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Debate “Humanos do futuro” decorreu na UA a assinalar dois anos da rede GPS
No futuro os humanos vão morrer de quê?
Diana Magalhães, Carlos Fiolhais, Sílvia Curado e Joana Magalhães participaram no debate
Onde fica a fonteira entre o humano e o não humanos? Entre o que o homem faz e o que a inteligência artificial pode fazer? Entre a intervenção no genoma que previne doenças e uma intervenção que "melhore" os humanos? Entre a naturalidade da morte por doença e a eventualidade do viver sem limite de idade? Estas perguntas ficaram a pairar no final do debate “Humanos do futuro” que assinalou dois anos da rede de cientistas GPS.

O debate “Humanos do futuro”, promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), em parceria com a Universidade de Aveiro, no âmbito do Mês da Educação e da Ciência assinalado por aquela fundação e do segundo aniversário da rede Global Portuguese Scientists (GPS), decorreu com a participação de três mulheres cientistas com experiência internacional registadas nesta rede. As intervenções de Diana Prata, líder do Grupo de Neurociência Biomédica do Instituto de Biofísica e Engenharia Biomédica da Universidade de Lisboa (com uma bolsa-projeto Marie Curie), Sílvia Curado, professora e diretora de investigação na New York University (NYU) School of Medicine e Joana Magalhães, antiga aluna da UA e investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Investigação Biomédica da Corunha (INIBIC), foram moderadas por Carlos Fiolhais, professor da Universidade de Coimbra e conhecido divulgador de ciência.

Na abertura, perante Gonçalo Matias, diretor de Estudos da FFMS, o Reitor da UA, Paulo Jorge Ferreira, confessava o seu interesse pessoal pelo tema do debate que aconteceu na UA e o agrado pelo tema escolhido para enquadrar os vários eventos promovidos pela FFMS ao longo do mês de novembro: o Mês da Educação e da Ciência.

Diana Prata estuda como a inteligência artificial, em concreto, soluções de software, pode ajudar a analisar imagens médicas para prevenir doenças, neste caso, as doenças do foro neurodegenerativo, como Alzheimer. Defende que, no futuro, os diagnósticos e a prescrição do tratamento em patologias podem vir a ser feitos com recurso à inteligência artificial. O médico passará a acompanhar e a garantir que o processo não contém falhas e a dedicar-se à investigação. Diana Prata desenvolve estas soluções de software no âmbito das atividades de uma spin off designada NeuroPsiAI que presta serviços às equipas de radiologia que, por sua vez, preparam diagnósticos para os neurologistas.

Editar o genoma: com que limites?

Sílvia Curado falou do caminho da genética até à medicina personalizada. De como começa a ser possível inverter o processo de diferenciação de uma célula de um determinado tecido humano para a tonar uma célula indiferenciada e, a partir daí, tonar a célula indiferenciada uma célula diferenciada que possa ser usada com fins terapêuticos. A investigadora em Nova Iorque explicou também como já é possível intervir em partes do genoma para o corrigir e, assim, evitar a expressão de uma determinada patologia que era previsível a partir da análise do genoma de um determinado indivíduo.

O caminho traçado na intervenção de Sílvia Curado leva a várias questões: onde ficará a fronteira entre a edição genética para prevenir doenças e a intervenção para melhorar as caraterísticas de um ser humano? Até que ponto é legítimo que se altere as caraterísticas genéticas de um bebé de forma irreversível? Ou, tendo em conta os diferentes enquadramentos legislativos e políticos nos países que fazem ciência, quem vai e em que condições se avançará neste conhecimento e na prática da edição do genoma?

Joana Magalhães, antiga aluna de Biologia da UA, dedica-se à engenharia dos tecidos e ao estudo novas formas de tratamento da osteoartrose ou artrose, através da aplicação de biomateriais e células estaminais que se diferenciam em condrócitos (células da cartilagem). A antiga aluna da UA e investigadora na Corunha explicou os estudos em que tem vindo a participar que vão no sentido de resolver estas patologias, ao contrário das soluções terapêuticas em uso atualmente que apenas atenuam o problema e não o solucionam. Aludiu ainda à tendência das novas terapêuticas, incluindo as que tem estudado, que vão no sentido de terapêuticas cada vez mais personalizadas e sustentáveis.

As três intervenções mostraram como a evolução da ciência na área da saúde e, em concreto, do diagnóstico e das terapêuticas médicas, caminha no sentido de uma personalização cada vez maior das soluções terapêuticas, do prolongamento da vida, colocando novos problemas éticos sobre os limites da intervenção do homem. Entre vários outros, problemas de desigualdade no acesso aos cuidados de saúde e quanto aos limites e finalidades da intervenção no corpo humano.

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