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Entrevistas
Antigos alunos UA – Vítor Martins, licenciatura em Marketing
Sinto-me um embaixador não oficial de Portugal, mas também um embaixador da UA
Vítor Martins: o orgulho em ser português em ter estudado na UA
“A Universidade de Aveiro proporcionou-me conhecimento, método e competências. Tenho um grande orgulho em ser português e um grande orgulho em ter estudado na UA. Aveiro é nosso e há de ser! Aveiro é nosso até morrer!”. Vítor Martins, antigo aluno de Contabilidade e de Marketing e diretor de Marketing e Distribuição no Banque BCP, em França, termina assim a sua entrevista como antigo aluno. “Sinto-me um embaixador não oficial de Portugal, mas também um embaixador da UA”, exclama.

Vitor Martins tem 37 anos, frequentou a licenciatura em Contabilidade e Administração e obteve a licenciatura em Marketing na Universidade de Aveiro (UA). Mais tarde, concluiu um mestrado na Sorbonne, em Paris. Hoje, é diretor de Marketing e Distribuição no Banque BCP, em França (Banco que pertence ao Grupo BPCE - segundo maior Grupo Financeiro Francês - e que tem o Millennium BCP como acionista minoritário). Tendo como principal missão transformar a experiência cliente e a experiência colaborador, é igualmente Digital Champion na 89C3 (Digital Factory), membro do Comité Digital da Caisse d'Epargne Ile de France. Foi, recentemente, distinguido como BigBoss Vitalício (Distinção atribuída pela maior comunidade Francesa que reúne decisores de Marketing Digital e Comércio Eletrónico), sendo um dos 500 portugueses e luso-descendentes mais influentes de França.

Quais os motivos que o levaram a estudar na Universidade de Aveiro (UA)?

A UA apresentou-se como uma escolha óbvia pela imagem de modernidade e inovação que sempre teve, pelo facto de ter sido pensada em forma de campus universitário que é um elemento facilitador da partilha e da vida académica, e escolha óbvia também pela proximidade geográfica com São Pedro do Sul de onde sou originário. O primeiro momento em que tive a certeza que tinha feito uma boa escolha foi quando cheguei ao meu departamento e li uma inscrição que dizia "Aqui admite-se a dúvida".

O curso correspondeu às suas expectativas? E a UA?

Tive o privilégio de frequentar a licenciatura de Contabilidade e Administração do ISCA-UA. Foi a minha primeira experiência académica na UA e, embora sendo um curso que não me realizava totalmente e que não terminei, permitiu-me obter conhecimentos e competências fundamentais para o meu percurso profissional. Após uma pausa nos estudos, voltei e integrei a primeira edição da licenciatura de Marketing que foi uma experiência fantástica, não só pelo facto de corresponder à minha personalidade e a algo que me realizava intelectualmente, mas também porque, tendo feito ali a primeira promoção, permitiu-me a mim e aos meus colegas participar na construção e na promoção do curso, da Universidade e da Cidade.

Quanto à UA e tendo já realizado um Mestrado na Sorbonne em Paris, há algo que gostava de dizer: estudar na Universidade de Aveiro é estudar numa instituição moderna, inovadora, aberta de espírito, aberta à cidade e às empresas. E estudar numa Instituição que oferece tudo o que um aluno necessita para preparar de forma estruturada e consistente a sua carreira. A todos os que estudaram na UA deixo uma mensagem: tenham orgulho, sejam embaixadores! Eu sou!

O que mais o marcou na UA? (algum professor/colega/episódio?)

Tendo tido a oportunidade de frequentar duas formações na UA, muitos são os momentos, pessoas e acontecimentos que me marcaram.

Tive a oportunidade de ter um papel ativo no mundo associativo e ter sido membro do Conselho Geral da Universidade em representação dos alunos. São momentos marcantes do meu percurso. Mas, o que mais me marcou foi o lançamento do ActUAliza-te (na altura, o acordo ortográfico não estava em vigor). Pensado por alunos da primeira edição da Licenciatura de Marketing, este evento mereceu, desde o primeiro dia, o apoio do ISCA-UA e dos Professores da Licenciatura de Marketing (José Albergaria, Belém Barbosa, Raquel Reis Soares, Raul Martins, Francisco Picado e tantos outros) dos SASUA, na pessoa do saudoso Mestre Hélder Castanheira, e da Universidade de Aveiro, na pessoa do Reitor Manuel Assunção. Um evento que permitiu confirmar este espírito de abertura da Universidade e a sua capacidade de empreendedorismo. Num curto espaço de tempo pensou-se e executou-se a primeira edição daquele que é hoje um evento de referência em Portugal e que muito contribuiu para a promoção da Universidade, do curso, dos alunos, dos professores e da Cidade. Tive o privilégio de apresentar a primeira edição e de poder ver, a partir do palco, o brilho nos olhos de todos aqueles que construíram o evento e a quem agradeço profundamente.

