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Entrevistas
Antigos alunos UA – Bárbara Cartagena Matos, licenciada em Biologia e mestre em Ecologia Aplicada
Aluna da UA entusiasta da Ecologia Comportamental foi uma das seis premiadas com a bolsa doutoral BIODIV
Bárbara Cartagena Matos é licenciada em Biologia e tem mestrado em Ecologia Aplicada pela UA
Diz sempre ter tido uma enorme atração pela Ecologia Comportamental de animais selvagens, entusiasmo que já a levou a vários pontos do mundo. Grilos, macacos-barrigudos, lontras-marinhas e baleias já foram o seu objeto de estudo. Bárbara Cartagena Matos, licenciada em Biologia, gostou tanto da experiência na Universidade de Aveiro (UA), durante a licenciatura, que decidiu voltar para realizar o mestrado em Ecologia Aplicada. Recentemente, foi uma das seis premiadas com a bolsa doutoral BIODIV.

Bárbara Cartagena da Silva Matos, 26 anos, é licenciada em Biologia, com mestrado em Ecologia Aplicada - ambos os graus obtidos pela Universidade de Aveiro - e sempre teve um grande espírito de aventura e paixão pela área de Ecologia comportamental de animais selvagens. Enquanto estudante da UA, colaborou em vários projetos de investigação fora do País relacionados com o comportamento, ecologia e conservação animal. Nomeadamente, na Finlândia, onde participou num estudo com grilos; na Amazónia, cujo trabalho com macacos-barrigudos originou a publicação de dois artigos científicos; no Rio de Janeiro, onde trabalhou com golfinhos, e no Alasca, onde fez investigação sobre lontras-marinhas. Já em Portugal, esteve a bordo de navios cargueiros em rota para a Madeira e Cabo Verde, onde participou num projeto de pesquisa sobre baleias do Norte Atlântico. Com a bolsa doutoral BIODIV, frequenta o doutoramento em Biodiversidade, Genética e Evolução no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c), na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Quais os motivos que a levaram a estudar na Universidade de Aveiro?

Apercebi-me, desde cedo, que queria ter um trabalho ao ar livre e relacionado com animais, mas foi a minha professora de Biologia do 12º ano que me aconselhou a candidatar-me à UA, pelo seu prestígio na preparação e apoio a jovens estudantes biólogos, principalmente aqueles que gostariam de enveredar pela vertente de campo, mesmo fora de Portugal. Gostei tanto da minha experiência na UA durante a licenciatura, que decidi voltar para prosseguir com o Mestrado.

O curso correspondeu às suas expectativas? E a Universidade de Aveiro?

A licenciatura em Biologia na UA surpreendeu-me pela autonomia que esta instituição proporciona aos seus alunos na exploração de diferentes áreas, tanto dentro da própria UA como fora de Portugal. A par disso, são-nos facultadas várias saídas de campo com diferentes professores e investigadores que são uma mais-valia para a investigação, mas também promovem outros valores, como a socialização, a partilha e a solidariedade. Posteriormente, o tipo de ensino e apoio académico mais individualizado durante o mestrado em Ecologia Aplicada influenciaram positivamente o meu percurso, incentivando-me, por exemplo, a escrever e a publicar alguns artigos científicos.

O que mais a marcou na Universidade de Aveiro (algum professor/colega/ episódio)?

São vários os episódios que guardo na memória, que ocorreram ao longo dos sete anos que estudei na UA. Refiro-me, por exemplo, às saídas de campo às Berlengas e à Serra da Lousã, onde dei os meus primeiros passos de bióloga de vida selvagem, junto com os meus colegas (que agora considero amigos para a vida) e professores. Também guardo na memória todo o tempo que passei fora de Portugal, através da UA, e sinto-me grata pelo reconhecimento que a Universidade me demonstrou pelo sucesso que fui obtendo. São vários os professores pelos quais sinto uma imensa gratidão, e dos quais relevo, o professor Miguel Barbosa, de estudos de conservação marinha, o professor Carlos Fonseca, diretor do mestrado em Ecologia, e o professor Eduardo Ferreira, com quem tive o prazer de publicar o meu mais recente artigo científico sobre as tendências de extinção dos mamíferos carnívoros de Madagáscar.

Tinha intenção, antes da formação na UA e das participações em trabalhos de investigação, de desenvolver a atividade principal atual – bióloga/investigadora? A partir de que momento começou a definir as ideias neste capítulo?

Sim! Desde os 5 anos que sabia que queria trabalhar com animais; mais tarde, com 14 anos, ajustei o meu intento para o estudo de mamíferos selvagens de grande porte, e, desde os 22 anos (quase há 5 anos) que me tenho vindo a especializar em Ecologia, Comportamento e Conservação de mamíferos marinhos. Neste momento, o meu maior objetivo é entender a sua importância ecológica, fazer passar esta informação à sociedade e, assim, ajudar à sua conservação.

Foi fácil começar a carreira profissional nesta área? Refira os principais fatores que contribuíram para a facilidade/dificuldade.

