conselho daria?

Eu diria para eles aproveitarem bem, em todos os aspetos, o tempo que passam na universidade, mas de uma forma equilibrada e sem que demasiado foco em aspetos extracurriculares os leve a prolongar o tempo que por aqui passam. Nunca desistam dos vossos sonhos.

Houve alguma turma/grupo de alunos/aluno que mais o tivesse marcado? Porquê?

É difícil escolher uma turma em particular. Já tive muitas e todas nos marcam de uma forma ou de outra. Se tivesse de selecionar uma turma, provavelmente, escolheria a turma do primeiro curso do Mestrado em Engenharia de Computadores e Telemática, à qual lecionei as aulas práticas de Arquitetura de Computadores Avançada. Na altura, foi necessário preparar todos os materiais, pois era a primeira edição dessa disciplina, e os alunos do curso, que tinha apenas esta turma, eram muito unidos e com excelente atitude. Vários desses alunos estão agora na UA como docentes do DETI, ou responsáveis nos STIC. Essa turma faz-me também lembrar tempos em que era mais novo.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes (constrangimento/situação agradável)?

É difícil selecionar um episódio desse tipo. Um de que me lembro rapidamente é o de, no início da carreira, ser frequentemente confundido com um aluno.

Tem sido um dos rostos do sucesso da UA na área da robótica, particularmente no futebol robótico (liga de robots médios)… A que se deve esse sucesso?

Penso que o DETI combina algumas características que são muito importantes para esse sucesso. Nomeadamente, a grande capacidade de trabalho dos seus docentes, e em particular dos que estão envolvidos neste projeto, a multidisciplinaridade de conhecimentos/competências que é possível integrar no grupo e o bom ambiente de trabalho que existe. A Robótica é intrinsecamente multidisciplinar e para ter resultados ao nível dos melhores do mundo em aplicações práticas de robots, e o nosso grupo tem-nos alcançado, por exemplo no RoboCup ou no projeto europeu EuRoC, não pode haver nenhuma característica do(s) robot(s) que seja fraca, todas têm de ser excelentes ou muito boas.

Como vê a evolução recente e o futuro nesta área da UA? A equipa tem conseguido renovar-se? O sucesso pode alargar-se a outras áreas da robótica?

As áreas da Robótica e da Inteligência Artificial estão numa fase de rápida expansão a nível mundial. Temos de trabalhar para fazer parte das carruagens da frente nesse comboio que já está em andamento. A UA tem no IEETA um excelente espaço para o laboratório de robótica inteligente. Temos vários projetos a decorrer e outros a iniciar e um dos grandes problemas do momento é arranjar pessoas para trabalhar nestes projetos. Apesar de termos uma entrada sustentada de novos alunos de doutoramento, as restrições orçamentais não têm permitido uma grande renovação da equipa. Resultados recentes, como os já referidos no RoboCup e no EuRoC, mostram que estamos na crista da onda.

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Nuno Lau cita Pessoa: "O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo".

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Traço principal do seu carácter

Manter a calma, mesmo em situações complicadas.

Ocupação preferida nos tempos livres

Ler, viajar.

O que não dispensa no dia-a-dia

Tempo com a filha, ler jornais do dia.

O desejo que ainda está por realizar

Conhecer vários locais, ex: Patagónia.

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