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Entrevistas
Antigos alunos UA: João Baptista Silva, Engenharia Geológica
“Todos os conhecimentos adquiridos na UA têm sido fundamentais”
João Baptista da Silva é empresário e investigador do GeoBioTec
Mais conhecido entre os colegas por João “da Madeira”, João Baptista Pereira Silva quase dispensava apresentações, tal a popularidade que granjeou na comunidade da Universidade de Aveiro. É empresário, divulgador, engenheiro geólogo e investigador da Unidade de Investigação GeoBioTec. É fundador e diretor da Madeira Rochas – Divulgações Científicas e Culturais e da EnGeoMad – Geoengenharia e Consultadoria, criador da marca Terramiga – Produtos Dermocosméticos e Dermoterapêutico, autor e co-autor de vários livros, autor e apresentador das séries televisivas de divulgação científica e cultural (“O tempo escrito nas rochas” e "Pedras que Falam", ambas na RTP), entre várias outras atividades desenvolvidas.

Quais os motivos que o levaram a estudar na Universidade de Aveiro?

Foram dois os principais motivos que determinaram a minha escolha. O primeiro deve-se a uma visita que fiz à minha irmã, em 1987, que estava a frequentar o curso de Engenharia do Ambiente. Gostei imenso. O segundo motivo foi o facto de ter conhecido, através da minha irmã, o aluno finalista do curso de Engenharia Geológica, Eduardo Anselmo Silva (atual Professor no Departamento de Geociências da UA) e o senhor Óscar de Carvalho (antigo técnico do Departamento de Geociências) que prestaram um excelente acolhimento e várias informações sobre o curso, que foram determinantes para a minha primeira opção.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a Universidade de Aveiro?

Sim, porque o curso tinha poucos alunos e havia uma relação muito próxima com os professores e os funcionários. A universidade estava num período de crescimento e expansão.

O que mais o marcou na Universidade de Aveiro? (algum professor/colega/ episódio?)

A maioria dos professores que tive deixou uma marca e cunho na minha vida. No entanto, os professores que mais marcaram foram o Professor Celso Gomes e o Professor Fernando Almeida, pelos seus ensinamentos técnicos, científicos e qualidades humanas e de intervenção social.

O fecho completo durante uma semana da universidade em 1992, por causa da lei das propinas 20/92, na sequência de uma Reunião Geral de Alunos a que eu presidi (era presidente da mesa da Assembleia da Associação Académica) foi um acontecimento que continua gravado na minha memória.

Tenho ex-colegas de curso e amigos da universidade, dispersos pelo mundo, com os quais mantenho contacto regulares, através das redes sociais.

Refiro um episódio muito interessante que aconteceu em setembro 2012, em pleno aeroporto internacional de Toronto, Canadá, quando ouço alguém a chamar o nome João “da Madeira”. Ao virar a cabeça vejo o meu amigo “Pedro Sax”, ex-saxofonista da Magna Tuna Cartola, com quem não estava há pelo menos 15 anos, e que vinha a Portugal fazer uma conferência na Fundação Champalimaud.

Sempre soube qual era atividade principal que queria realizar? Era a atividade de empresário, ou a de Engenheiro Geólogo? A partir de que momento começou a definir as ideias neste capítulo? Foi ao longo da licenciatura?

O curso de Engenharia Geológica e a Universidade de Aveiro, foram as minhas primeiras opções quando fiz a candidatura ao ensino superior, em 1988. Antes de ingressar na universidade trabalhava em serralharia civil e canalização. Sempre tive muitas ideias e vontade de colocá-las em prática. Deste modo, ao longo da licenciatura e do doutoramento, tentei unir o melhor dos dois mundos, o universitário ligado à investigação e à inovação e o da engenharia na resolução de problemas técnicos e na liderança de projetos que envolvem equipas multidisciplinares.

Foi fácil entrar no mercado de trabalho? E avançar para a criação de empresas? Refira os principais fatores que contribuiu para essa facilidade/dificuldade.

