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Entrevistas
Pessoas UA: António Rato é técnico superior e trabalha nos Serviços de Gestão Técnica e Logística
"O gosto e o empenho que tenho pelos processos criativos é fundamental para os meus objetivos"
António Rato
António Rato trabalha na Universidade de Aveiro (UA) há 21 anos. Tem um enorme e longo percurso ligado às artes. Foi ator e animador. Fazia as delícias das crianças, com a dupla de Palhaços “Pimentinha & Companhia”. Percorreu o país com diversos espetáculos. Hoje em dia desenha e pinta quadros a óleo e a aguarelas. E por fim está a terminar o Mestrado em Criação Artística Contemporânea (MCAC) que afirma com um brilho nos olhos estar a ser uma experiência única e maravilhosa.

Como veio parar à UA?

Vim estudar para o Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCAA). Terminado o curso, ingressei na UA como prestador de serviços. E hoje aqui estou.

Como tem sido o seu percurso na UA?

Iniciei o meu percurso na UA, nos Serviços Financeiros e Património. Mais tarde, passei pela Biblioteca / Serviços de Documentação e também exerci funções nos Serviços de Gestão Académica (Secção de Graus e Títulos) durante cerca de dois anos. Antes de vir para os Serviços Técnicos, hoje denominados como Serviços de Gestão Técnica e Logística (SGTL) tive uma breve passagem pelo Departamento de Comunicação e Arte (DECA).

Quais são as principais tarefas que executa?

No desempenho das minhas funções acompanho toda a gestão contabilística dos SGTL e Centro de Responsabilidade de Conservação e Manutenção da UA. Elaboração de cabimentos, compromissos para além do processamento de despesas (Orçamental) e preparação dos Mapas do Fundo de Maneio, são algumas das minhas funções. Controlo das receitas geradas nos SGTL no âmbito da Gestão dos Parques de Estacionamento da UA (renovações, emissão de cartões, receção e registo da receita). E naturalmente todo apoio de elaboração de informações ao Diretor de Serviços no âmbito do Controlo Orçamental.

Se não estivesse nesta profissão, em qual gostaria de estar?

Gostava de estar ligado à atividade artística. Durante vinte anos percorri o país inteiro na realização de espetáculos para crianças. Fazia dupla com um colega, erámos palhaços. Também fiz teatro amador no Grupo Paroquial de Leça da Palmeira, durante mais de quinze anos e participei em inúmeras peças de teatro. Neste momento continuo ligado às artes, embora numa outra vertente. Estou a terminar o Mestrado em Criação Artística Contemporânea no DECA e por isso continuo ligado a processos criativos, num contexto diferente, nomeadamente à instalação, ao desenho e à pintura.

Que tipo de espetáculos fazia?

Fui ator e animador. Fiz mais de 200 espetáculos durante cerca de quinze anos. Ainda hoje somos dois grandes amigos, mas esse tipo de atividade exige de nós muita disponibilidade. A criação e a preparação de todo o espetáculo exige dos atores muito tempo, dedicação e um enorme esforço. Depois há uma altura da nossa vida que deixamos de ter tanto tempo e o meu colega teve de deixar. Mas o espetáculo sempre fez parte da minha vida.

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António Rato entrou para um grupo de teatro deixando-se levar pelo “bichinho da arte”. Acabou por perceber o porquê de muitos atores se identificarem com o teatro. Um ator de teatro é capaz de passar uma vida inteira encenando o seu papel de forma amadora, sem se importar com o sucesso, sem pensar na fama, pois o prazer é o que o faz continuar aprendendo

Sente saudades?

Sinto muitas saudades. É algo que está dentro de nós.

Qual era o nome da dupla?

Eramos a dupla Pimentinha & Companhia, eu era o palhaço Pimentinha.

Como reagiam as crianças quando os via?

Como é evidente as crianças reagiam sempre muito bem. Com muita alegria e exaltação. Era uma loucura quando entrávamos em cena.

Como era a apresentação do palhaço Pimentinha?

Éramos uma dupla fantástica. Vestíamo-nos a rigor. Cabeleiras, sapatos de palhaço, roupas bastantes largas, coloridas e divertidas. A nossa pintura de face era a mais tradicional. 

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Com a animação infantil, António Rato e o colega criavam momentos memoráveis conquistando sorrisos. As produções eram programadas com rigor e atenção a todos os detalhes e ambicionavam superar as expectativas dos espetadores e, sobretudo, das crianças (António à direita na foto à esquerda, e na foto à direita António esta à esquerda)

Alguma história engraçada?

Posso contar duas histórias bastantes engraçadas e significativas.

