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Opinião
Amanda Franco e Rui Marques Vieira, investigadores do CIDTFF - Departamento de Educação e Psicologia da UA
Como preparamos estudantes universitários de hoje para desafios de amanhã?
Os investigadores Rui Marques Vieira e Amanda Franco
Pensar criticamente é a chave para resolver os desafios que temos e teremos de enfrentar enquanto cidadãos do mundo. Mas o que é o Pensamento Crítico? De que forma está ou não a ser estimulado nos estudantes? Em artigo de opinião, Amanda Franco e Rui Marques Vieira, investigadores da UA na área da Educação, lançam o desafio aos professores: Venham aprender a cultivar o Pensamento Crítico entre os vossos alunos.

Querendo falar-se de Pensamento Crítico, torna-se inevitável falar de questões intimamente associadas como, por exemplo, os desafios (presentes e futuros) que enfrentamos enquanto indivíduos, trabalhadores, cidadãos. Torna-se inevitável falar, também, da importância da formação de professores no que concerne a promoção das "competências do século XXI".

A importância destas competências encontra-se plasmada em documentos nacionais e internacionais. Se olharmos, por exemplo, para o Quadro Europeu de Qualificações, antecipam-se certos conhecimentos, aptidões/capacidades e atitudes para cada nível no ensino superior. Aqui, vemos o Pensamento Crítico tornar-se mais evidente ao longo dos níveis de referência. O mesmo acontece no mundo do trabalho, pois encontramos uma lista de características que definem o "trabalhador ideal" em 2020 e, também, em 2030, com o Pensamento Crítico a merecer lugar de destaque. A sua relevância emerge, então, quer no contexto académico quer no mundo do trabalho. Mas não só. O Pensamento Crítico surge como relevante na vida de todos os dias, com estudos a apontarem uma relação favorável entre o pensar criticamente e a boa tomada de decisão na vida quotidiana, com resultados positivos para si e para os outros.

Mas a que é que nos referimos quando falamos de Pensamento Crítico? A uma forma superior de pensamento constituída por capacidades (e.g., interpretar, inferir, argumentar), atitudes (e.g., deliberação, curiosidade, reflexividade), uma base de conhecimentos (pois não se pensa criticamente no vazio) e critérios de pensamento (e.g., rigor, validade, cientificidade), que se emprega no dia a dia, de modo a "pensar bem", a tomar decisões, a resolver problemas.

Embora reconhecido como crucial, pensar criticamente não é fácil, intuitivo, ou o efeito secundário da frequência do ensino superior. Com efeito, se efetivamente queremos promover o Pensamento Crítico, ele tem que ser incluído – deliberada, explícita e sistematicamente – nas práticas educativas, seja qual for o contexto. Para isto acontecer, é antes forçosa formação de professores, também do Ensino Superior. É preciso apoiar os professores a aprenderem que estratégias e que práticas são orientadas para a promoção do Pensamento Crítico, para que eles depois possam criar oportunidades para tal em sala de aula. Referimo-nos a estratégias como o questionamento, debate orientado, trabalho colaborativo, utilização de mapas concetuais. Isto no contexto de um ensino deliberado, explícito e sistemático, em que há prática continuada, bem como a referência a situações do dia a dia, com feedback personalizado, para que os estudantes possam melhorar a forma como pensam.

Pressupõe-se um compromisso institucional para que o Pensamento Crítico seja potenciado na sala de aula e no campus, com os professores a terem apoio para introduzirem inovação nas suas práticas, impulsionando-se o desenvolvimento de pensadores críticos. Neste sentido, temos em vigor um projeto de investigação voltado para a promoção do Pensamento Crítico no contexto da formação de professores, prestando esse apoio aos docentes da UA. Convidamos os docentes da UA que pretendam, neste ou no próximo ano letivo, formação e supervisão das suas práticas, que contactem por e-mail: afranco@ua.pt.

Nota: O projeto de investigação de pós-doutoramento de Amanda Franco (SFRH/BPD/122162/2016) é financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto UID/CED/00194/2013.

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