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Entrevistas
Pessoas UA: Nicole Muchangos, estudante do Mestrado em Estudos Ambientais
"Gostava de ser uma profissional de ambiente marinho reconhecida"
Nicole Muchangos
Apaixonou-se desde cedo pela Universidade de Aveiro (UA) e pela cidade de Aveiro. Fez a Licenciatura em Ciências do Mar, durante esse tempo esteve envolvida em várias atividades e associações. Voltou para a sua terra, Maputo, onde estagiou em algumas empresas. Regressou a Aveiro para estudar novamente. Está no Mestrado em Estudos Ambientais com novas atividades e novos desafios. Luta para que estudantes de outros países se sintam em casa e se tornem mais próximos da UA. Confessa ser fascinada pelo seu País e pela área em que se formou. Nicole Muchangos tem 24 anos e é natural de Maputo, Moçambique.

Porque escolheu a UA?

Numa das vezes que vim a Portugal foi para visitar a minha irmã, devia ter 14 anos, ela estava a fazer a licenciatura em Engenharia Geológica e sem dar por mim, apaixonei-me pela Universidade. Cinco anos depois ingressei para a Licenciatura em Ciências do Mar. Desde o secundário que sempre soube que a minha vocação seria trabalhar com áreas ligadas ao mar, e desde aí que assumi que toda minha vida profissional girasse à volta disso.

Como foi a sua vivência enquanto estudante?

Enquanto estudante, fiz parte da Associação Moçambicana em Aveiro (AMOAVE) de estudantes e simpatizantes, que permitiu que construísse amizades que até hoje permanecem. Permitiu o contacto com outras associações existentes em Aveiro de outros países não só africanos. Durante os meus quatro anos em Aveiro sofri racismo psicológico. No início fazia-me confusão porque era nova, mas soube lidar com isso. Hoje acredito que a maior parte das reações são por causa "do novo e do diferente" e não necessariamente por maldade. Juntamente entrei para o Núcleo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) da Associação Académica para responder à necessidade dos estudantes. Como não depende de mim sinto que não houve sucesso, ou pelo menos não teve o impacto que eu gostava que tivesse tido. Ainda fui secretária no Núcleo de Ciências do Mar, o que foi para mim uma experiência enriquecedora e ainda me atrevi a fazer o primeiro nível de Alemão e de Chinês.

Entretanto, voltou ao seu país?

Terminei o curso em 2016. Regressei para Maputo e tive a oportunidade de estagiar em três instituições. No Instituto de Investigação Pesqueira (departamento de Oceanografia), no Instituto de Meteorologia (nos três departamentos existentes) e no Porto de Maputo. Cada um destes estágios sem dúvida enriqueceu-me e ajudou-me a direcionar a escolha do meu atual mestrado, mas sempre na vertente marinha, que é o que até hoje me impulsiona.

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O Ximilian é uma embarcação de levantamento batimétrico e durante o percurso no Porto de Maputo, Nicole estava encarregue de orientar todas as atividades relacionadas com trabalhos de sondagem

Há alguma história que a tenha marcado e que queira partilhar?

Já participei em muitos voluntariados, programas e seminários. Sou muito curiosa e gosto do que é novo. Fui uma das escolhidas para o programa Erasmus Mundus – curso de Verão na Grécia, eramos seis em que cinco eram portugueses e eu era a única "estrangeira" que ia representar a UA mais concretamente Portugal. Foi uma experiência única. Quando me inscrevi foi apenas como uma descontração, não acreditava que de quinze estudantes eu seria uma das escolhidas. A partir daí comecei a acreditar mais em mim, no meu potencial, foram quinze dias num país lindíssimo, pessoas de outros países todos numa cultura diferente.

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Nicole numa oportunidade única de sentir que mesmo não sendo portuguesa e uma vez agregada à UA pode representar Portugal num programa Erasmus na Grécia

Estas experiências mudaram a Nicole de hoje?

Sim sem dúvida. Desenvolvi habilidades, aprendi bastante e mais uma vez construí amizades espalhadas pelo mundo. Lembro-me de chorarmos imenso no dia em que tivemos de ir embora, voltamos para Portugal e ainda estávamos muito nostálgicos.

Porque decidiu regressar à UA?

Decidi regressar, porque adoro a simplicidade da cidade, tem o seu encanto e brilho, as pessoas são mais acolhedoras em relação a algumas outras cidades de Portugal. Como frequentei a licenciatura, gostei da experiência e agora o meu mestrado é lecionado em inglês o que torna este meu regresso único. É como se tivesse chegado aqui pela primeira vez.

E voltou a ocupar os seus tempos livres?

Sim. Estou novamente no Núcleo CPLP 2018-2019 desta vez na coordenação como financeira, temos atividades promissoras pelo que quero as comunidades voltem a sentir-se parte da UA e que possamos criar novamente esse vínculo que ao longo do tempo parece que se vai perdendo.

Há alguma ocupação que tenha fora da UA?

Dou explicações como voluntária nas Florinhas do Vouga a crianças do 1º ciclo uma vez por semana. Ajuda-me muito a quebrar a rotina, para além de adorar estar com crianças. Também pratico yoga e muita meditação.

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Nicole está envolvida em diversas atividades, entre elas dá explicações como voluntária na Instituição de Solidariedade Social, as Florinhas do Vouga e pratica Yoga. É uma forma de quebrar o seu stress diário

Quem são os seus ídolos?

Os meus ídolos são os meus pais e irmãs. Não digo isto por serem a minha família, mas pelo que eles representam na minha vida. Os quatro em algum momento souberam e sabem ser não só pai, mãe e irmãs, mas são amigos, são compreensivos, sempre tive o apoio incondicional deles, várias vezes podia ser motivo de entristecê-los, mas nunca, em momento algum abandonaram-me. São pessoas fortes e realizadas, são inteligentes e tenho muito orgulho neles.

Há algum país que gostasse de conhecer?

Conheço quase todos países da Europa Ocidental. Na altura da licenciatura, uma das minhas irmãs estava a passar férias no Japão, fui visitá-la e estive lá um mês e meio. Foi super divertido e diferente. Tinha uma grande amiga também que na altura vivia na Malásia e juntou-se a nós. Conheço alguns países perto de Moçambique, mas o que eu verdadeiramente gostaria de conhecer é Moçambique. Conheço metade das províncias (Sul e Centro), mas gostava de conhecer o resto. Temos uma paisagem incrível, praias cristalinas, cultura única. Gostava de enriquecer-me mais como moçambicana.

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Uma das viagens feitas pela Nicole foi ao Japão. Esteve lá um mês e meio numa visita a uma das suas irmãs que também passava férias

Como se vê daqui a 10 anos?

Daqui a 10 anos gostaria de estar em Moçambique, a contribuir com todos estes conhecimentos que estou a adquirir, sinto que ainda faltam profissionais em diversas áreas, e mesmo sendo um país em desenvolvimento acredito ainda que é um dos mais ricos do mundo.

Que sonho gostaria de ver realizado?

Gostava de ser uma profissional de ambiente marinho reconhecida.

Um dia vou…

Escrever um livro não só didático, mas uma biografia minha. Tenho histórias interessantes que gostaria de partilhar.

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A série #PessoasUA pretende mostrar as estórias e vivências das pessoas que fazem a comunidade UA. Se conhece alguém que deva estar aqui retratado, envie-nos uma mensagem para noticias@ua.pt com as suas dicas.

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