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Opinião
Rubrica (H)À Educação: texto de Cristina Sá, professora do DEP/UA
Quem ensina a língua materna?
Cristina Sá escreve sobre ensino de Português
“A resposta a esta pergunta parece simples, quando pensamos no 1º Ciclo do Ensino Básico. E nos outros níveis de ensino? Serão os professores de Português? Serão todos os professores? E haverá ensino da língua materna na Educação Pré-Escolar?” Cristina Sá, professora do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro, escreve no âmbito da rubrica (H)À Educação, do Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF), publicada em simultâneo no Diário de Aveiro.

Vamos começar… pelo fim.

Na Educação Pré-Escolar, ensina-se a língua materna, na medida em que – de uma forma lúdica – se pretende desenvolver as competências das crianças para comunicarem oralmente e reforçar o contacto com o mundo da leitura e da escrita proporcionado pelas famílias.

Este esforço é fundamental para lhes assegurar uma transição tão suave quanto possível para o 1º Ciclo do Ensino Básico, em que a leitura e a escrita desempenham um papel tão importante. Por algum motivo, nos referimos a este momento como aquele em que se vai “aprender as letras”.

Nos restantes níveis de ensino, é comum pensar-se que ensinar a língua materna é tarefa do professor de Português. Professores e encarregados de educação chamam frequentemente a atenção dos jovens para a ideia de que dominar a comunicação oral e escrita na língua materna é como o código postal: meio caminho andado para o sucesso nas restantes disciplinas. De facto, elas são lecionadas em Português e as suas atividades implicam o domínio da comunicação oral e escrita (por exemplo, quando se lê o enunciado de um problema de Matemática para o resolver ou se escreve o relatório de uma experiência ou ainda se debate soluções para garantir a sustentabilidade em Ciências).

Mas será que as outras disciplinas não podem contribuir de alguma forma para um melhor domínio da língua materna? Afinal desenvolvem competências como o raciocínio, o pensamento crítico, a criatividade ou a sensibilidade estética de que vamos precisar no âmbito do ensino e aprendizagem da língua materna. Então, o professor de outras disciplinas também pode colaborar nesta grande tarefa que é proporcionar a todos os que passam pelos variados contextos de ensino a oportunidade de dominarem a sua língua materna.

E por que se dá tanta importância ao ensino da língua materna? Para garantir o sucesso escolar? É uma ideia importante, certamente. Mas, como a escola, acima de tudo, nos deve preparar para a vida, ensinar a língua materna é, sem dúvida, uma das suas grandes missões, já que tudo – no nosso quotidiano – passa por ela, desde o contexto profissional (em que precisamos de comunicar de forma eficiente oralmente – por exemplo, em reuniões de trabalho – e por escrito – por exemplo, quando precisamos de ler documentos para as preparar ou de redigir a respetiva ata) até ao contexto pessoal (nem que seja para discutir assuntos familiares, decifrar a fatura da eletricidade ou redigir um convite para a festa de anos do filho/a).

Estas preocupações ditam os grandes objetivos de uma parte do trabalho de investigação desenvolvido no Laboratório de Investigação em Educação da Universidade de Aveiro (https://www.ua.pt/cidtff/leip/) em articulação com educadores e professores.

 

(Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)

Cristina Manuela Sá

professora do Departamento de Educação e Psicologia e investigadora do Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro

cristina@ua.pt

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