Existem sempre medos e receios na criação de uma empresa e na entrada no mercado de trabalho, por mais experiência que se tenha adquirido. A necessidade e a oportunidade permitam criar três empresas com diferentes atividades e âmbitos profissionais: a Madeira Rochas – Divulgações Científicas e Culturais, em 1997, a EnGeoMad – Consultadoria e Geoengenharia, em 2000, e a Terramiga – Produtos Dermocosméticos e Dermoterapêuticos, em 2013.

descrição para leitores de ecrã
João Baptista da Silva foi apresentador e autor de programas televisivos de divulgação científica.

Como descreve o seu dia-a-dia profissional / a sua atividade profissional atual (empresário e investigador na Unidade de Investigação GeoBioTec e no Laboratório de Tecnologia Farmacêutica e do Medicamento da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto)?

Tento fugir e quebrar as rotinas que fazem parte do exercício da atividade profissional e da investigação, envolvendo-me em novos projetos e aceitando novos desafios. O facto de integrar várias equipas de trabalhos com diferentes faixas etárias, saberes e conhecimentos (agricultura, arquitetura, engenharia, construção civil e obras públicas, design, economia, advocacia, agente de seguros e imobiliário, farmacêuticos, médicos, comunicação social,…) têm-me dado a oportunidade de aprender, crescer e ter uma visão global sobre várias áreas de conhecimento.

O que mais o fascina nas suas atuais atividades, como empresário e fundador de três empresas e investigador?

Concretização de ideias e de projetos e presenciar a utilidade dos mesmos.

Sabonetes produzidos a partir de matérias-primas naturais, da terra, e outros produtos são o core business de uma das suas empresas… Quais têm tido mais sucesso e que outros produtos estão em perspetiva?

Neste momento a marca Terramiga – Produtos Dermocosméticos e Dermoterapêuticos, dispõe de 13 produtos no mercado, divididos em três linhas (esfoliação, hidratação e proteção), todos feitos com ingredientes/matérias-primas do arquipélago da Madeira (areia carbonatada biogénica da ilha do Porto Santo, mel de abelhas biológico da Floresta Laurissilva e resíduo da palha da cana de açúcar), que apresentam características únicas. O carater genuíno, diferenciador e de inovação dos produtos já valeu à marca a atribuição de vários prémios e distinções.

Em 2019 vai ser lançada a linha de cremes Vegan, Terramiga Whith Gold, feita com mel biológico de cana-de-açúcar.

Onde se vê daqui a 10 anos?

Não gosto de fazer previsões a longo prazo porque o futuro a Deus pertence.

Possivelmente, estarei envolvido num megaprojeto ou integrado numa instituição, que abrace a causa “do cuidar e proteger a nossa casa comum”. A intervenção humana no Planeta Terra nos últimos dois séculos, tem provocado alterações significativas nos ecossistemas naturais, colocando em causa a estabilidade e o funcionamento dos mesmos. Os geólogos denominam este período Antropoceno, alertando para a magnitude dos previsíveis problemas associados, suscetíveis de colocarem em causa a nossa própria existência.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício das suas atuais atividades? O percurso na UA teve algum efeito no seu caminho profissional? De que maneira?

O facto de, durante quase oito anos, ter sido dirigente associativo na Associação Académica, nos Núcleos de Geologia e de Artes Plásticas, de ter sido membro do Senado e ter passado por muitos outros cargos e funções, foi muito importante para o meu enriquecimento pessoal e estudantil. Nessa altura, os erros cometidos eram desculpáveis e faziam parte do processo de aprendizagem de um dirigente associativo.

Também colaborei em vários trabalhos de campo e de laboratório de docentes do Departamento de Geociências que estavam na altura (1991-1996) a preparar as suas teses de doutoramento. Aqui, tive a oportunidade de aprender e constatar as diferentes áreas de intervenção e competências que um engenheiro geólogo poderia desempenhar na sociedade e na universidade.

Atualmente, no exercício da minha atividade, todos os conhecimentos e experiências adquiridos na UA têm sido fundamentais para saber lidar e gerir recursos humanos e ultrapassar os desafios e obstáculos que vão surgindo, alguns deles inesperados.

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