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Ciclo de visitas da equipa reitoral aos Departamentos
Reitoria regressa à Biologia para refletir sobre estrutura orgânica e conhecer preocupações da comunidade
O Reitor Paulo Jorge Ferreira em visita ao Departamento de Biologia
A estrutura orgânica da Universidade de Aveiro (UA), a política de prestação de serviços, consultoria e I&DT com financiamento direto, a deslocação ao ECOMARE e o estado de execução dos contratos dos bolseiros foram os temas centrais da segunda visita que a equipa reitoral realizou ao Departamento de Biologia, esta segunda-feira, 18 de março.

Os cem lugares do anfiteatro não chegaram para acolher todos os alunos, docentes, funcionários, bolseiros e investigadores que quiseram participar na segunda visita da equipa reitoral ao Departamento. Perto de 150 pessoas não deixaram passar a oportunidade para expor preocupações, fazer reivindicações e apresentar sugestões.

O modelo de organização da UA, colocado em causa pela Agência de Avaliação e Acreditação de Ensino Superior (A3ES) no processo de acreditação, foi o tema que abriu a sessão. Ainda que a UA tenha apresentado um recurso ao Conselho de Revisão em relação à obrigatoriedade de as unidades orgânicas de ensino politécnico da UA deverem ser dotadas de órgãos técnico-científicos e pedagógicos próprios, a reitoria, representada pelo Reitor, Paulo Jorge Ferreira, e pelo Vice-Reitor, Luís Castro, quis dedicar os primeiros minutos da visita a uma reflexão sobre esta temática, por forma a conhecer a posição da comunidade presente.

Os participantes foram unânimes em relação a essa questão. Todos os intervenientes que se pronunciaram a este respeito concordaram que se deve manter a estrutura atual, uma vez que “essa diversidade que se encontra na UA (politécnico e universitário) está refletida na constituição e na estrutura desses órgãos, assegurando uma representatividade proporcional”, porque “a presença no mesmo órgão de representantes de ambos os sistemas origina um debate mais vantajoso” e porque “a UA tem uma posição privilegiada por ter um sistema binária, que permite uma interação entre ambos, mantendo, ao mesmo tempo, a identidade e a missão de cada um”.

Houve, ainda, quem, conhecendo outras realidades, considerasse que esta decisão da A3ES “vem desvirtuar algo que sempre funcionou bem e que é um emblema da própria Universidade”, sugerindo um modelo que irá criar “um nível de ‘gordura’ intermédia na gestão”, “diminuir a agilidade da Universidade como um todo” e que pode colocar em causa a “coesão da instituição”. A reflexão convergiu para uma ideia generalizada de que “o mais importante é manter a unidade na Universidade” e a “agilidade que o modelo matricial proporciona”.

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Anfiteatro do DBio foi pequeno para acolher todos quantos quiseram receber a Reitoria da UA

Alguns participantes sublinharam, no entanto, a necessidade de existirem mais espaços de discussão, a nível departamental, para estimular a discussão na comunidade sobre assuntos mais concretos relacionados com os departamentos.

A sessão serviu, também, para colocar a plateia a par das últimas ações realizadas pela reitoria relativamente a algumas questões que ficaram por esclarecer na primeira visita. Em relação ao orçamento, o Reitor, Paulo Jorge Ferreira, revelou que todos os departamentos viram a sua verba aumentada para 2019, tendo sido contemplada no orçamento uma bonificação para os departamentos com atividade experimental e atividade de campo.

Docentes e investigadores manifestaram a sua preocupação em relação à política da UA de prestação de serviços, consultoria e I&DT com financiamento direto e à sua implicação na participação estratégica da Universidade em decisões relevantes para a região. “A UA não deve perder a oportunidade de participar em todos os dossiers relacionados com questões ambientais da região, nomeadamente os que dizem respeito à Ria de Aveiro, por causa da sua política de overheads", uma vez que “a UA é a entidade que mais know-how e mais informação detém nestes temas”.

A este propósito o líder da Academia de Aveiro comunicou que a reitoria já pensou em alternativas que pudessem fazer face aos elevados valores praticados. “Está em consulta pública, desde 20 de fevereiro, um novo regulamento que impõe um overhead máximo de 20% do orçamento total a todas as atividades. O montante dos overheads cobrados será repartido em partes iguais, sendo uma das partes alocada à Unidade Orgânica ou Serviço e a outra ao orçamento geral da UA. Desta forma, ficamos com uma estrutura de overheads mais ágil e estimulamos a atividade por parte das nossas unidades”.

Paulo Jorge Ferreira aproveitou a ocasião, ainda, para anunciar as próximas três grandes áreas prioritárias da UA que vão fazer dela “uma universidade verdadeiramente interdisciplinar”: Cidades, Energia e o Mar. “Estas atividades de investigação não se resumem a uma área científica, agrupam muitas outras, exigem a colaboração com várias entidades locais, regionais e europeias e a colaboração entre os vários departamentos e unidades da UA. São áreas com um grande potencial, são inovadoras, nas quais já temos algum trabalho realizado e a partir das quais podemos tirar partido das nossas 20 unidades de investigação e daquilo que as une”.

Durante a visita, o Reitor ficou a conhecer, também, as dificuldades sentidas por alguns alunos e docentes na deslocação para o ECOMARE e algumas limitações da infraestrutura em termos de climatização e de espaços de apoio aos técnicos que aí trabalham. No final houve, ainda, tempo para esclarecer os presentes sobre o andamento do processo de execução dos contratos dos bolseiros. De acordo com o Reitor, o núcleo de bolseiros já foi reforçado para dar uma resposta mais rápida, tendo anunciado também que está previsto para breve a instalação na UA de um posto dos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras, para agilizar a obtenção de vistos, e a instalação de um Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM), para prestar todo o apoio necessário às pessoas de nacionalidade estrangeira. “Somos a primeira universidade a ter estes serviços no seu campus”.

Esta iniciativa integra o ciclo de visitas que a equipa reitoral iniciou em novembro de 2018 aos vários Departamentos e Escolas Politécnicas da UA. O seu objetivo é proporcionar oportunidades de reflexão conjunta sobre assuntos importantes para a organização e funcionamento da UA e sobre matérias de interesse para a sua comunidade.

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