Uma delas bastante interessante. Fomos fazer um espetáculo para a Associação Nacional de Cegos (ACAPO) em Lisboa. Uma experiência incrível. As crianças sentiram o espetáculo de uma forma ainda mais hilariante e divertida. A nossa atuação e representação tinha uma pequena história e enredo. Participaram e perceberam na perfeição tudo o que se passou em cima do palco. Uma maravilha!

A outra, um pouco mais divertida. Fomos fazer um espetáculo a Gondomar para uma Escola Secundária. Os públicos muitas vezes não eram fáceis e muitas vezes para acalmá-los dizíamos que no final, tínhamos balões para todos. Bem, nesse mesmo espetáculo já depois de ter terminado e de nos preparamos para sair das instalações, para nossa grande admiração, tínhamos uma fila de mais de 100 miúdos. Queriam balões!!! Bem, não foi fácil!

O que gosta de fazer nos seus tempos livres?

Gosto muito de andar ao ar livre. Gosto de ir à praia, de sol, do mar. Mas como é óbvio, gosto imenso de pegar num lápis, numa borracha, num pincel, numa tela. Procurar estar inspirado e desenhar.

Como descobriu este dom para desenhar?

Desde muito novo que gosto imenso de desenhar. Com o tempo e muitas horas de prática consegui aprimorar as minhas técnicas de desenho.

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António Rato dedica algum do seu tempo livre combinando tintas com diversas cores através de pincéis, proporcionando assim um imenso prazer ao artista que se propõe a utilizar as técnicas das artes plásticas. A criatividade harmoniza momentos de admiração e satisfação tanto ao autor como aos observadores e admiradores do produto final de cada artista

Existe alguma história que gostasse de partilhar que o tenha marcado?

A experiência que estou a ter atualmente no mestrado está a ser extremamente gratificante e compensadora. Estou na fase final que é a elaboração da dissertação (Trabalho Final) e mesmo que não consiga terminar (que sei que vou) já não dou por tempo perdido.

As pessoas que conheci, os projetos onde estive envolvido, os trabalhos que realizei, as aulas a que assisti, toda a informação que me foi dada, o que estudei, as pessoas que foram e são para mim uma permanente inspiração, são mais do que motivos positivos e estimulantes para dizer que tudo isto já valeu a pena! E no fim tenho a certeza que vou chegar à conclusão que quando terminar estaria pronto para voltar a fazê-lo de novo. Quando comecei o mestrado não tinha bases de formação artística até porque venho da área da Contabilidade. A minha adaptação não foi fácil. Mas a experiência, o gosto, o empenho e a dedicação que tenho pelos processos criativos é fundamental para conseguir alcançar os meus objetivos. Isto também me abriu outras portas, novos caminhos, novos horizontes permitindo-me iniciar uma vasta investigação.

Sempre gostei de pintar e desenhar, mas sentia que estava limitado no tempo e no sentido de criar novas experiências. Senti que poderia crescer, ter um acompanhamento intelectual diferente, conhecer, aprofundar, sair da minha área de conforto e suscitar novos conhecimentos académicos.

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Realização de um projeto para o Mestrado em Criação Artística Contemporânea que António Rato frequenta. Aqui é retratada a construção do pensamento e dimensão, que procura atingir. Edificar uma relação de autoconfiança com a produção artística pessoal e conhecimento estético, procurando estabelecer relações, da pintura e do desenho com o som, respeitando a própria produção

De onde vêm estas inspirações?

Aveiro é a cidade onde vivo. Tudo o que esteja relacionado com a cidade, com os lugares carismáticos, dá-me inspiração para os pintar. Como sou natural de Matosinhos também estou ligado àquela zona do país, ao Porto. Como estou unido a estas duas cidades dedico-me mais à paisagística. Também desenho e pinto tudo que esteja relacionado com o mar e a nossa costa marítima.

Estes quadros que embelezam o seu gabinete são pintados com que tipo de material?

São quadros pintados a aguarela, mas gosto fundamentalmente de pintar a óleo. São meras experiências que fui fazendo e considero que ficam e resultam muito bem nesta parede.

descrição para leitores de ecrã
António Rato tem o seu gabinete decorado com obras suas, com lugares bem conhecidos da cidade de Aveiro

Que sonhos ainda tem por concretizar?

Tenho muitos sonhos, mas não me importava de dedicar a minha vida exclusivamente ao espetáculo (teatro e animação) e naturalmente ao Processo Criativo.

Um dia vou…

Realizar muitos dos meus sonhos.

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A série #PessoasUA pretende mostrar as estórias e vivências das pessoas que fazem a comunidade UA. Se conhece alguém que deva estar aqui retratado, envie-nos uma mensagem para noticias@ua.pt com as suas dicas.

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