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45 anos da Universidade de Aveiro
UA: um caminho de superação e da “vontade de aprender e de evoluir”
Na cerimónia do 45º aniversário da UA: Manuel Castilho, Etelvira Baltazar, José Marques, Conceição Lopes e Francisco dos Santos (Berta Marques não pôde estar presente)
Foram os 13 primeiros estudantes da Universidade de Aveiro (UA). Chegaram em 1973 para o Bacharelato em Engenharia de Telecomunicações, o primeiro de todos os cursos da Academia de Aveiro. Para a UA, nascida nesse ano, a Berta, a Conceição, a Etelvina, o Francisco, o José, o Manuel e os restantes sete colegas foram os pioneiros de uma companhia ilimitada que abriu caminho, semeou, floresceu e deu incontáveis frutos ao longo dos últimos 45 anos.

Numa viagem no tempo, a Linhas regressa a 1973, ao encontro desses seis primeiros estudantes a concluírem o curso. Nesse ano, o então ministro da Educação Veiga Simão, assinava o decreto que autorizava a cidade de Aveiro a erguer uma universidade.

O objetivo do documento não deixava margem para dúvidas quanto ao porquê de fazer nascer entre as universidades seculares de Coimbra e do Porto uma instituição de ensino superior.

Nas mãos, Veiga Simão tinha estudos que indicavam que o tecido empresarial da região, mais concretamente o ligado à eletrónica e telecomunicações, precisava de ajuda. Para crescer, essas indústrias careciam de profissionais com uma qualificação que só uma universidade podia dar.

“Conforme constatamos nos dias que correm, estava próxima a explosão do avanço nas telecomunicações e na informática”, lembra hoje o antigo estudante Francisco Ferreira dos Santos que, tal como todo o grupo dos primeiros alunos, sublinha a ação e a visão de três homens fundamentais para o lançamento dos alicerces da UA: o ministro Veiga Simão, o Governador Civil de Aveiro, Vale de Guimarães, e José Ferreira Pinto Basto, um dos principais responsáveis pela criação, em 1950, do Grupo de Estudos de Comutação Automática que daria origem, em 1972, ao Centro de Estudos de Telecomunicações (CET) dos CTT em Aveiro – futura Portugal Telecom e, posteriormente, Altice.

O CET foi, aliás, decisivo para conquistar a assinatura de Veiga Simão tal era já o potencial económico para o país numa aposta no mercado emergente das telecomunicações, assim houvesse profissionais à altura. Por isso, a missão de os formar constituiu o primordial papel da UA.

Por isso, a Berta, a Conceição, a Etelvina, o Francisco, o José, o Manuel e a restante turma eram trabalhadores dos CTT. Muitos já tinham constituído família. Entre o trabalho, as responsabilidades familiares e os estudos, a história de cada um deles é de superação, a par com o próprio nascimento da UA.

As memórias, algumas, demoram a tomar formas. Outras estão muito bem presentes na arca onde as recordações guardam as emoções.

“Está bem patente na nossa memória a superação que fizemos perante as dificuldades pessoais e as inerentes ao início dum estabelecimento de ensino, como a aquisição de material de estudo, a qual foi colmatada pela camaradagem entre alunos e professores, alguns destes residentes em Aveiro, outros em Coimbra e no Porto”, lembra Etelvira Baltazar. De facto, a UA nasceu em instalações cedidas pelo CET, num espaço longe de ser o ideal para o ensino e aprendizagem. Mas “a vontade de aprender, de evoluir e de almejar por uma melhor carreira profissional”, como lembram alguns dos antigos alunos, falou sempre mais alto.

No caso de Etelvira Baltazar, por exemplo, “as bases na UA permitiram-me profissionalmente exercer funções técnicas e de chefia no Departamento de Compras e Planeamento na Portugal Telecom”.

Para além da formação académica recebida, a “camaradagem e amizade entre colegas e o profissionalismo e competência dos professores”, 45 anos depois, está muito bem presente na memória de José Marques.

Para trás, na memória de todos, está bem presente um abraço sentido a todos quantos os que direta ou indiretamente os ajudaram, aos colegas com os quais partilharam “momentos de preocupação e incerteza” e à própria UA pela possibilidade que lhes proporcionou “na aquisição de conhecimentos e no desenvolvimento pessoal”.

