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Entrevistas
Pessoas UA: Amélia Ribeiro é assistente operacional e trabalha no Departamento de Biologia
"Quero ser voluntária, quero ir para o hospital ajudar os outros"
Amélia Ribeiro
Amélia Ribeiro, trabalha na Universidade de Aveiro (UA) há quase 39 anos e é natural da Régua. Começou como telefonista no atual Centro Hospitalar do Baixo Vouga - Hospital Infante D. Pedro. Uma fatalidade abanou violentamente a sua vida e durante 32 anos ocupou o seu percurso profissional com dois trabalhos, um no Teatro Aveirense e outro na UA. Admite que apesar das dificuldades por que passou, se considera uma pessoa feliz e futuramente quer ajudar os outros, pois sempre gostou do contacto com o público.

Como veio parar à UA?

Sou orgulhosamente de raízes transmontanas mas vim para Aveiro tinha 15 anos procurar futuro, na cidade. Fui a primeira telefonista do atual Centro Hospitalar do Baixo Vouga - Hospital Infante Dom Pedro, naquela altura chamava-se Hospital da Misericórdia e as enfermeiras eram freiras, um ambiente rigoroso. De tal forma que, um dia recebi uma chamada de um namorado de uma enfermeira e transferi essa chamada, uma freira soube e colocou-me de castigo no tanque, ou seja, tive de lavar roupa à mão. Nem eu nem os meus pais toleraram tal injustiça e aí deixei o hospital e fui trabalhar para a Casa de Saúde da Vera Cruz, hoje Colégio de Santa Joana. Fiz aí bonitas amizades, vi muita gente aveirense nascer, cresci. Conheci o meu primeiro namorado, que veio a ser meu marido e pai dos meus filhos. Profissionalmente quis crescer e fui para o Teatro Aveirense, onde estive 32 anos. Uma fatalidade abanou violentamente a minha vida, fiquei viúva com 29 anos e foi aí que vim trabalhar para a UA, pois fiquei com dois filhos e a necessidade de lhes dar o melhor falou mais alto. Tive de assumir dois trabalhos durante 32 anos para que nada lhes faltasse.

Onde começou a trabalhar?

Comecei a trabalhar no Departamento de Biologia, bem no início de tudo. Trabalhava como mulher a dias paga à hora, na altura era assim. Mais tarde abriu concurso e fiquei como auxiliar administrativa, estive de apoio à secretaria e no auxílio da preparação das salas de aulas, tempos estes muito felizes e ricos em vivências e camaradagem. Entretanto passei para auxiliar técnica e atualmente sou assistente operacional.

O que guardará na sua memória nesta passagem pela Instituição?

O que mais recordarei desta minha passagem pela UA será sempre os muitos anos do muito que aprendi ao serviço da secretaria do Departamento de Biologia. Era no serviço de atendimento ao público que mais aprendia, que mais podia dar de mim.

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Foto lado esquerdo: Amélia do lado direito quando era telefonista no Hospital da Misericórdia. Foto lado direito: Amélia recebe um diploma elaborado pelos alunos do departamento como a "funcionária mais prestável"

Como era a sua vida diária?

Saía às 18h00 da UA, dava jantar aos filhos para às 19h30 estar Teatro Aveirense, deixava os meus filhos numa vizinha que era como família, ainda hoje os meus filhos lhe chamam de avó. Foi uma vida muito dura, mas sempre de cabeça erguida.

Neste tempo que trabalhei no departamento conheci muito dos nossos professores que foram nossos alunos e os meus filhos também fazem parte da família UA, trabalham cá os dois. Crescemos todos a par do crescimento da própria UA.

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Amélia no Teatro Aveirense: foto lado esquerdo, no escritório; foto lado direito, com os seus colegas

Quais as funções que desempenha atualmente?

Como disse já fiz um pouco de tudo e sempre disposta aprender, nos tempos atuais, mais precisamente acerca de um ano para cá, o meu auxílio é mais técnico, na preparação e manutenção de alguns utensílios para as aulas práticas. Coloco "pontas" em caixas, loiça de laboratório na máquina de lavar, esterilizo material para aulas práticas, faço o que é preciso e quando me pedem colaboração. Estou em formação contínua como costumo dizer.

Se pudesse escolher a sua profissão o que gostava de ser?

Enfermeira. Só não fui, porque sou a mais velha de sete irmãs e tive de trabalhar muito cedo.

Quando trabalhei no hospital eu tirava o soro aos doentes, colocava-lhes o oxigénio, fazia-lhes curativos, dava-lhes o lanche e ligava para a equipa médica de serviço. Gosto deste tipo de tarefas, eu não era apenas telefonista.

Considera-se uma pessoa feliz?

Sim considero, tive maus momentos, desafios duros, mas sou feliz. Lidei com pessoas muito boas, que souberam reconhecer o meu valor, que muito me ensinaram e me inspiraram. Tive o privilégio de no Hospital de Aveiro e na Casa de Saúde aprender a lidar com a “fragilidade da vida”, com o teatro Aveirense ter a oportunidade de consumir cultura e aprender a olhar para “o lado belo da vida”, e com a UA o constante “querer aprender”…

Que sonho gostaria de ver realizado?

Dedicar ao voluntariado, quero ir para o hospital ajudar os outros.

 O que mais lhe dá prazer quando tira a bata que usa?

Estar com os meus filhos e netos, absorver da doçura e da alegria deles, fazer caminhadas e quando tenho tempo fazer croché. Nunca estou parada!

Um dia vou…

Ajudar as pessoas que precisam, quero ser voluntária!

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A série #PessoasUA pretende mostrar as estórias e vivências das pessoas que fazem a comunidade UA. Se conhece alguém que deva estar aqui retratado, envie-nos uma mensagem para noticias@ua.pt com as suas dicas.

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