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Entrevistas
Antigo aluno UA – Ricardo Vieira de Sousa, licenciado em Engenharia do Ambiente
Um sonho profissional nas Arábias
Ricardo Vieira de Sousa
Ricardo Vieira de Sousa está desde 2014 em Abu Dhabi, capital e um dos territórios dos Emirados Árabes Unidos. Licenciado em Engenharia do Ambiente pela UA, é um dos pontas de lança daquele emirado para a gestão dos resíduos. Depois de ter tido em mãos a gestão e manutenção do aterro sanitário de Abu Dhabi, Ricardo Vieira de Sousa, aos 38 anos, é hoje um dos especialistas ambientais do Centro de Gestão de Resíduos do Governo daquela zona do mundo.

É aí que tem por missão não só gerir as operações diárias de gestão das infraestruturas ambientais do Emirado, como, e a pensar no futuro, desenvolver soluções sustentáveis para gestão dos resíduos produzidos diariamente no Emirado.

Tinha um sonho: ter uma experiência profissional fora de Portugal. Em 2014, o sonho bateu-lhe à porta: os Emirados Árabes Unidos chamaram por Ricardo Sousa. Na capital Abu Dhabi esperavam-no responsabilidades na gestão, manutenção e operacionalização do aterro sanitário da cidade e de duas estações de transferência de resíduos que, por dia, estavam a receber 15 mil toneladas de resíduos.

Aceitou o convite, chegou, viu e venceu! Por isso, não foi de espantar que, três anos depois do bom trabalho realizado à frente do aterro, fosse convidado para assumir as funções de técnico especialista no Centro de Gestão de Resíduos do Governo de Abu Dhabi.

Hoje está de corpo e alma envolvido na gestão dos resíduos da cidade, com especial enfoque nos projetos relacionadas com a disposição final de resíduos nos aterros. Ao mesmo tempo, é uma das peças-chave no planeamento e desenvolvimento de soluções de recuperação energética e material de milhões de toneladas de resíduos produzidas todos os anos naquel capital árabe.

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Em 2014 deu um salto para os Emirados Árabes Unidos com um objetivo: “ter uma experiência profissional fora de Portugal”.

Perdeu-se um médico, ganhou-se um engenheiro

Queria ser médico, mas no final do ensino secundário faltavam-lhe algumas décimas na média para entrar no curso de Medicina. Um facto que acabou por o obrigar a encarar outras alternativas de carreira e que o futuro revelou mais tarde serem as mais adequadas ao seu perfil.

“Engenharia de Ambiente surgiu pelo facto de ser, na altura da candidatura, uma área em forte expansão e ser uma área que me iria permitir criar e gerir novas soluções para problemas ambientais que se colocam. Essa faceta foi e continua a ser a que mais me motiva e desafia profissionalmente”, diz Ricardo Vieira de Sousa.

E para abraçar a Engenharia do Ambiente, a UA surgiu automaticamente no topo das preferências. Terminou a Licenciatura em 2002. “A frequência do curso permitiu descobrir a minha paixão e perceber que sempre deveria ter pensado em ser um engenheiro. Foi, sem dúvida, uma enorme escola onde, além de ter sido capaz de evoluir tecnicamente, evoluí bastante a nível pessoal, o que me permite ter uma excelente memória do tempo lá passado”, confessa. O curso, diz o antigo aluno, “soube despertar a capacidade e o ensejo de desenvolver soluções para problemas que nos parecem impossíveis de resolver à primeira vista”.

E o que mais o marcou na UA? “Sem dúvida que o destaque vai para o excelente companheirismo entre colegas e professores. Nunca houve qualquer sinal de disputa ou preferência entre colegas pelo corpo docente e sempre foi dada oportunidade a cada um para brilhar e mostrar as suas capacidades”, recorda.

Além da UA lhe ter “fornecido um excelente background técnico e profissional”, Ricardo Sousa lembra ainda “os muitos amigos que a academia proporcionou e que permanecem até hoje”. A UA e sua fusão com a cidade de Aveiro e as suas gentes fazem do Campus “um local único e muito especial no meu passado, presente e, quem sabe, futuro”.

Percurso de excelência

Depois de concluir a licenciatura foi para a Universidade do Porto (UP) fazer um Mestrado em Engenharia de Ambiente com especialização em Gestão e Tratamento de Resíduos Industriais. Durante esta formação foi bolseiro de investigação pela Faculdade de Engenharia da UP, onde integrou as equipas responsáveis pelo desenvolvimento dos inventários nacionais de resíduos e dos sistemas em alta e baixa de abastecimento e drenagem na zona norte de Portugal.

Com o fim do mestrado e dos projetos onde estava envolvido, em 2004 fez um estágio num gabinete de consultoria ambiental em Vila Nova de Gaia e, posteriormente, foi diretor-executivo numa empresa municipal onde assumiu, entre um sem número de projetos, a gestão de um aterro sanitário, de um ecocentro e dos serviços de limpeza de diversos edifícios municipais.

Entretanto, já em 2014, e concretizando a vontade que desde sempre teve de trabalhar no estrangeiro, mudou-se de armas e bagagens para Abu Dhabi.

Atualmente, descreve, “desenvolvo atividade como técnico especialista na área dos resíduos no governo de Abu Dhabi, onde sinto que posso expor e desenvolver as minhas ideias rumo a soluções ambientalmente mais sustentáveis”. Aliado a essa faceta de criação, desenvolvimento e implementação de novos projetos, Ricardo Vieira de Sousa também está afeto à operação dos aterros, o que lhe permite nunca ficar afastado da parte operacional.

Da UA recorda e agradece algumas das competências que por lá adquiriu: ética, espírito de iniciativa, equilíbrio emocional, capacidade de se adaptar às mudanças, criatividade, intuição e capacidade de inovação.

Nota: este artigo foi publicado na edição número 29 da revista Linhas

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