Tinha intenção, antes da formação na UA, de desenvolver a atividade principal atual - Marketing e Transformação Bancaria? A partir de que momento começou a definir as ideias neste capítulo?

Sinceramente, acho que ninguém sonha trabalhar num Banco (pelo menos enquanto criança) e eu não fujo à regra. A Banca surgiu por acaso na minha vida, quando realizei um estágio de verão. Acabei por gostar e por dar prioridade a possibilidade de ter um emprego estável. A questão é que eu tenho necessidade de novos desafios e, já depois de ter terminado a minha Licenciatura e numa altura em que era Gestor de Cliente de Empresas no Millennium BCP (atividade que adorei pelo facto, de entre Bancos e Empresas, se construírem relações duradouras baseadas, não só na confiança, mas também no princípio do desenvolvimento mútuo), tive a oportunidade de vir trabalhar para Paris numa função de dinamização do negócio dos não residentes que têm interesses em Portugal. A partir desse momento e começando a compreender as diferenças entre o sistema financeiro português e francês, quer em relação ao modelo relacional com os clientes, quer em relação ao nível de desenvolvimento tecnológico, comecei a identificar uma série de evoluções necessárias no modelo bancário do Banque BCP e, felizmente, tive a felicidade que me confiassem essa missão.

Foi fácil começar a carreira profissional na sua principal área de trabalho (Marketing e Transformação Bancaria)? Refira os principais fatores que contribuíram para a facilidade/dificuldade.

No mundo profissional nada é fácil. Tudo exige muito trabalho, dedicação e sacrifício mas, quando se tem a sorte de se fazer o que se gosta, tudo se torna mais fácil.

Quando iniciei a minha etapa profissional no domínio do Marketing e Transformação Bancaria, já tinha oito anos de carreira no sector bancário onde tive a oportunidade de passar pela atividade comercial, pudendo conhecer os clientes, as suas necessidades e as suas expectativas e já tinha igualmente animado uma rede comercial, o que me permitiu igualmente conhecer as necessidades e as expectativas dos colaboradores. O conhecimento destes dois atores principais foi uma excelente base para iniciar as minhas funções, aos quais se juntaram o conhecimento do sector financeiro português, o conhecimento de Portugal, o conhecimento dos não residentes (desde a minha infância na minha aldeia de Valadares que tive amigos que viviam no estrangeiro) e uma grande motivação pela oportunidade que me era confiada, foram os elementos que mais facilitaram a minha nova missão. Claro que, quando se é o mais jovem a ser nomeado diretor numa empresa para gerir a transformação (a mudança) perante uma estrutura diretiva já instalada há algum tempo, as dificuldades são normais: necessidade de conquistar o nosso espaço, obter o reconhecimento dos seus pares e obviamente mostrar resultados o mais rápido possível.

Como descreve o seu dia a dia profissional?

Por força do perímetro de atividade que me é confiado e pelo número de colaboradores que tenho sob a minha responsabilidade, diria que não tenho um dia tipo. Cada dia é diferente do anterior, sendo que a semana é marcada por momentos sagrados. Todas as semanas começam com um breafing individual com cada um dos responsáveis das minhas equipas, cujo objetivo é fazer um ponto da situação sobre três temas principais: Análise da semana anterior, organização e priorização das atividades da semana que se inicia e um ponto sobre Recursos Humanos pois estes são a base do sucesso.

O resto da semana é mercado por reuniões sobre resultados, preparação de ações comerciais, gestão de projetos de transformação e inovação. Tenho a felicidade de ter um perímetro de atividade bastante largo e heterogéneo, o que me permite ter dias profissionais com alguns pontos em comum mas que são sempre diferentes.

O que mais o fascina nessas suas atuais atividades?

Há duas coisas que me fascinam especialmente:

- Poder mudar as coisas ou a forma de as fazer e sentir que isso contribui para o desenvolvimento da empresa. Para isso inspiro-me numa questão: "Porque é que fazemos assim?" E para a qual não aceito como resposta "Porque sempre fizemos assim!"; e numa famosa publicidade da Apple cujo título original é "Think Different". Quem olha para o sector bancário sem o conhecer não vê nada de atrativo, mas quem o faz com o olhar das funções estratégicas que desempenha tem o privilégio de viver um momento chave na transformação do sector.

- Gerir pessoas. Os clientes não fazem negócios com empresas mas com pessoas e as pessoas são o principal ativo (não gosto da expressão recurso - os recursos são transformados, as pessoas transformam) das empresas. Dedico muito do meu tempo à gestão das pessoas e acredito que o bom gestor de pessoas é aquele que consegue encontrar o justo equilíbrio entre exigência e proximidade.

