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Distinções
Trabalho de Bruno Neves quer pôr fim aos testes de sensibilização cutânea em animais
Investigador da UA entre os finalistas do LUSH PRIZE 2018
O investigador Bruno Neves
Bruno Neves, investigador no Instituto de Biomedicina da Universidade de Aveiro, está entre os finalistas do Lush Prize 2018. O investigador português concorre com 56 projetos provenientes de 17 países ao prémio de 350 mil libras e que tem como objetivo substituir por completo os testes em animais.

Os projetos estendem-se em várias áreas tais como a investigação científica, campanhas de consciencialização sobre a utilização de animais em laboratório, formação para cientistas e grupos de pressão a reguladores e legisladores para substituir os animais por outros métodos.

Bruno Neves está nomeado na categoria de Ciência pelo seu trabalho com ensaios de toxicidade de sensibilizadores cutâneos, testes para os quais ainda não existem alternativas aos testes em animais. O investigador faz parte de um grupo de trabalho que trabalha nesta área de investigação há mais de 15 anos: “o teste por nós desenvolvido integra informações obtidas em experiências com linhas celulares humanas (in vitro), reatividade química (in chemico) e química computacional (in silico). Permite a identificação de compostos químicos que causam alergia na pele e a sua categorização de acordo com a potência, isto é, se são alergénios fracos, moderados ou fortes”, explica.

“Estamos neste momento na fase final de otimização e validação do teste e temos contado para tal com a colaboração da Cosmetics Europe, a associação comercial europeia para a indústria cosmética e de cuidados pessoais”, aponta Bruno Neves.

“Como investigador compreendo que há áreas de atividade científica onde a experimentação animal é ainda uma das únicas formas de se fazerem avanços significativos, como por exemplo para a compreensão e tratamento de certas patologias. No entanto, penso que devem ser feitos todos os esforços ao alcance da comunidade científica para limitar ao estritamente necessário esses testes”, diz o investigador.

Para além deste projeto, o grupo iniciou recentemente o desenvolvimento de um ensaio para detetar compostos químicos que possam causar alergia respiratória e para o qual também ainda não há alternativa aos ensaios em animais.

No que toca a estes ensaios o investigador afirma que “devem ser feitos todos os esforços ao alcance da comunidade científica para limitar ao estritamente necessário esses testes”, e que “no caso concreto da Toxicologia, área que normalmente associamos à experimentação animal para bens e produtos de consumo como cosméticos, produtos de higiene ou de limpeza, foram dados na última década, grandes passos na redução ou mesmo eliminação da experimentação animal. Por exemplo, atualmente no espaço da OCDE já não é permitida a comercialização de cosméticos que tenham sido testados em animais”.

O Lush Prize, uma colaboração entre a Lush e a britânica Ethical Consumer Research Association, é o maior prémio anual no setor dos testes em animais. Na sua sétima edição, o prémio já distribuiu o valor de 1,86 milhões de libras (cerca de 2 milhões de euros) entre projetos de 28 países.

Os vencedores do Lush Prize 2018 serão escolhidos por um painel de especialistas em setembro, em Londres, e serão anunciados numa cerimónia de entrega de prémios emnovembro.

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