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Investigação
Balanço das atividades do ECOMARE no Dia Mundial dos Oceanos
Reabilitar ou estudar espécies marinhas selvagens e investigar o cultivo sustentável de outras
Uma nova formulação para produzir rochas de aquário está a ser estudada no ECOMARE
O estudo e reabilitação de espécies marinhas selvagens, sempre na perspetiva de as devolver ao ambiente natural. Estudo dos fatores que condicionam o desenvolvimento de certas espécies com valor comercial, das condições dos ambientes aquáticos. Estas são duas facetas do trabalho desenvolvido no ECOMARE–Laboratório para a Inovação e Sustentabilidade dos Recursos Biológicos Marinhos da Universidade de Aveiro (UA). Traça-se um panorama quase um ano depois da inauguração oficial daquela estrutura da UA.

O Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (CRAM), centro reconhecido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, e Centro de Extensão e de Pesquisa em Aquacultura e Mar (CEPAM) são duas das facetas primordiais do ECOMARE.

Arau-comum, ou airo, ganso-patola, torda-mergulheira, alma-de-mestre, gaivotas de várias espécies são algumas das aves marinhas que têm sido acolhidas, reabilitadas no CRAM ECOMARE, depois devolvidas à natureza. Outros animais, como focas, tartarugas e golfinhos também têm sido objeto e intervenção deste centro co-financiado pelo Oceanário de Lisboa.

Um conjunto de 23 aves, onde se incluíam araus-comuns, gansos patolas e tordas-mergulheiras, de um total de 33 que foram encontradas com vida e  afetadas por óleo e começaram a chegar ao CRAM em janeiro, foram devolvidas ao mar em fevereiro. O Oceanário de Lisboa salientou a taxa de recuperação de quase 70 por cento que é considerada um sucesso nestas situações.

As tartarugas marinhas que foram reabilitadas no CRAM ECOMARE e libertadas com um emissor têm vindo a enviar dados que são armazenados para estudo. Uma delas, a que foi dado o nome Gama, a 16 de abril, tinha feito 4600 quilómetros no Atlântico, em direção à América Central. Até agora, não há um padrão definido nas deslocações das tartarugas que passaram pelo centro.

O centro possui ainda um Banco de Tecidos de Animais Marinhos que já conta com amostras recolhidas desde o ano 2000, sobretudo de tartarugas, cetáceos e aves marinhas, dados preciosos para fundamentar estudos de população, ecologia, biologia das espécies, reprodução, dieta, entre outros. Estes estudos podem ser enquadrados no contexto académico ou não.

Uma vez que a perspetiva destas intervenções é sempre a devolução ao meio natural, o contacto com seres humanos é desaconselhado e limitado ao mínimo essencial para permitir a recuperação dos animais. O CRAM ECOMARE aconselha a, se encontrar uma ave selvagem a precisar de auxílio, contactar imediatamente as autoridades para que o animal chegue o mais rápido possível a um centro de recuperação de animais selvagens para que possa ser tratado. Não deve deixar o animal sozinho nem deve tentar fazer qualquer procedimento em casa.

As atividades do CRAM ECOMARE podem ser acompanhadas através do Facebook: https://www.facebook.com/cram.ecomare/ .

Estudos unidos pelo cultivo de espécies marinhas

No CEPAM há projetos diversos relacionados com o cultivo de espécies marinhas.

A monitorização de nutrientes na água no Laboratório de Monitorização Ambiental, que dispõe de equipamento de análise de amostras especialmente preparado para água salgada, a análise do impacte de compostos tóxicos no ambiente e nos seres vivos que é a área do Laboratório de Ecotoxicologia Marinha, são apenas dois exemplos.

O impacte dos plásticos, mais propriamente, microplásticos, nos bivalves – que são ingeridos na totalidade quando consumidos pelo ser humano, ao contrário dos peixes dos quais se ingere, sobretudo, o músculo –, e o efeito das nanopartículas em douradas, são apenas duas facetas do trabalho neste último laboratório.

Diversos outros projetos, igualmente relacionados com o cultivo de espécies, se desenrolam num espaço do ECOMARE adaptável às necessidades da investigação. Um desses trabalhos tem por objetivos a otimização da depuração e a agregação de valor aos bivalves, outro incide sobre as lesmas marinhas que assimilam cloroplastos que se mantém funcionais realizando a fotossíntese. A produção de mosca-soldado-negra na perspetiva de se poder integrar na ração de peixe é outro desses projetos, assim como o estudo de casca de ostra moída, em diferentes granulometrias, misturada com um cimento adequado para a eventual substituição de rocha nos aquários.

Entre os projetos de doutoramento em curso e com, pelo menos, uma parte do trabalho experimental a decorrer no ECOMARE está, entre outros, um que procura valorizar os efluentes das aquaculturas usando plantas halófitas (plantas tolerantes à salinidade), como a salicórnia ou a gramata-branca. As caraterísticas destas espécies são muito facilmente alteradas variando as condições do meio.

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