Quer comparar o contexto em que trabalha, em França, e o que conhece em Portugal?

Cada país tem as suas coisas positivas e negativas. Diria que em Portugal temos um modelo mais hierarquizado e muito baseado em títulos enquanto que, em França, o modelo é mais simples e as pessoas não se dão ao respeito pelo título académico que têm, mas pela qualidade do seu trabalho.

Outra diferença é que, em Portugal, somos muito mais profissionais não necessária e exclusivamente na realização das tarefas mas na adoção de uma postura profissional. Há quem possa chamar a isso “viver de aparências”, mas eu considero que é apenas mais um elemento que contribui para a plena apropriação da personagem que somos em termos profissionais.

Para terminar, diria que, em França, há uma forte (talvez demasiado) proteção do colaborador que contrasta com o que acontece em Portugal. Na minha humilde opinião, o justo equilíbrio entre ambos os modelos seria um excelente compromisso.

Que conselho daria a quem pretende começar neste ramo de trabalho?

O melhor conselho que se pode dar a alguém que se inicia neste ou noutro ramo de trabalho onde nos pedem para transformar o existente é que esqueçam tudo o que aprenderam sobre estudos de concorrência. Pensem comigo: se queremos mudar o sector bancário, faz sentido estudar a concorrência bancaria e, no limite, fazer o que os concorrentes fazem? Para mim, não! Para mim, é preciso estudar os outros sectores de atividade. É nos outros sectores que vamos encontrar a inspiração para mudar.

Depois, não hesitem em redigir um relatório de espanto quando chegam. Mas o que é isso de relatório de espanto? E um relatório que permite sintetizar tudo aquilo que o vosso olhar (novo) identifica e questiona como podendo ser diferente. E o relatório que deve ser construído sobre o prisma de "Porque é que se faz assim?” e "A mim parece-me mais lógico, ou melhor, se for assim". Atenção, não chega ter um olhar novo. É preciso ser resistente, acreditar nas suas convicções, ouvir as dos outros mais experientes e apresentar soluções que tenham em conta todos os elementos que referi, mas tendo a ousadia de propor o que nunca foi feito.

Para finalizar, diria que devem ter uma fonte de inspiração. A minha é o meu avô José de Almeida que, infelizmente, já não esta entre nós, mas que pelo orgulho que sempre teve em mim (fui o primeiro neto a frequentar a Universidade), pelos valores que me transmitiu e por tudo o que fez para me ajudar, é uma pessoa que me inspira diariamente a trabalhar para ser melhor a cada dia, respeitando sempre as outras pessoas.

Tem alguma outra atividade paralela que queira referir? Como descomprime do stresse do dia a dia?

Eu diria que tenho três atividades paralelas, uma pontual e duas permanentes. A atividade pontual é o futsal que jogo uma vez por semana e que acaba por ser um momento de descompressão e o reviver de algumas memórias do período que passei na Universidade onde pisei muitas vezes o Pavilhão Desportivo com os meus amigos. Uma das atividades permanentes é ser Embaixador Não Oficial de Portugal. Sou um orgulhoso português, não tenho síndrome de ser de um país "pequeno". O tamanho de um país não está na sua superfície, nem no número de habitantes, mas nas realizações e façanhas que o povo desse país realizou, é e será capaz de realizar e, nisso, nós somos enormes.

A outra atividade permanente é a mais importante de todas: ser pai do Simão e do Tiago que, com um simples sorriso ou abraço, me fazem esquecer todos os problemas, enchem-me o coração e dão-me força para continuar a tentar ser, cada dia, melhor.

Aproveito igualmente para ir completando a minha formação, tendo já obtido certificações em Gestão de Pessoas, Design Thinking e Facilitador da Transformação Digital.

Que competências adquiridas na UA entende terem sido fundamentais para o exercício das suas atuais atividades? O percurso na UA teve algum efeito no seu caminho profissional/atividades paralelas que exerce? De que maneira?

A UA proporcionou-me conhecimento, método e competências. No que se refere às competências fundamentais, diria: organização, cooperação, empreendedorismo e abertura à mudança, foram as principais. Gostaria de destacar, em particular, a exigência. Na UA aprendi que "mais vale ter como objetivo a excelência e falhar, do que ter como objetivo a mediocridade e conseguir"!

Como tive oportunidade de referir, sinto-me um Embaixador Não Oficial de Portugal, mas sinto-me igualmente um Embaixador da Universidade de Aveiro. Tenho um grande orgulho em ser português e um grande orgulho em ter estudado na Universidade de Aveiro. Aveiro é nosso e há de ser! Aveiro é nosso até morrer!

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