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Opinião
(H)À Educação
O que podemos nós oferecer a quem nos escolhe para uma experiência Erasmus?
Margarida Pinheiro, professora do ISCA-UA, escreve sobre as experiências Erasmus
"Para além da oportunidade que os estudantes, docentes e não docentes da UA têm de se aventurarem por outros países e outras culturas de que já falámos em crónicas anteriores, há o outro lado da questão: o que podemos nós, UA e Aveiro, oferecer a quem nos escolhe para viver uma experiência Erasmus? Tudo, diria eu! A começar pela natural forma de estar dos portugueses: acolhedora e cativante". Margarida Pinheiro, professora do ISCA-UA, escreve no âmbito da rubrica (H)À Educação da unidade de investigação CIDTFF,em simultâneo com o Diário de Aveiro.

A Universidade de Aveiro (UA) é uma instituição parceira do programa de mobilidade Erasmus. Quem nos visita fala da língua (ficámos a saber que na China já falam português em algumas instituições e essa é uma motivação para os estudantes daí originários). Quem nos visita diz que somos diferentes na forma de pensar, na forma de agir. Quem nos visita diz que o nosso custo de vida lhes é favorável, porque conseguem fazer mais com o mesmo ou menos dinheiro do que fazem no respetivo país de origem. Quem nos visita e já passou por cá antes, fala de algo que não tem no dicionário mas que aprendeu a sentir da primeira vez que nos visitou: saudade. Quem nos visita diz que somos um povo com uma mente aberta, disponível a aceitar as diferenças e a acolhê-las. Quem nos visita fala da nossa natural apetência para conversar, para um sorriso pronto, para ajudar. Quem nos visita fala da capacidade que temos da reter quem passa por cá e de atrair quem vem a primeira vez. Quem nos visita diz que é fácil comunicar, porque quase todos falam pelo menos um pouco de inglês, nas ruas, nas lojas, nos serviços. Quem nos visita fala da boa impressão que retira duma consulta inicial no Google: Portugal e a UA são giros, agradáveis e passam uma imagem muito simpática para quem procura informação. Quem nos visita refere um estilo de vida mais tranquilo que em muitos outros países. Quem nos visita diz que os nossos dias são maiores que os deles, porque jantamos mais tarde. Quem nos visita fala de sol, calor, muitas diferenças na paisagem. Quem nos visita fala de viagens. Fala de Lisboa, do Porto, dos Açores e da Madeira, de Braga, do Douro, do Algarve e do Alentejo. Quem nos visita refere que encontra muita oferta de onde ficar.

Quem fala da UA fala de metodologias capazes de envolverem os estudantes de forma continuada ao longo do semestre. Quem fala da UA fala da surpresa das aulas não começarem à hora marcada, …, mais um quarto de hora académico de tolerância. Mas dizem isto com uma gargalhada, entendem que é uma caraterística nossa que sabe bem e ajuda a descontrair. Quem fala da UA fala de como a rede Erasmus de apoio na UA (como a Erasmus Student Network - ESN) os recebe de braços abertos, estendidos e calorosos, capazes de desfazerem nós da alma ou outros mais práticos quando alguns se veem a muitos quilómetros de casa e se sentem mais sós. Quem fala da UA fala de budies bem preparados para ajudarem, que ultrapassam barreiras para mostrarem que sabem receber e resolver questões. Quem fala da UA fala de uma instituição com muitas culturas que não discrimina parceiros. Quem fala da UA fala da possibilidade de interação fácil com outros estudantes Erasmus, aventureiros da mesma fornada, ou fala das oportunidades que o desporto ou outros interesses conjuntos que a UA oferece podem ter como catalisadores de novos amigos. Quem fala da UA fala dos amigos e familiares que os vieram visitar, do orgulho que sentem ao mostrarem a cidade e o campus.

Quem escolheu viver em Portugal e na UA refere crescimento pessoal. Refere desafios superados, novas perspetivas do mundo e da vida. Quem escolheu viver em Portugal e na UA refere maior capacidade de abertura aos outros e de comunicar, de levar tudo isto dentro si e da perspetiva que tem de notar essa mudança, ainda mais intensamente, depois de regressar a casa. Porque os espaços serão os mesmos, mas eles estarão diferentes. Mais fortes! Mais independentes! Mais autónomos! Mais seguros de si mesmos! Mais capazes de lidarem com as suas zonas menos confortáveis! Mais capazes de enfrentarem o que vida lhes vai fazer viver! Quem escolheu viver em Portugal e na UA antecipa o sentimento que está a prever experienciar: saudade.  Quem escolheu viver em Portugal e na UA fala num processo de aculturação, na sua essência: aprender, integrar, adaptar.

Opiniões várias e variadas, pessoais, recolhidas de entrevistas realizadas com estudantes Erasmus que têm passado pela nossa UA e que deram e continuam a dar o mote para vários e interessantes trabalhos de investigação.

Portugal e Universidade de Aveiro, porque não?

Margarida Pinheiro,

Investigadora do Centro de Investigação “Didática e Tecnologia na Formação de Formadores” (CIDTFF) da Universidade de Aveiro e Professora Adjunta do ISCA-UA

(Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico e publicado em simultâneo com o Diário de Aveiro)

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