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Investigação
Conclusões preliminares do trabalho de doutoramento mereceram notícia no Brasil
Doutorando da UA mostra que quase 40% do quarto maior bioma do Brasil de perdeu
Joaquim Freitas estuda medidas de regeneração da Caatinga Brasileira
Aluno de doutoramento do Departamento de Biologia (DBio) da Universidade de Aveiro desenvolve estudo sobre a Avaliação de Oportunidades de Restauração Florestal na Caatinga Brasileira, o quarto maior bioma presente no Brasil, abrangendo 10 estados, sobretudo no Nordeste. As conclusões preliminares já revelam que se perdeu cerca de 40% deste bioma, continuando a sofrer pressão humana, sobretudo pela atividade agropecuária.

O estudo de Joaquim Freitas, estudante da UA, sob orientação de Paulo Silveira (DBio) e coorientação de Felipe Pimentel (Universidade Federal de Pernambuco), em parceria com o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), pretende caracterizar os usos e ocupação do solo no Bioma e aplicar uma metodologia de escolha e seleção de áreas para atividades de restauração florestal que possam beneficiar os habitantes do bioma. A ideia é que o planeamento se traduza em políticas públicas que possam ser adotadas pelos municípios e estados onde a Caatinga existe.

Mesmo em estágio inicial, a pesquisa já revela dados alarmantes. Apenas 59,4% da área do bioma Caatinga permanece hoje como forma de floresta. O principal uso do solo, que contrasta com as florestas, é atividade agropecuária (pastagens e plantações) que ocupa 37,97%.

O estudo analisará ainda as condições das Áreas de Preservação Permanente (APPs), estatuto previsto no código florestal (lei 12.651/2012) que deve ser de proteção integral, ou seja, floresta na sua totalidade. Essas áreas estão localizadas em margens de cursos hídricos, grandes declives e áreas de elevada altitude. Como resultado inicial dessa análise, é possível observar que apenas metade (50,3%) das áreas de margens de rios estão preservadas com floresta. Por outro lado, 43,23% dessas áreas estão ocupadas irregularmente por cultivos e pastagens. Este dado mostra a necessidade de se conhecer melhor a situação de aplicação da legislação ambiental brasileira e apontar o caminho das políticas para sanar os passivos identificados.

A tese identificará áreas onde a restauração florestal deverá ser prioritária, de forma a garantir a sustentabilidade hídrica, energética e alimentar das populações. A análise das necessidades das populações, bem como uma análise integrada das variáveis ambientais, permitirá a elaboração de um produto que seja contextualizado com a região e, se posto em prática, poderá incrementar a prestação de serviços dos ecossistemas do bioma. Por exemplo, a reflorestação será benéfica para o requilíbrio hídrico, fundamental numa área semiárida como esta.

O quarto maior bioma do Brasil

A Caatinga Brasileira é o quarto maior bioma presente no Brasil, abrangendo 10 estados. É a região semiárida mais populosa do planeta, com quase 30 milhões de habitantes, segundo o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estando a maior parte da sua população em situação de fragilidade socioeconómica, muito dependente dos sistemas naturais para sua sobrevivência (utilização de lenha, caça, cultivo, entre outras atividades) e exposta aos efeitos das secas frequentes. Sobretudo localizada na região Nordeste do Brasil, a Caatinga é constituída principalmente por formações florestais de caráter xerófilo (que estão adaptadas à escassez de água), sendo um bioma endémico no Brasil, com uma grande biodiversidade. A Caatinga é historicamente negligenciada na produção de conhecimentos científicos e políticas públicas para sua conservação, quando comparado aos demais biomas brasileiros. 

O tema foi destaque em um jornal de grande circulação no Estado de Pernambuco (Brasil), como mostra o link: https://www.folhape.com.br/noticias/noticias/meio-ambiente/2018/11/05/NWS,86472,70,645,NOTICIAS,2190-PERNAMBUCO-PERDEU-METADE-CAATINGA-DIZ-ESTUDO.aspx

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