A melhor memória de todas, lembram Berta Marques e Etelvira Baltazar, foram as palavras ditas na cerimónia de final do curso: “Estiveram aqui a aprender a aprender e agora, no trabalho concreto, é que vão evoluir. Um engenheiro é aquele que tem engenho e arte para aprender seja o que for”. Este é o lema que, da UA, os seis primeiros estudantes a concluírem o curso levaram para a vida toda.

 

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Berta Mara de Oliveira Marques, 66 anos

"Passados 45 anos é com muita satisfação que vejo que a UA se tornou numa grande referência nacional, bem como no estrangeiro devido ao ensino e investigação. Considero que a Universidade que nasceu connosco criou as bases para um ensino de excelência, que é como hoje é a UA. Pessoalmente, passados 45 anos, olho para a UA como um estabelecimento de ensino inovador e a que vale a pena pertencer".

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Francisco Ferreira dos Santos, 69 anos

"Das minhas memórias destaco a visão do Prof. Veiga Simão, do Dr. Vale de Guimarães e do Eng.º José Ferreira Pinto Basto, pois o arranque da UA a eles se deveu. Desses tempos, enquanto estudante, assinalo como mais relevante a solidariedade e a entreajuda de todos os colegas (e também dos professores) para enfrentar o arranque de uma nova Universidade com as carências inerentes a essa condição.

Conforme constatamos nos dias que correm, estava próxima a explosão do avanço nas Telecomunicações e na Informática. Durante estes 45 anos a UA consolidou-se, prestigiou-se e é hoje líder no Ensino Universitário o que, como pioneiros que fomos, nos faz sentir orgulho em a termos frequentado".

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Conceição Carvalho Lopes, 77 anos

"Guardo como grandes memórias da época em que estudei na UA a ótima camaradagem entre colegas, até porque já nos conhecíamos todos dos CTT, onde trabalhávamos. Sempre tive orgulho de ter sido aluna da UA, não só pela sua origem, como pelos brilhantes académicos que dela têm saído, sobretudo no domínio da investigação.

Passados estes 45 anos, penso que, pelo nível a que se guindou, no contexto das novas Universidades, é de louvar todos os que se empenharam pela sua criação e localização, nomeadamente o Sr. Eng. Pinto Basto, um grande aveirense".

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José Nunes Marques, 69 anos

"A autorização para o nascimento da UA foi, àquela data, de uma enorme irreverência e coragem. Foi, de facto, uma grande oportunidade para a região e para o país. Hoje confirma-se o êxito preconizado pelos seus fundadores. Por isso a minha sincera homenagem ao Dr. Veiga Simão, ao Dr. Vale de Guimarães e ao Engº. Pinto Basto pela sua coragem e visão do futuro.

Como melhor memória da época em que estudei na UA guardo a formação académica recebida, a camaradagem e amizade entre colegas e o profissionalismo e a competência dos professores. Quero também realçar o enorme orgulho que sinto por fazer parte do conjunto dos primeiros alunos diplomados".

 

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Etelvira Correia Baltazar, 70 anos

"Um facto que nos marcou, não só pela conjuntura nacional, mas pela dúvida em que termos se iria desenvolver o ensino, foi o 25 de Abril. Mas a partir daí, a UA continuou a seguir, de algum modo, as diretivas do projeto da “Reforma do Ensino Superior”, o qual se destinava a dar resposta a necessidades de natureza prática, pelo que o curso se focou nas Telecomunicações, na Comunicação Social e no Inglês. Foi assim um ‘laboratório’, onde houve avaliação contínua, testes com consulta e exames. Valeu a pena porque nos preparou para diferentes situações.

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Manuel Nunes Moura Castilho, 80 anos

"Já estava a estudar na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Coimbra quando me foi dada a possibilidade pelos CTT, onde era técnico de telecomunicações, de frequentar a recém-criada UA. Tinha 35 anos, era casado e tinha uma filha. A escolha de ir para UA comportava alguns riscos: teria a nova universidade sucesso? Obteria nesta universidade as competências correspondentes ao meu projeto académico? Seria prudente perder o que já tinha obtido? Mas também vantagens: tinha todo o tempo livre para me dedicar ao estudo, não tinha cortes no ordenado e o curso versava sobre a área tecnológica em que já operava.

Felizmente que os mentores do projeto, os professores e os alunos que finalizaram o curso acreditaram sempre que era possível superar todas as contrariedades. Foi com muito orgulho que, ano após ano, pude observar o crescimento e prestígio da UA, uma Universidade que também é minha".

Nota: este artigo foi publicado na edição número 30 da revista Linhas

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