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Entrevistas
Professores UA: António Bastos, Departamento de Engenharia Mecânica
“Eu costumo dizer aos meus alunos que daria as aulas de graça, mas já que me pagam, eu aceito”
António Bastos Pereira dirige o TEMA
Professor do Departamento de Engenharia Mecânica desde 2000, António Bastos é ainda diretor da unidade de investigação TEMA – Centro de Tecnologia Mecânica e Automação. Antes de abraçar a carreira académica, foi um dos fundadores e diretor do Grupo Martifer. Justifica a opção pela carreira académica com o “sem-fim de vantagens” que considera estar associado à docência. Ser uma "atividade permanentemente renovada" é uma delas. Como investigador, dedica-se à mecânica de materiais compósitos, entre outros temas.

Como define um bom professor?

É aquele que, além de conhecer e saber a matéria, consegue cativar o aluno durante a aula; que consegue trabalhar a velocidades diferentes durante a lecionação; que se dirige a cada aluno. O bom professor não necessita de marcar faltas aos alunos pois eles vêm às aulas com vontade de aprender. Se o professor for mesmo bom, a dada altura, tem de convencer os alunos a estudarem também para as outras disciplinas.

O que mais o fascina no ensino?

A possibilidade de lidar com mentes que têm vontade de aprender; a felicidade de lidar com novas pessoas todos os anos; o desafio de poder fazer coisas diferentes todos os anos; a vantagem de poder experimentar e melhorar a estratégia de ensino… é um sem-fim de vantagens. Eu costumo dizer aos meus alunos que daria as aulas de graça, mas já que me pagam, eu aceito.

Como qualifica a formação que é dada aos estudantes nos cursos a que está ligado?

A formação no curso de Engenharia Mecânica é muito boa. Naturalmente, pode-se sempre melhorar.

Se quisesse dar conselho aos seus alunos, que conselho daria?

Eu, realmente, costumo dar alguns conselhos aos meus alunos que, naturalmente, dependem da circunstância. O mais importante talvez seja aquele que dou aos alunos finalistas quando eles teimam em fazer uma dissertação perfeita: “Ponham-se a andar que o trabalho espera-vos lá fora; a vida real do Engenheiro não quer o perfecionismo; quer decisões, soluções… e rápido”.

Houve alguma turma que mais o tivesse marcado? Porquê?

Uma turma não. Alguns alunos sim. Nas aulas práticas da UC Tecnologia dos Processos de Ligação (TPL) há alguns alunos que se empenham tão fortemente no desenvolvimento dos trabalhos que eu me vejo “forçado” a dizer: “Vão também estudar as outras disciplinas”.

Pode contar-nos um episódio curioso que se tenha passado em contexto de sala de aula ou com estudantes?

Confesso que me divirto, de facto, a dar aulas. Há uns anos, um dos trabalhos práticos de TPL consistia em efetuar uma soldadura subaquática. Os alunos tentaram fazer isso na UA. Arranjaram uma piscina velha, remendaram-na e encheram-na de água. Foram lá para dentro soldar. Não dava jeito. Tentaram com o corpo cá fora e as mãos submersas na água. Claro que apanharam uns choques de 50 V, coisa que não mata - naturalmente, tive o cuidado de não deixar trabalhar quem tinha pacemaker -, mas diverte muito quem está cá fora a ver. Não desistiram. Pegaram no fato de banho e no aparelho de soldar e foram fazer o trabalho na ria de Aveiro. Digno de se ver.

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António Bastos Pereira considera que associadas à docência há "um sem fim de vantagens".

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Traço principal do seu carácter

Otimista inveterado.

Ocupação preferida nos tempos livres

Passear; ler.

O que não dispensa no dia-a-dia

Sorrir.

O desejo que ainda está por realizar

É segredo.

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