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Entrevistas
Antigo aluno UA – Fernando Hajam, doutoramento em Contabilidade
O primeiro timorense doutorado em Contabilidade foi ministro da Educação e Cultura
Fernando Hajam foi responsável pela pasta da Educação no governo de coligação liderado pela Fretilin
Com uma tese sobre o impacto da qualidade da auditoria, medida em função das demonstrações financeiras serem ou não auditadas por uma das quatro maiores empresas de auditoria (big 4), na rendibilidade das ações das empresas cotadas em bolsa na Indonésia, Fernando Hanjam concluiu o doutoramento na UA. Ministro da Educação e Cultura de Timor-Leste do executivo de coligação e em gestão desde a dissolução do parlamento e as eleições antecipadas de 12 de maio de 2018, o antigo aluno timorense retém boas memórias dos cinco anos passados na UA.

“Sentimos um grande orgulho ao sabermos que o nosso doutorando tinha sido nomeado ministro da Educação e cultura”, afirmam Helena Inácio e Elisabete Vieira, orientadoras da tese e professoras do Instituto Superior de Contabilidade e Administração da UA (ISCA-UA). “Ele merece!”. A humildade e a enorme capacidade de trabalho são caraterísticas de Fernando Hanjam destacadas pelas suas orientadoras de doutoramento, tendo sido cruciais para vencer todas as dificuldades, nomeadamente no que concerne às barreiras linguísticas. O português não se tinha desenvolvido em Timor-Leste durante a ocupação indonésia.

Entre as boas memórias da UA, o antigo aluno destaca o apoio das duas orientadoras da tese. Intitula-se “O impacto da qualidade de Auditoria na rendibilidade das ações”. Foi o terceiro timorense a concluir o doutoramento na UA e o primeiro nesta área. Já antes docente na universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL), o então doutorando, natural do enclave de Oecusse, sempre ambicionou, assim que defendesse a tese, regressar a Timor-Leste para dar o seu contributo ao desenvolvimento do país.

A ligação de Fernando Hanjam à UA continua. Primeiro, porque tanto a esposa, como a filha são atuais alunas. A filha é aluna de licenciatura e a esposa é doutoranda. Depois, porque o trabalho, mais propriamente, os projetos de cooperação entre a UA e Timor-Leste, o têm levado, enquanto ministro, a visitas regulares a Portugal e ao campus onde viveu durante cinco anos.

“A cooperação com Portugal, e com a UA em particular, tem sido muito importante, não só ao nível do ensino do Português, mas também noutras áreas. Portugal faz parte da União Europeia, uma região do mundo onde os sistemas de educação são muito avançados. No caso da UA, é muito importante a cooperação ao nível do ensino das ciências”. Neste âmbito, estão atualmente na UA cerca de cinco dezenas timorenses.

A UA tem cooperação com Timor-Leste desde 2000. Foram diversos os projetos em diferentes fases. O mais recente, "Formar Mais – Formação Contínua de Professores", “tem sido fundamental”, explica o ministro: “Já muito mudou no ensino secundário geral de Timor-Leste, ao nível do currículo e ao nível da preparação dos professores, com a colaboração da UA. Este esforço tem de ser continuado”.

Ministro pretende introduzir formação cívica em Timor

Fernando Hanjam foi funcionário e docente da UNTL, instituição que, na sua perspetiva, tem evoluído muito. Orgulhoso da sua anterior atividade de docente, refere que alguns dos seus alunos já assumiram cargos de responsabilidade em diversas áreas: Parlamento, direções gerais, entre outros. A nova Faculdade de Ciências Exatas da UNTL, dirigida por um outro doutorado pela UA, Samuel Freitas, enfrenta, explica o ministro, as dificuldades naturais quanto à qualificação do corpo docente, tendo em conta a juventude da Faculdade e o contexto socioeconómico e político de Timor-Leste. Atualmente, decorre a formação de docentes, em colaboração com a UA, que lecionarão no curso de Ciências Exatas.

No cargo governativo desde outubro de 2017, afirma ter impulsionado o aumento da carga horária de Português que é língua oficial de Timor, tal como o tétum. “É preciso intervir cedo, no sistema de ensino, e ir avançando progressivamente nos níveis seguintes, básico e secundário para, assim, o português poder evoluir como língua oficial que é”.

O governante lamenta a persistência de alguns problemas na Educação de Timor-Leste e o curto tempo que esteve no cargo de ministro. Após a dissolução do Parlamento e as eleições antecipadas, aguarda-se a tomada de posse do novo governo. Afiança que continuará, enquanto estiver no Governo, a trabalhar para a Educação em Timor, a acompanhar a situação dos professores e a formação contínua, a tentar melhorar os equipamentos e infraestruturas educativas…

O antigo aluno da UA gostaria, por outro lado, de encontrar uma solução para as necessidades de formação cívica dos timorenses, que também pode passar pelas escolas, e de reforçar a cooperação com os diversos parceiros, nomeadamente, com a Igreja. “Porque a Igreja em Timor-Leste tem um forte empenho na Educação. As escolas sob responsabilidade da Igreja, apesar das dificuldades nas instalações, têm um nível superior de organização. Daí ser fundamental esta cooperação”.

Em Timor, todas as crianças timorenses têm direito ao ensino. Foi criado um sistema de ensino recorrente para os que desistiram dos estudos possam retomá-los. Considera também necessária uma avaliação dos programas curriculares.

Quanto à sua área de ensino, a Contabilidade, ainda não existem empresas timorenses nesta área, embora algumas empresas portuguesas de Contabilidade já estejam instaladas naquele país. Várias empresas estrangeiras operam em Timor, enquanto as de origem timorense se dedicam, sobretudo, aos sectores agrícola e das pescas… Aliás, a criação de mais empresas foi também uma prioridade do Governo ainda em funções.

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