Enquanto estudante, e desde que entrei na universidade em 2009, tenho aproveitado todas as oportunidades que me foram surgindo, nomeadamente, ERASMUS na Finlândia, onde fiz voluntariado em laboratórios de comportamento animal; pesquisa de campo na Amazónia com primatas, de onde surgiram duas publicações científicas; estágio no Rio de Janeiro com golfinhos; voluntariados a bordo de navios cargueiros para investigação da ocorrência de cetáceos na Zona Económica Exclusiva de Portugal; candidatura à bolsa Fulbright que me permitiu fazer uma investigação de 5 meses para a tese de mestrado com lontras-marinhas no Alasca. Mas, foi quando terminei o mestrado, que me deparei com uma realidade dura em Portugal – dificuldade em entrar no mercado de trabalho. Após 5 anos fora de Portugal, eu queria trazer para cá aquilo que aprendi lá fora, e não queria voltar a ficar longe da família e amigos. Durante um ano, fui viver para Lisboa, a fim de criar novos contactos com investigadores portugueses, na área de estudo de mamíferos marinhos. Paralelamente, candidatei-me a várias empresas de consultoria ambiental, empresas de turismo de observação de cetáceos e diversas bolsas de investigação. Contudo, acabei por ficar um ano a trabalhar como rececionista da escola JAYA Aerial Lab – uma escola de dança aérea e Yoga. Estava prestes a desistir de Portugal e tentar novamente a sorte no estrangeiro, quando recebi a boa noticia que uma das minhas candidaturas tinha sido bem-sucedida – a bolsa doutoral BIODIV do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações ambientais (cE3c), em Lisboa. Tinha, finalmente, a oportunidade de trabalhar novamente com cetáceos e a sua conservação em Portugal! Numa retrospetiva, constato que a maior dificuldade consiste no facto de não haver apoios suficientes à investigação marinha em Portugal. Todavia, a minha capacidade e perseverança encaminhou-me para o sucesso.

Como descreve o seu dia a dia profissional?

Durante este primeiro ano inicial na bolsa doutoral BIODIV, a minha atividade incide, sobretudo, na participação em vários cursos avançados e seminários. Frequento também rotações laboratoriais à minha escolha, dentre as quais optei por aprender novas técnicas de amostragem de cetáceos no mar nas ilhas e no Algarve, aprender a lidar com programação estatística, e analisar sons acústicos. Além disso, também fui convidada a dar uma palestra na UA, aquando da terceira edição das Jornadas de Mar, em maio. Durante os próximos meses, estarei a preparar o projeto de tese do doutoramento. O meu dia-a-dia é um pouco variável, entre horas passadas no computador a escrever relatórios/manuscritos científicos e análise de dados; algumas reuniões com orientadores e colegas do programa doutoral, e outros investigadores portugueses na minha área; e ocasionais viagens de trabalho para realizar saídas de campo.

O que mais o fascina nessas suas atuais atividades?

Em primeiro lugar, não tenho uma rotina específica, o que muito me agrada, pois num dia posso estar oito horas no computador, no outro posso estar a voar para a Madeira e passar dias no mar entre baleias e golfinhos. Em segundo lugar, saber que trabalho numa área com objetivos tão nobres e ter a oportunidade de partilhar momentos no mar, de cortar a respiração, com estes animais selvagens no seu habitat natural, nunca me cansa, e é, sem dúvida, uma das coisas mais fascinantes do meu dia-a-dia.

Como bióloga/investigadora, quer deixar um conselho aos jovens recém-formados que pretendam seguir esse percurso?

Ter em mente que oportunidades geram oportunidades e trabalho gera trabalho. Não é preciso ter genes de génio para se ser bem-sucedido nesta área, mas sim, ser ousado, saber aproveitar oportunidades, ser esforçado, ser apaixonado pelo trabalho e pela investigação, e não se contentar com nada menos que a excelência.

Tem alguma outra atividade paralela que queira referir? Como descomprime do stresse do dia a dia?

Infelizmente, como aluna de doutoramento, sinto a pressão dos prazos a cumprir, e também de não desiludir os meus orientadores. Não obstante, sinto sempre uma enorme gratidão por poder estar a trabalhar na área que mais gosto. Quando estou no mar a coletar dados dos animais, gosto sempre de tirar uns minutos para simplesmente estar ali com eles, vê-los brincar perto do barco. Dentro das atividades mais mundanas, considero-me uma pessoa ativa, com vários gostos e hobbies diversos, mas os meus preferidos são cozinhar comida vegetariana, e, sempre que a carteira permite, viajar!

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício das suas atuais atividades? De que maneira?

Sem dúvida, aprender a trabalhar no campo e criar contactos. A UA permitiu-me sair da minha zona de conforto, vezes e vezes sem conta, principalmente com programas de intercâmbio. Com certeza, se não tivesse sentido o apoio da UA nas minhas primeiras viagens como estudante, não teria, hoje em dia, o espírito de aventura necessário para me sentir realizada em termos pessoais e profissionais. Obrigada UA!

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