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Entrevistas
Pessoas UA: Rui Marques é assistente técnico no Departamento de Biologia
"Gostei muito de trabalhar no mar em navios oceanográficos"
Rui Marques
O percurso na Universidade de Aveiro (UA) de Rui Marques tem sido notável e excecional. Trabalha no Departamento e Biologia há 39 anos. Neste longo período ligado ao departamento já navegou no mar em navios oceanográficos e na Ria de Aveiro. Recorda a amizade, companheirismo e espírito nestas viagens. Dedica-se à macrofauna bentónica, à montagem de experiências de ecologia, a trabalhos de taxidermia, a preparações histológicas de tecidos animais entre outras atividades. É inventor, entusiasta, adapta-se e aprende facilmente seja qual for a área, e é um amante do bricolage.

Como tem sido a sua vida aqui na UA?

Vim para o Departamento de Biologia há 39 anos, sempre estive aqui. O meu trabalho consiste no apoio a aulas práticas e a trabalhos de investigação.

No apoio às aulas fiz trabalhos de taxidermia, executei preparações histológicas de tecidos animais, preparação de diversos reagentes, montagem de experiências de Ecologia, manutenção de material ótico e colheitas de diversos animais e plantas.

No apoio à investigação, mestrados e doutoramentos, fiz colheitas em vários rios dos distritos de Aveiro e Viseu, na ria de Aveiro, e no mar (desde Vigo até Estreito de Gibraltar e Mediterrâneo). Nestas colheitas colaborei em dragagens para colheita de macrofauna bentónica, colheita de zooplâncton com as mais diversas artes, leitura e tratamento de parâmetros físico-químicos, utilizando para o efeito variados equipamentos de oceanografia. A maior parte destes trabalhos de mar foram feitos em navios oceanográficos, onde já conto vários meses de embarques.

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Algumas atividades que o Rui realiza: cortes histológicos com o micrótomo de Minot e verificação de micro-organismos em microscópios

Ainda desempenha estas funções?

Atualmente dou mais apoio às aulas, preparo o material para os alunos utilizarem nas aulas, colheita de material biológico, faço a manutenção de equipamentos como por exemplo de lupas e microscópios. Trabalhos no mar têm sido menos frequentes. Gosto do que faço.

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Arrumação de plantas no herbário e preparações histológicas

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Alguns dos trabalhos de campo tais como: colheita de fitoplâncton e de insetos

Qual a atividade que mais o marcou?

Gostei muito de trabalhar no mar em navios oceanográficos, onde as pessoas (20 ou 30) vivem durante dias num espaço relativamente pequeno, onde trabalham, comem, convivem e sobretudo se entreajudam como se se conhecessem desde sempre.

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Rui elabora uma montagem de plantas e verifica a coleção de borboletas

Algum momento que gostasse de partilhar?

Num dos meus embarques no “Noruega” (navio oceanográfico do IPMA) durante um mês seguido, gosto de recordar o trabalho de dragagens para recolha de macrofauna bentónica (animais que vivem no substrato dos ecossistemas aquáticos), destinado ao doutoramento do aluno e grande amigo Roberto Martins, trabalhávamos sempre de noite (entre as 19h:00 e as 6h:00), que pela sua enorme dificuldade, e sobretudo pelo trabalho de equipa, onde a colaboração, amizade, aptidão e disponibilidade profissional, espírito sempre presente de entreajuda e de missão comprida estiveram sempre presente entre os dois. Foi maravilhoso e recordo com saudade.

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Rui num navio oceanográfico a colher zooplâncton com o auxílio de redes

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Tratamento do zooplâncton e a preparação de um aparelho de medição de parâmetros na coluna de água (CTD)

Se não tivesse esta profissão, o que gostava de ser?

A vida encaminhou-me para aqui, mas se pudesse seria Engenheiro ou na área da mecânica ou da informática.

O que faz nos seus tempos livres?

Faço bricolage (eletricidade, carpintaria, serralharia, canalizador, jardinagem e tudo o que apareça).

Gosto de cozinhar e claro de consumir o resultado do cozinhado.

Faço umas caminhadas.

"Falo" com o Excel.

Quais as características que o definem?

Sempre tive facilidade em me adaptar a novos desafios, resolver facilmente situações novas, isto talvez por não ter dificuldade em trabalhar em diferentes áreas (talvez por ser um amante incondicional da bricolage).

Quando começámos com a informática fui autodidata e não tive dificuldade de adaptação. A título de exercício de treino, fiz uma folha de Excel (considero o Excel um dos meus pontos altos da bricolage) há mais de 20 anos que calcula e imprime os boletins de ajuda de custo na universidade. Continuo a melhorá-la de ano para ano, boa bricolage!

De que mais sente saudades?

Sinto saudades de quando a universidade era pequena, conhecíamo-nos a todos porque tomávamos café juntos no bar do pavilhão I. A universidade cresceu e ainda bem, não podia ser de outra maneira. É bom saber que evoluiu, mas tenho realmente saudades desses tempos.

Tem algum sonho que gostasse de concretizar?

Tive uns problemas de saúde há uns tempos e desde aí acho que o melhor sonho é termos saúde na companhia de quem nos rodeia. Dar cada vez mais valor às coisas simples, porque elas fazem parte da nossa vida.

Um dia vou…

Misturado com as bricolages, depois de aposentado e para não esquecer o mar e os meios aquáticos por onde passei parte da minha vida, possivelmente irei trabalhar (de vez em quando) em turismo, tripulando moliceiros na ria de Aveiro.

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A série #PessoasUA pretende mostrar as estórias e vivências das pessoas que fazem a comunidade UA. Se conhece alguém que deva estar aqui retratado, envie-nos uma mensagem para noticias@ua.pt com as suas dicas

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